Milho

Milho

Exportação de milho do Brasil cairá em dezembro, mas 2023 terá recordes, diz Anec


Reuters - Publicado: 07 Dez 2023 - 07:45

A exportação de milho do Brasil em dezembro foi estimada nesta quarta-feira, 6, em 6,86 milhões de toneladas, redução de quase 6% ante o mesmo mês em 2022. A retração ocorreu apesar de o país contar com a oferta de uma safra recorde e a demanda adicional da China em 2023, estimou a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec).

A queda esperada para os volumes de milho em dezembro acontece após uma baixa nos rios amazônicos devido à seca nos últimos meses do ano, o que levou exportadores a transferirem cargas para o porto de Santos, em alguns casos.

Os canais portuários do Norte têm sido importantes nos últimos anos para o país escoar a produção de grãos brasileira no segundo semestre, quando o Brasil exporta maiores volumes conjugados de soja e milho.

Mas, em 2023, uma seca mais acentuada na Amazônia gerou transtornos, reduzindo o volume transportado pelas barcaças no rio Tapajos. Na visão da associação, estas dificuldades não interferiram nas projeções de recordes de exportações no ano.

“É possível que tenha ocorrido algum contratempo pontual de um ou outro exportador. Todavia, é importante destacar que não é possível quantificar esse problema e que os totais estimados para as exportações de soja e milho foram crescentes ao longo do ano, sem ter tido redução quando a seca afetou alguns dos rios do Norte”, disse o diretor-geral da Anec, Sérgio Mendes, ao ser questionado se o volume poderia ter sido maior, não fosse a seca.

Ele destacou que, pela primeira vez, foi batido um recorde simultâneo para os embarques de soja e milho, em meio a uma safra recorde. “A previsão é que a gente feche este ano ultrapassando os recordes anteriores destes grãos em 25 milhões de toneladas, sendo 14 milhões de toneladas a mais para soja e 11 milhões de toneladas a mais para o milho”, pontuou.

A Anec projetou que o Brasil poderá fechar o ano com embarques recordes de cerca de 56 milhões de toneladas de milho em 2023, ante 44,7 milhões de toneladas em todo o ano passado, com impulso da demanda da China e de uma safra recorde.

“A China se destaca como um grande mercado este ano, sendo responsável por 31% do volume total de janeiro a novembro, o que representa cerca de 15,4 milhões de toneladas”, disse a Anec.

O país asiático começou a comprar milho do Brasil em volumes relevantes ao final do ano passado, após a assinatura de um acordo.

Roberto Samora
Com reportagem de Gabriel Araujo e Ana Mano