O Brasil tem 21 unidades de produção de biometano em operação e mais 47 autorizadas para operar, o que representa 2,8% de todo o potencial de fabricação de biometano do país. Os dados foram apresentados nesta terça-feira, 28, pela presidente da Associação Brasileira do Biogás e do Biometano (Abiogás), Josiani Napolitano, durante a Conferência NovaCana.
Segundo a Abiogás, o país tem potencial de produção de 120 milhões de metros cúbicos por dia de biometano. Com as unidades em atividade hoje, a produção está em 1,36 milhão de metros cúbicos ao dia.
Se forem somadas as unidades autorizadas, a capacidade subirá para 3,37 milhões de metros cúbicos ao dia. O segmento que tem mais potencial de contribuir para a produção de biometano no país é o de cana-de-açúcar.
A dirigente defendeu que o aproveitamento do potencial brasileiro de biometano depende tanto da construção da oferta quando da demanda.
Para Napolitano, o que deve destravar o setor é o início da operação do mercado de Certificados de Garantia de Origem de Biometano (CGOBs), que remunerarão os produtores de biometano pelo atributo ambiental da molécula. “Isso já é uma garantia de mercado”, afirmou.
Atualmente, a geração e emissão de CGOBs está aguardando a conclusão da plataforma de negociação da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) em parceria com o Serpro.
A partir da primeira emissão de CGOB, passará a valer a obrigação prevista na Lei Combustível do Futuro para que os produtores e importadores de gás natural reduzam suas emissões de carbono. Para este ano, a meta é de redução de 0,5% das emissões.
A lei prevê que essa meta pode ir até 10% de redução de emissões. “Estamos trabalhando para ampliar esse percentual, dentro do que o setor consegue produzir”, disse.
Usos do biometano
A dirigente ressaltou que há potencial de uso de biometano tanto no transporte pesado rodoviário como no transporte aéreo, sendo uma matéria-prima na produção de Combustível Sustentável de Aviação (SAF, na sigla em inglês) e no transporte marítimo, com a liquefação do biometano (bioGNL). “A navegação e a aviação abrem novas oportunidades para essa cadeia”, disse.
O uso do biometano como matéria-prima para SAF pela rota Fischer-Tropsch (FT) está em estudo pela Geo bio gas&carbon e pela Copersucar. No caso do uso de bioGNL, atualmente só há uma indústria de liquefação de biometano no país, em Mato Grosso do Sul, que ainda não terminou de ser construída.
Além da capacidade de produção, Napolitano ressaltou que é preciso construir uma infraestrutura que transporte a matéria-prima do biometano até as unidades de biodigestão, e que transporte o biometano para os potenciais centros de consumo, como os portos onde poderão ser abastecidos navios movidos a GNL.
No transporte rodoviário, o biometano já é hoje competitivo em relação ao diesel, mas ainda não é mais competitivo do que o gás natural de origem fóssil, o que ainda exige a existência de uma política pública que garanta demanda para o biometano, defendeu Napolitano.
Outro setor potencial é o elétrico, com uso direto do biogás (não purificado) para a geração de energia. “Temos trabalhado com o Ministério de Minas e Energia na inserção do biogás nos leilões de reserva de capacidade, que tem capacidade incrível de atender o sistema em determinados horários”, afirmou.
Camila Souza Ramos