MME revela verdade inconveniente sobre as entregas de energia das usinas
O histórico de inadimplência das usinas em relação as entregas de energia do bagaço de cana continua comprometendo a credibilidade do setor. Logo no início do seminário realizado ontem "1º de abril: dia da verdade sobre a bioeletricidade", o Ministério de Minas e Energia (MME) apresentou detalhes sobre o monitoramento que faz com as 57 usinas com energia contratada e revelou uma verdade inconveniente.
O histórico de inadimplência das usinas em relação as entregas de energia do bagaço de cana continua comprometendo a credibilidade do setor. Logo no início do seminário realizado ontem "1º de abril: dia da verdade sobre a bioeletricidade", o Ministério de Minas e Energia (MME) revelou uma verdade inconveniente.
De acordo com o Ministério de Minas e Energia (MME), o setor sucroenergético não está conseguindo entregar toda a bioeletricidade já contratada através dos leilões de energia. As entregas estão alcançando apenas 60% da energia assegurada nos certames.
"É muito menos do que aquela garantia física que o sistema tinha expectativa de receber. Inclusive não estão atendendo no seu conjunto os contratos de energia que passaram em leilão", afirmou o Secretário de Planejamento e Desenvolvimento Energético MME, Altino Ventura Filho, durante o evento realizado nesta terça-feira, na Câmara dos Deputados.
Ventura Filho afirmou que entre as 57 usinas monitoradas pelo ministério em razão da energia contratada, estão sendo gerados para o sistema elétrico apenas 818 MW médios, quando a garantia física estipulada é 1.380 MW médios.
De acordo com o secretário do MME, as empresas do setor estão descumprindo contratos por falta de combustível (bagaço). Ele afirma que em razão de problemas climáticos e renovação dos canaviais abaixo do nível adequado, as usinas não dispõem de toda a cana que seria necessária.
Mesmo assim, o representante ministerial disse que o MME "tem olhado com o maior cuidado para a opção da biomassa", argumentando que entre 2005 e 2013 foram realizados pelo governo 13 leilões contemplando essa fonte. Nesses certames, foram contratados um total 5.700 MW de capacidade instalada de energia da biomassa, fundamentalmente do bagaço de cana.
Opção do governo
O Plano Decenal de Expansão de Energia projeta a duplicação da capacidade instalada para a cogeração a partir da biomassa. Entretanto, o servidor reconhece que este objetivo pode não ser alcançado em virtude do "problema conjuntural por conta da competição entre etanol e gasolina". Esta referência a política do governo de proteger a inflação a qualquer custo, acaba por reduzir a capacidade de investimento das usinas e afeta diretamente a renovação dos canaviais e aquisição de novos equipamentos para cogeração.Apesar de reiterar a importância da bioeletricidade de cana na matriz energética do país e apontar para o crescimento de sua participação, Ventura Filho não considerou qualquer possibilidade de mudança nos leilões para beneficiar a cogeração do setor. "Nosso modelo busca a modicidade tarifária, queremos a energia de baixo custo", finalizou.
Amanda SchArr – NovaCana