Uma joint venture entre a DSM e a Poet inaugurou a primeira fábrica de produção comercial de etanol celulósico em Emmetsburg, Iowa.
A unidade converte espigas, folhas, cascas e talos de milho em combustível renovável. A fábrica já começou a produzir oficialmente, processando seu primeiro lote de biomassa em etanol celulósico, e está avançando em direção à operação contínua. Em plena capacidade, ela irá converter 770 toneladas de biomassa por dia para a produção de etanol a uma taxa de 20 milhões de galões por ano.
"Alguns já chamaram o etanol celulósico de "combustível de fantasia”, mas hoje ele se torna uma realidade", disse Jeff Broin, fundador e presidente executivo da POET.
Feike Sijbesma, Diretor Presidente e Presidente do Conselho de Administração da Royal DSM disse: "Para a DSM, este é um investimento estratégico, com a aplicação de nossa tecnologia proprietária para a conversão de resíduos agrícolas em escala comercial, permitindo que o investimento seja replicado em outras instalações em todo o mundo, à medida que incrementamos o nosso negócio de licenciamento de etanol celulósico.”
Sem revelar o custo de produção por litro de etanol da nova planta, o presidente da DSM para a América Latina, Antônio Ruy Freire, garantiu que o projeto já tem viabilidade econômica nos Estados Unidos, onde o etanol celulósico é vendido com um prêmio sobre o etanol de primeira geração. "No caso do Brasil, o problema não é de custo, mas de preço de venda", diz o executivo referindo-se ao teto que o preço da gasolina impõe ao etanol no Brasil.
Do total investido no projeto, a DSM participou com US$ 150 milhões, por meio de capital próprio e financiamento. O restante foi aplicado pela americana. O plano das duas empresas é comercializar o pacote tecnológico com empresas que pretendam produzir etanol celulósico em outros lugares do mundo. Freire garante que a tecnologia já está pronta para ser replicada com retorno financeiro.
"O que faremos a partir de agora é adquirir mais conhecimento de como o processo funciona. É como um software de computador. É preciso fazer 'updates' para melhorar a aplicação da tecnologia", comparou.
Os Departamentos de Energia e Agricultura e o Estado de Iowa têm sido parceiros importantes para produzir essa tecnologia em escala comercial. O DOE concedeu US$ 100 milhões em subsídios para ajudar nos custos de engenharia e construção, e também para a coleta de biomassa e a infraestrutura. O Estado de Iowa desempenhou um papel de liderança para ajudar a tornar o projeto uma realidade, contribuindo com US$ 20 milhões em subsídios para os custos de capital e logística de matérias-primas. O USDA investiu US$ 2,6 milhões para ajudar na entrega de mais de 58 mil toneladas secas de resíduos de milho, ajudando a estabelecer a rede logística de matérias-primas.
Fatos sobre a usina Poet/DSM:
• Os custos de capital são de US$ 275 milhões.
• A fábrica emprega mais de 50 pessoas diretamente, e a colheita de biomassa está criando mais de 200 empregos indiretos na comunidade. Além disso, centenas de pessoas estiveram envolvidas na construção da fábrica.
• A usina vai consumir 285 mil toneladas de biomassa por ano em um raio de 45 quilômetros da fábrica.
• A unidade vai gastar cerca de US$ 20 milhões com a compra de biomassa anualmente dos agricultores da área, proporcionando renda adicional aos agricultores.
• A usina produzirá até 25 milhões de litros de bio-etanol celulósico por ano.
Com texto adicional do Valor Econômico