Cana: Safra / Moagem

Cana: Safra / Moagem

Falta de chuvas direciona atenção para produtividade dos canaviais, relata Rabobank

De acordo com o banco, rendimento é um elemento chave para compreensão da segunda metade da temporada 2024/25


NovaCana - Publicado: 30 Ago 2024 - 15:37

Considerando precipitações “leves ou nulas” nas principais regiões canavieiras do Brasil durante o início de agosto, um relatório do banco holandês Rabobank afirma que a evolução dos rendimentos da cana se tornou uma “questão chave” para o setor. O documento, que é assinado pelo estrategista global de açúcar do Rabobank, Andy Duff, foi divulgado nesta sexta-feira, 30.

De acordo com o texto, a produtividade no estado de São Paulo caiu mais de 15% em julho em comparação com o mesmo período da temporada anterior. Duff, entretanto, pondera que os resultados de 2023/24 foram “espetacularmente bons”.

Conforme os cálculos do Rabobank, quase 50% da área total de cana a ser colhida na região Centro-Sul em 2024/25 já foi processada, resultando nas 332,88 milhões de toneladas contabilizadas pela União da Indústria de Cana-de-açúcar e Bioenergia (Unica) até o final de julho. “Com a colheita de cana mais jovem e vigorosa sendo priorizada, o que então está reservado para os próximos meses, dadas as condições de seca prolongada?”, questiona o estrategista.

O banco ainda destaca que, no acumulado, o direcionamento da matéria-prima para a fabricação de açúcar atingiu 49,2% no final de julho. “A pureza média do caldo foi menor do que o esperado, o que é negativo para a produção de açúcar e explica, pelo menos em parte, a aparente dificuldade em elevar o mix de açúcar acima de 50%”, complementa.


Andy Duff, do Rabobank, tem presença confirmada na Conferência NovaCana 2024, que acontece em São Paulo nos dias 9 e 10 de setembro. Ele será um dos palestrantes do painel “SAF: momento para o etanol decolar”. Clique aqui para acessar a programação completa.


Preços

Ainda segundo o relatório, o consumo de etanol continua “robusto”, uma vez que o biocombustível hidratado tem apresentado preços competitivos nos postos. Na média, o valor na região Sudeste foi equivalente a 66% do preço da gasolina, um patamar considerado vantajoso para o etanol.

Em meados de agosto, o Rabobank calculou a arbitragem entre açúcar e etanol (em termos de açúcar equivalente) em 3,1 centavos de dólar por libra-peso, com vantagem para o adoçante. Apesar disso, o valor apresentado está em seu menor nível para 2024 até o momento.

Por sua vez, o preço médio do açúcar total recuperável (ATR) no estado de São Paulo, estabelecido pelo Consecana, está em R$ 1,17/kg na média da safra 2024/25 até o momento. Conforme o Rabobank, o valor está ligeiramente abaixo da média de 2023/24, de R$ 1,20/kg.

De acordo com o banco, a recuperação dos preços do etanol e um enfraquecimento do real em relação ao dólar durante o período de abril a julho ajudaram a compensar os preços mais baixos do açúcar para exportação.

Renata Bossle – NovaCana