Milho

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[Opinião] Exportações de milho dos Estados Unidos se animam com retorno da China


Reuters - Publicado: 17 Mar 2023 - 07:54

Por Karen Braun*

As perspectivas de exportação de grãos e oleaginosas dos Estados Unidos tinham começado a piorar nas últimas semanas com a queda nas vendas, mas as pesadas compras de milho pela China e até mesmo alguns negócios de soja de safra antiga rejuvenesceram um pouco o mercado norte-americano.

O Departamento de Agricultura dos EUA (USDA, na sigla em inglês) fez na quinta-feira, 16, seu terceiro anúncio consecutivo de vendas de milho da safra antiga dos EUA para a China, totalizando 1,92 milhão de toneladas em três dias. As vendas de milho para a China não disparavam em dias consecutivos desde maio de 2021, e o último negócio com cereal para a China antes desta semana havia sido em agosto.

As vendas mais recentes elevam as encomendas chinesas de milho dos EUA em 2022/23 para pelo menos 6,5 milhões de toneladas até quinta-feira, uma queda de quase 50% em relação à mesma semana do ano anterior. A China espera que suas importações de 2022/23 sejam de 18 milhões de toneladas, ante quase 22 milhões no ano anterior.

A análise dos números mostra que pode haver espaço para ainda mais negócios de milho da safra antiga dos EUA para a China, mas o resultado dependerá fortemente da próxima safra do Brasil e do futuro dos embarques da Ucrânia.

O Brasil encerrou os embarques de milho para a China por enquanto, tendo exportado 2,2 milhões de toneladas entre novembro e fevereiro, incluindo apenas uma carga em fevereiro. Entre outubro e fevereiro, a Ucrânia embarcou 3,3 milhões de toneladas de milho para a China, ante 4,25 milhões no mesmo período do ano anterior, segundo dados da Refinitiv.

A China permaneceu em silêncio sobre o conflito Rússia-Ucrânia, mas ofereceu palavras de apoio na quinta-feira para a extensão do acordo de grãos do Mar Negro, possivelmente um reconhecimento indireto da importância da Ucrânia nas importações de grãos da China.

A China está apostando em uma grande safra brasileira, tendo comprado pelo menos 1,5 milhão de toneladas para embarques a partir de julho. Isso dá à China uma opção de importação no quarto trimestre que não teve no ano passado, talvez diminuindo as necessidades de milho dos EUA, desde que a colheita do Brasil seja bem-sucedida e que os agricultores façam as vendas necessárias.

* Karen Braun é analista de mercado da Reuters


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