Relatório da Agência Internacional de Energia exalta as vantagens da reestruturação do setor no BrasilPara a Agência Internacional de Energia (AIE), a situação do setor sucroenergético brasileiro não é tão ruim quanto a pintam por aí. De acordo com o mais recente relatório produzido pela instituição, o mercado de cana-de-açúcar está passando por mudanças estruturais que devem ajudar no desenvolvimento do setor no longo prazo.
Enquanto no Brasil o fechamento de usinas é utilizado como argumento para sensibilizar os governantes, na visão da AIE essas falências são reflexos da ineficiência e são benéficas para o mercado. A concentração da indústria nas mãos de grandes players, por meio de fusões e aquisições, também é considerada positiva.
Veja a seguir mais detalhes e o resumo completo da posição da AIE em relação ao etanol no Brasil publicada no relatório World Energy Outlook 2013.
E mais nesta reportagem:
- Fatores limitantes para o crescimento na visão da AIE
- A relação entre a expansão canavieira e o zoneamento agroecológico
- Cenário mundial do etanol e a segunda geração
Para a Agência Internacional de Energia (AIE), a situação do setor sucroenergético brasileiro não é tão ruim quanto a pintam por aí. De acordo com o relatório World Energy Outlook 2013, até 2035, a produção de cana-de-açúcar deve chegar aos 800 milhões de toneladas e o consumo de etanol no setor de transportes deve triplicar. Entre os fatores positivos citados pela agência, estão "mudanças na estrutura do setor", as quais incluem o fechamento de usinas ineficientes e concentração da indústria nas mãos de grandes players, por meio de fusões e aquisições.
Enquanto no Brasil o fechamento de usinas é utilizado como argumento para sensibilizar os governantes, na visão da AIE essas falências são reflexos da ineficiência e, junto com a consolidação, são benéficas para o mercado. "Isso promete trazer, progressivamente, aumento na eficiência e crescimento da escala da produção agrícola e industrial, reduzindo custos, além de melhorar a logística do etanol", diz o estudo. A longo prazo, estas tendências podem também ajudar a diminuir a volatilidade da produção do biocombustível.
A agência apresenta que 2% de toda a capacidade de esmagamento do Brasil, 40 usinas, entraram com pedido de falência recentemente.
Segundo o documento, que apresenta projeções e tendências para o setor de energia até 2035, o volume de etanol de cana consumido no transporte no Brasil deve ir dos 200 mil barris de petróleo equivalente de 2011 para 600 mil barris de petróleo equivalente em 2035. O volume corresponderá a 30% da demanda total de energia pelo setor de transportes, a qual deve crescer a uma taxa média de 2,4% ao ano até a metade da década de 2030.


As projeções são para o que a agência chama de Cenário de Novas Políticas, que considera que algumas novas regras serão estabelecidas para estimular a produção e o consumo de energias renováveis. Apesar de tratar também de outros dois possíveis panoramas – o Cenário de Políticas Atuais e Cenário 450 –, este é o que é utilizado como base para todo o relatório.
Especificamente para o Brasil, ele prevê que a demanda por energia deve crescer 80%, o mandato de mistura de etanol à gasolina deve se manter a 25% e a frota vai crescer a uma taxa de 3,2% por ano. Além disso, o país vai deixar de depender tanto do frete rodoviário e deve estabelecer políticas de incentivo ao aumento da eficiência dos veículos, como o programa Inovar-Auto – a expectativa é que haja melhora de 12% nesta eficiência.
O Cenário de Novas Políticas leva em conta a recente crise pela qual passou o setor de etanol brasileiro, resultado de uma combinação de fatores como "safras ruins, baixos investimentos e uma posição de desvantagem com relação à gasolina" – devido aos preços artificialmente baixos do combustível renovável.
Ele considera, porém, que a safra atual é um ponto de virada. "As condições de mercado estão mais promissoras", diz, já que a safra 2013/2014 será melhor, a produção de etanol têm se mostrado mais atrativa em comparação com a de açúcar e o governo tomou atitudes para incentivar o setor.
De acordo com o relatório, todos estes fatores indicam que há espaço para crescimento da produção não apenas por meio da expansão da área de cultivo da cana dentro do que estabelece o Zoneamento Agroecológico (ZAE) - para não ameaçar o posicionamento do país nos mercados de biocombustíveis -, mas também com o aumento da eficiência e do rendimento, devido, principalmente, a novas variedades e à mecanização. O documento diz, no entanto, que isso depende bastante da taxa de renovação dos canaviais.

