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Exportação de eletricidade cresce, mas apenas 16% das usinas de cana vendem por leilões

bioeletricidade 030815Sucroenergéticas de olho no mercado spot fazem crescer investimentos em cogeração. Usinas de cana exportaram mais eletricidade em 2015 – mesmo com preços em queda.

NovaCana 5 min de leitura

Das 376 usinas de cana-de-açúcar em atividade no Brasil em 2015, 40% exportaram energia ao longo do ano passado para o Sistema Interligado Nacional (SIN). A participação da bioeletricidade na geração nacional foi de 4,1%, um crescimento sobre os 3,9% atingidos em 2014 (3,9%). Esse crescimento da bioeletricidade foi puxado pelas usinas sucroenergéticas, que tiveram um crescimento maior e injetaram 18,5% mais eletricidade no sistema, alcançando 2,5 GWméd.

Embora esses números tenham crescido ao longo dos anos, apenas 16% das usinas que comercializaram energia em 2015 tinham contratos obtidos por meio de leilões.

A partir dos resultados da eletricidade de cana-de-açúcar em 2015, leia também sobre:

- Dados da comercialização de energia por meio de leilões
- Flutuações do Preço de Liquidação das Diferenças (PLD)
- Investimentos em cogeração com financimanto do BNDES
- Participação da bioeletricidade para redução da emissão de gases de efeito estufa

Das 376 usinas de cana-de-açúcar em atividade no Brasil em 2015, 40% exportaram energia ao longo do ano passado para o Sistema Interligado Nacional (SIN). De acordo com o Ministério de Minas e Energia (MME), a participação da bioeletricidade na geração nacional foi de 4,1%, um patamar similar ao de 2014 (3,9%). Esse crescimento da bioeletricidade foi puxado pelas usinas sucroenergéticas, que tiveram um crescimento maior e injetaram 18,5% mais eletricidade no sistema, alcançando 2,5 GWméd.

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Por mais que esses números tenham crescido ao longo dos anos, apenas 16% das usinas que comercializaram energia em 2015 tinham contratos obtidos por meio de leilões. O restante das usinas negociou energia no mercado spot. No total, as empresas sucroenergéticas possuíam contratos da ordem de 1.400 MWméd e, desse número, apenas 120 MWméd foram referentes a leilões A-3 e A-5 (negociados três e cinco anos antes, respectivamente). Ou seja, apenas 8,6% da energia comercializada foi vendida por meio de leilões. O gráfico abaixo mostra que a energia injetada aumentou em2015 enquanto o total entregue por modalidade permaneceu quase inalterado.

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Preços pagos

“Dada a diminuição da geração das hidrelétricas, em decorrência do estresse hídrico enfrentado nos últimos anos, houve uma maior participação das térmicas no atendimento da carga, impulsionada pelo preço pago pela eletricidade, o Preço de Liquidação das Diferenças (PLD)”, justifica a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) em relatório divulgado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE).

No entanto, o PLD sofreu grandes flutuações nos últimos dois anos. Em fevereiro de 2014, o preço atingiu o extremo de R$ 822,83 por MWh. Essa alta foi drasticamente afetada quando, em 2015, ocorreu uma redução do preço-teto, que passou a ser de R$ 388,48 /MWh. Em dezembro desse mesmo ano, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) definiu o novo patamar de R$ 422,56/MWh, que foi validado para 2016.

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De acordo com a EPE, esse novo teto é superior ao preço médio observado nos leilões de energia realizados em 2014 e 2015 para as usinas de biomassa, que ficou em R$ 228/MWh. Ou seja, teoricamente permanece a vantagem da venda spot sobre os leilões, mas esse é um fator sujeito a flutuações de mercado. “A sazonalidade da safra da cana-de-açúcar proporcionou um extremo de geração em agosto, mês em que foi registrado o segundo menor preço do ano (R$ 150/MWh)”, pondera a EPE.

Cogeração continua a atrair investimentos das usinas

Ainda segundo o relatório divulgado, a eletricidade de biomassa de cana-de-açúcar recebeu R$ 216 milhões por meio de linhas de financiamento do BNDES direcionadas à troca de equipamentos para melhoria da eficiência. Esse valor seria correspondente a 8% do total financiado pelo banco para o setor sucroenergético e, além disso, seria 90% superior ao registrado em 2014, representando o primeiro aumento observado nos investimentos desde 2011.

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“As unidades continuaram seu movimento de eficientização, com a troca de caldeiras antigas por outras de maior pressão de operação”, afirma a EPE, que complementa: “Contribuíram para esta trajetória os incentivos federais, a exemplo de linhas de financiamento do BNDES para eficientização do parque gerador, e dos movimentos de fusão ocorridos no setor”.

Contudo, vale observar que o montante ainda é inferior ao registrado em 2010, um ano-chave para a compreensão do atual padrão de endividamento das empresas. “Em 2010, o investimento no setor sucroenergético atingiu o ápice histórico com a cifra de R$ 7,5 bilhões. Foi observada uma retração de 60% nos investimentos para este segmento: em 2014 o montante total foi de R$ 6,8 bilhões e de R$2,7 bilhões em 2015”, conforme informações do BNDES citadas no relatório.

Eletricidade de biomassa reduz emissões de CO2

O crescimento da participação da bioleletricidade na matriz energética nacional também interessa para as metas governamentais relacionadas a reduções nas emissões de carbono, calculadas em toneladas de CO2 por MWh gerado (tCO2/MWh).

De acordo com dados do Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT), as emissões aumentaram nos últimos anos em virtude de uma maior participação de térmicas de diversas fontes de combustíveis na geração de eletricidade. “Em 2015, contudo, este fator de emissão sofreu uma leve queda, passando de 0,135 tCO2/MWh para 0,124 tCO2/MWh”,

E essa mudança pode ter sido causada justamente pela participação da biomassa de cana, uma vez que as emissões evitadas pelo uso da bioeletricidade também são crescentes. “Considerando o incremento da energia exportada pelas unidades sucroenergéticas, a quantidade das emissões evitadas em 2015 foi de 2.700 toneladas de CO2”, aponta o relatório. Esse número é 6% superior ao de 2014 (2.500 tCO2).

Renata Bossle – NovaCana

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