Cana: Safra / Moagem

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Falta de chuvas preocupa usinas, mas tom ainda é de cautela para safra 2015/16


Agência Estado - Publicado: 30 Jan 2015 - 17:02 | Atualizado: 30 Nov -0001 - 21:00

O volume de chuvas abaixo do esperado em janeiro preocupa as usinas do Estado de São Paulo, mas elas descartam neste momento uma repetição dos problemas ocorridos em 2014, quando a estiagem nesta época do ano afetou a produção da safra. O tom é de cautela, principalmente porque será necessário esperar as precipitações de fevereiro para, só depois, avaliar possíveis impactos aos canaviais.

Em janeiro choveu, na média, 100 milímetros a menos em todo o Estado, de acordo com a Somar Meteorologia - eram esperados 250 mm. "Mas as chuvas não foram bem distribuídas. No norte do Estado choveu até 150 mm a menos", disse Tiago Robles, meteorologista da Somar. Em fevereiro, segundo ele, o padrão pluviométrico deve ser semelhante ao deste mês.

Com 37 usinas sócias em São Paulo, a Copersucar, maior trading de açúcar e etanol do mundo, avalia que a baixa umidade em janeiro pode influenciar negativamente o próximo ciclo, disse ao Broadcast uma fonte ligada à empresa. Mas afirma que por enquanto não se trabalha com perdas. A Odebrecht Agroindustrial informou que nas regiões de cultivo o volume de chuva equivaleu a 40% do esperado. "O volume está na média das variações estimadas dentro do nosso planejamento, por isso não temos impacto negativo", informou. A Odebrecht tem duas unidades no Estado, ambas no Pontal do Paranapanema.

No início desta semana, o diretor da divisão de cana-de-açúcar da Tereos Internacional, Jacyr Costa Filho, também havia dito que os canaviais da Guarani, com sete usinas no noroeste paulista, receberam apenas metade da chuva prevista para janeiro. Ele disse aguardar fevereiro para fazer uma avaliação da próxima temporada.

O ciclo 2015/16 tem início oficial em 1º de abril, mas é de janeiro a março que os canaviais passam pelo importante período de maturação. No ano passado, a estiagem fora de época reduziu a safra 2014/15 em torno de 40 milhões de toneladas no Centro-Sul, conforme a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA).

Irrigação

As usinas necessitam das chuvas de verão para produzir cana-de-açúcar, porque na cultura não são utilizados em larga escala sistemas de irrigação. "É um investimento muito alto comparativamente ao seu retorno. Quem faz isso faz de forma pontual ou na área experimental", explica

Haroldo Torres, pesquisador e gestor de projetos do Pecege, da Esalq/USP. Segundo ele, a questão hídrica é uma preocupação constante na agricultura, seja em anos de clima favorável seja em anos de menor oferta de água, como o atual. "A falta de chuvas afeta a agricultura como um todo, que terá de saber lidar com a escassez hídrica", concluiu.

José Roberto Gomes