No Cenário de Novas Políticas, a perspectiva é que a área dedicada à cana-de-açúcar passe a ser de 9 milhões de hectares em 2035, espaço inferior a um sexto do total que pode ser destinado à cultura, conforme o ZAE, e a produção chegue a 800 milhões de toneladas de cana. O etanol produzido a partir deste volume de matéria-prima vai corresponder a 80% da produção total de biocombustíveis do país.
Outro elemento que seria limitante é um aumento nos custos de produção, que já estão altos, principalmente no que diz respeito à mão-de-obra e à terra. Se a tendência de aumento dos custos ligados à mão-de-obra e terra continuar, o preço da matéria-prima pode aumentar, fazendo com que o etanol perca sua vantagem como combustível barato. Esta situação seria amenizada com o movimento de consolidação e saída do mercado das unidades ineficientes.


Aproximadamente 90% da demanda global por biocombustíveis serão originados nos Estados Unidos, Brasil, União Europeia, China e Índia, combinados. O Brasil será o maior exportador de biocombustíveis, principalmente de etanol, enquanto os EUA passarão a ser importadores.
No caso dos biocombustíveis avançados, a expansão de mercado tem sido lenta. Ela deve se manter assim até 2020, quando ganha força. Até 2035, eles representarão 20% da oferta total de biocombustíveis no mundo.

Mais informações sobre o relatório da AIE podem ser encontradas aqui.
Vivian Faria - NovaCana
Enquanto no Brasil o fechamento de usinas é utilizado como argumento para sensibilizar os governantes, na visão da AIE essas falências são reflexos da ineficiência e são benéficas para o mercado. A concentração da indústria nas mãos de grandes players, por meio de fusões e aquisições, também é considerada positiva.
Veja a seguir mais detalhes e o resumo completo da posição da AIE em relação ao etanol no Brasil publicada no relatório World Energy Outlook 2013.
E mais nesta reportagem:
- Fatores limitantes para o crescimento na visão da AIE
- A relação entre a expansão canavieira e o zoneamento agroecológico
- Cenário mundial do etanol e a segunda geração
Para a Agência Internacional de Energia (AIE), a situação do setor sucroenergético brasileiro não é tão ruim quanto a pintam por aí. De acordo com o relatório World Energy Outlook 2013, até 2035, a produção de cana-de-açúcar deve chegar aos 800 milhões de toneladas e o consumo de etanol no setor de transportes deve triplicar. Entre os fatores positivos citados pela agência, estão "mudanças na estrutura do setor", as quais incluem o fechamento de usinas ineficientes e concentração da indústria nas mãos de grandes players, por meio de fusões e aquisições.
Enquanto no Brasil o fechamento de usinas é utilizado como argumento para sensibilizar os governantes, na visão da AIE essas falências são reflexos da ineficiência e, junto com a consolidação, são benéficas para o mercado. "Isso promete trazer, progressivamente, aumento na eficiência e crescimento da escala da produção agrícola e industrial, reduzindo custos, além de melhorar a logística do etanol", diz o estudo. A longo prazo, estas tendências podem também ajudar a diminuir a volatilidade da produção do biocombustível.
A agência apresenta que 2% de toda a capacidade de esmagamento do Brasil, 40 usinas, entraram com pedido de falência recentemente.
Segundo o documento, que apresenta projeções e tendências para o setor de energia até 2035, o volume de etanol de cana consumido no transporte no Brasil deve ir dos 200 mil barris de petróleo equivalente de 2011 para 600 mil barris de petróleo equivalente em 2035. O volume corresponderá a 30% da demanda total de energia pelo setor de transportes, a qual deve crescer a uma taxa média de 2,4% ao ano até a metade da década de 2030.


