Revertendo o cenário visto durante praticamente todo o ano, as exportações brasileiras de açúcar tiveram um aumento no volume em outubro no comparativo com um ano antes. No período, conforme a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), 4,2 milhões de toneladas do adoçante foram destinadas a outros países, alta de 12,8% em relação a outubro de 2024. Na comparação com setembro, o acréscimo chegou a 29,6%.
Os dados detalhados de exportações foram divulgados pela secretaria do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) na última sexta-feira, 7.
Ainda assim, o preço do açúcar apresentou novas quedas em outubro, de acordo com os números da Secex. O produto foi negociado a US$ 396,84 por tonelada, retração de 0,5% no mês, e de 16,5% no ano. Desta forma, a receita mensal chegou a US$ 1,67 bilhão, 5,8% abaixo dos US$ 1,77 bilhão arrecadados no mesmo período do ano passado.
Do total exportado em outubro, 3,61 milhões de toneladas foram de açúcar bruto, alta de 6,8% na comparação com 2024. Neste caso, o preço médio foi de US$ 388,69/t (-17,2%), o que resultou em uma receita de US$ 1,4 bilhão (-11,6%).
As 596,24 mil toneladas restantes foram do produto refinado, acréscimo anual de 70,8%. Neste caso, o preço médio ficou em US$ 446,14/t (-16%), gerando um faturamento de US$ 266 milhões (+43,5%).
No mês, os principais destinos do açúcar brasileiro foram: China (619,35 mil toneladas); Índia (375,22 mil t); Indonésia (325,47 mil t); Canadá (273,1 mil t); e Bangladesh (216,82 mil t).
No acumulado de 2025, o Brasil exportou 27,61 milhões de toneladas de açúcar, 13,8% abaixo do volume visto entre janeiro e outubro de 2024. Já o preço médio passou por uma retração de 12,4%, para US$ 427,70/t, totalizando uma receita de US$ 11,81 bilhões (-24,4%).
No acumulado de 2025, o Brasil exportou 23,42 milhões de toneladas de açúcar, 17,2% abaixo do volume visto entre janeiro e setembro de 2024. Já o preço médio passou por uma retração de 11,4%, para US$ 433,80/t, totalizando uma receita de US$ 10,16 bilhões (-26,7%).


Desde o início da taxação de 50% imposta pelos Estados Unidos para importações de produtos brasileiros, as negociações entre os dois países apresentaram quedas. Segundo o MDIC, houve retração nos últimos três meses: de 16,5% em agosto, de 20,3% em setembro, e de 37,9% em outubro.
A Datagro calculou que a tarifa geraria um custo extra de, aproximadamente, US$ 27,9 milhões por ano apenas para as exportações brasileiras do adoçante feitas pela cota tarifária. A consultoria considerou um volume de 150 mil toneladas vendidas a US$ 371 por tonelada e somadas à tarifa de 50%.
No final de outubro, o país norte-americano definiu a cota preferencial brasileira em 146,61 milhões de toneladas. O montante foi rateado entre 41 usinas da região Norte-Nordeste.
Apesar do receio de que a taxação pudesse tornar a produção de açúcar orgânico inviável, os efeitos em caixa foram reduzidos. A Jalles afirmou que os clientes dos Estados Unidos, principais consumidores do produto, estão pagando os preços mais altos. De acordo com a companhia, esse movimento pode trazer efeitos na inflação local.
Em outubro, os EUA adquiriram 29 milhões de toneladas de açúcar brasileiro, alta de 37,5% em relação às 21,08 mil toneladas importadas em setembro. Já na comparação anual houve uma retração de 60,2% – no mesmo período de 2024, o país norte-americano negociou 72,78 mil toneladas de açúcar com o Brasil.
O preço médio apresentou uma redução anual de 22,6%, totalizando US$ 470/t. No período anterior, o adoçante foi negociado por, em média, US$ 607/t.
A China, por sua vez, tem incrementado a sua importação de açúcar, chegando a 550 mil toneladas em setembro, alta anual de 35,8%. Em outubro, o país asiático adquiriu 619,35 mil de toneladas de açúcar brasileiro, alta de 72,7% no mês e de 57,9% no ano.
No quesito precificação, a China negociou o adoçante por, em média, US$ 389/t em outubro. O valor representa uma queda anual de 16,7%. No mesmo mês de 2024, o produto foi vendido por cerca de US$ 467/t.
Giully Regina – NovaCana
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