As projeções são para o que a agência chama de Cenário de Novas Políticas, que considera que algumas novas regras serão estabelecidas para estimular a produção e o consumo de energias renováveis. Apesar de tratar também de outros dois possíveis panoramas – o Cenário de Políticas Atuais e Cenário 450 –, este é o que é utilizado como base para todo o relatório.
Especificamente para o Brasil, ele prevê que a demanda por energia deve crescer 80%, o mandato de mistura de etanol à gasolina deve se manter a 25% e a frota vai crescer a uma taxa de 3,2% por ano. Além disso, o país vai deixar de depender tanto do frete rodoviário e deve estabelecer políticas de incentivo ao aumento da eficiência dos veículos, como o programa Inovar-Auto – a expectativa é que haja melhora de 12% nesta eficiência.
O Cenário de Novas Políticas leva em conta a recente crise pela qual passou o setor de etanol brasileiro, resultado de uma combinação de fatores como "safras ruins, baixos investimentos e uma posição de desvantagem com relação à gasolina" – devido aos preços artificialmente baixos do combustível renovável.
Ele considera, porém, que a safra atual é um ponto de virada. "As condições de mercado estão mais promissoras", diz, já que a safra 2013/2014 será melhor, a produção de etanol têm se mostrado mais atrativa em comparação com a de açúcar e o governo tomou atitudes para incentivar o setor.
De acordo com o relatório, todos estes fatores indicam que há espaço para crescimento da produção não apenas por meio da expansão da área de cultivo da cana dentro do que estabelece o Zoneamento Agroecológico (ZAE) - para não ameaçar o posicionamento do país nos mercados de biocombustíveis -, mas também com o aumento da eficiência e do rendimento, devido, principalmente, a novas variedades e à mecanização. O documento diz, no entanto, que isso depende bastante da taxa de renovação dos canaviais.

No Cenário de Novas Políticas, a perspectiva é que a área dedicada à cana-de-açúcar passe a ser de 9 milhões de hectares em 2035, espaço inferior a um sexto do total que pode ser destinado à cultura, conforme o ZAE, e a produção chegue a 800 milhões de toneladas de cana. O etanol produzido a partir deste volume de matéria-prima vai corresponder a 80% da produção total de biocombustíveis do país.
Fatores limitantes
Há, contudo, fatores que podem limitar o crescimento da produção, como competição por terra com outras culturas e redução da demanda por biocombustíveis no Brasil e no mundo, possibilidade cada vez mais real, depois que a EPA propôs a redução dos mandatos americanos.Outro elemento que seria limitante é um aumento nos custos de produção, que já estão altos, principalmente no que diz respeito à mão-de-obra e à terra. Se a tendência de aumento dos custos ligados à mão-de-obra e terra continuar, o preço da matéria-prima pode aumentar, fazendo com que o etanol perca sua vantagem como combustível barato. Esta situação seria amenizada com o movimento de consolidação e saída do mercado das unidades ineficientes.


Cenário mundial e segunda geração
Globalmente, o consumo de biocombustíveis deve ir de 1,3 milhão de barris de petróleo equivalente, em 2011, para 4,1 milhões de barris de petróleo equivalente, em 2035, suprindo 8% da demanda mundial de energia para os transportes. Desse total, cerca de três quartos serão de etanol.Aproximadamente 90% da demanda global por biocombustíveis serão originados nos Estados Unidos, Brasil, União Europeia, China e Índia, combinados. O Brasil será o maior exportador de biocombustíveis, principalmente de etanol, enquanto os EUA passarão a ser importadores.
No caso dos biocombustíveis avançados, a expansão de mercado tem sido lenta. Ela deve se manter assim até 2020, quando ganha força. Até 2035, eles representarão 20% da oferta total de biocombustíveis no mundo.

Mais informações sobre o relatório da AIE podem ser encontradas aqui.
Vivian Faria - NovaCana