NovaCana

Exportação de açúcar por contêiner: As 50 maiores empresas e resumo do 1º tri de 2018

Apesar da queda nas exportações de açúcar, modalidade gerou interesse nos três primeiros meses do ano

NovaCana 9 min de leitura

Mesmo disputando a posição de maior produtor mundial de açúcar com a Índia, o Brasil se mantém como o maior exportador da commodity em nível global. O transporte do adoçante brasileiro é feito de duas formas: a granel, que é mais comum, quando ele é processado apenas no país de destino; ou por contêiner, em que o produto já vai refinado, em uma transação de maior valor agregado.

Considerando que nem todos os compradores do açúcar brasileiro possuem a estrutura industrial necessária para refiná-lo, ou tampouco demandam uma grande quantidade que precise ser levada a granel, o transporte por meio de contêineres, apesar de proporcionalmente pequeno, tem importante participação no mercado, pois atende a compradores específicos.

Em 2017, essa modalidade de exportação foi responsável por 10,3% das 28,7 milhões de toneladas de açúcar que saíram do Brasil, de acordo com os números da agência marítima Williams Brazil e do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC). Já em 2016, ela representou 9,8% das 28,9 milhões de toneladas exportadas.

No primeiro trimestre de 2018, de todo o açúcar conteinerizado que saiu do Brasil, 18% foi exportado por uma mesma empresa, que mantém a posição já vista em anos anteriores. Além disso, o volume total comercializado no exterior pelas dez principais companhias até março deste ano aumentou em 22%.

conteiner 50mais 11.05 BL

Confira na reportagem completa:

- Dados e comparativo da exportação de açúcar via contêiner nos primeiros meses do ano
- Ranking das 50 principais exportadoras
- Volume mensal das 10 principais exportadoras
- Principais portos de escoamento e destinos do açúcar em contêineres

Mesmo disputando a posição de maior produtor mundial de açúcar com a Índia, o Brasil se mantém como o maior exportador da commodity em nível global. O transporte do adoçante brasileiro é feito de duas formas: a granel, a mais comum, quando ele é processado apenas no país de destino; ou por contêiner, em que o produto já é vendido parcial ou totalmente refinado, em uma transação de maior valor agregado.

Considerando que nem todos os compradores do açúcar brasileiro possuem a estrutura industrial necessária para refiná-lo, ou tampouco demandam uma grande quantidade que precise ser levada a granel, o transporte por meio de contêineres, apesar de proporcionalmente pequena, tem importante participação no mercado, pois atende a compradores específicos.

Em 2017, essa modalidade de exportação foi responsável por 10,3% das 28,7 milhões de toneladas de açúcar que saíram do Brasil, de acordo com os números da agência marítima Williams Brazil e do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC). Já em 2016, ela representou 9,8% das 28,9 milhões de toneladas exportadas.

Este crescimento da participação de mercado dos contêineres ainda é esperado para 2018. Apenas no primeiro trimestre, a modalidade correspondeu a 12,35% de todo o açúcar brasileiro embarcado para o exterior, de acordo com a Williams Brazil. Essa é a maior parcela ocupada pelos contêineres registrada pela agência marítima no período de janeiro a março desde 2012, quando essa participação chegou a 14,4%.

conteiner marco 11.05 1

Por outro lado, em relação ao volume, ocorreu queda de 0,36% na quantia total exportada nos primeiros três meses deste ano em comparação com o ano passado. O montante passou de 591,12 mil toneladas em 2017 para 588,97 mil toneladas em 2018.

Essa diminuição quebra a tendência acompanhada nas últimas análises e é um reflexo da queda de 18% na exportação total de açúcar no início deste ano – seja a granel ou por contêiner –, que passou de aproximadamente 5,6 bilhões de toneladas para 4,8 bilhões conforme o MDIC. De acordo com uma pesquisa da Reuters, isso se deve a uma oferta doméstica menor e a uma demanda mais tímida relacionada ao excedente de açúcar em nível global, que vem derrubando o preço da commodity no mercado externo e tornando-a menos rentável para a indústria nacional.

Ainda assim, mesmo com a diminuição na quantia total de açúcar brasileiro exportado, a participação dos envios por contêiner tem aumentado anualmente. No período de janeiro a março, a queda na exportação por contêiner foi menos acentuada do que a da exportação a granel, que diminuiu 20% no último ano, passando de aproximadamente 5 bilhões de toneladas para 4,2 bilhões. Isso demonstra que a procura pelo produto refinado segue crescendo.

conteiner volumes 11.05 1

Análise mês a mês

Entre os três primeiros meses de 2018, foi em março que o Brasil exportou a maior quantia de açúcar, independente da modalidade. O valor, inclusive, foi maior que o de 2017: 1,59 milhão de toneladas no ano passado contra 1,76 milhão de toneladas neste ano. Apenas considerando os envios por contêineres, o montante exportado em março foi o maior do trimestre, com 207 mil toneladas.

No entanto, é a participação dos contêineres em fevereiro deste ano que mais chama a atenção – mesmo sendo a menor em quantidade. Aproximadamente 13% do açúcar que saiu do Brasil no mês foi nesta modalidade, no melhor resultado em termos de fatia de mercado para o mês desde 2015.

conteiner tres 11.05 1

As maiores empresas exportadoras do trimestre

Das 588,97 mil toneladas de açúcar conteinerizado que saíram do Brasil no primeiro trimestre de 2018, 18% (ou 100,78 mil toneladas) foram exportadas pela Copersucar. A empresa mantém a primeira posição para o período, já vista em anos anteriores.

Em comparação com 2017, esse número representa um crescimento de 42%, fazendo a empresa voltar aos bons números de exportação, como visto em 2015 e 2016, e disparar na frente da segunda maior exportadora, a Usina Santa Fé, que exportou 60,12 mil toneladas neste trimestre.

conteiner empreses 11.05 1

Para ficar na segunda posição, já que no mesmo período de 2017 estava em quarto lugar, a Usina Santa Fé aumentou sua exportação em 29,1%, ante as 42,6 mil toneladas vistas no ano passado. Junto com ela, a Usina Alta Mogiana subiu duas posições, chegando ao terceiro lugar, e exportou 58,8 mil toneladas até março.

Já as Usinas Bela Vista e Bazan, respectivamente quinta e sexta posições no primeiro trimestre de 2018, também são destaque, pois exportaram 46,4 mil toneladas e 42,6 mil toneladas cada uma, sendo que não estavam no ranking das 50 maiores exportadoras no primeiro trimestre de 2017.

Outros destaques positivos foram a Nardini Agroindustrial, que subiu da 22ª para a 11ª posições; a USJ Açúcar e Álcool que saiu da 48ª posição e terminou março em 22º; e a Adecoagro, que estava em 82ª posição no ranking e ficou em 35ª neste trimestre.

Por outro lado, a ED&F Man caiu da 8ª para a 20ª posição entre os dois períodos, diminuindo sua exportação de açúcar conteinerizado em mais de 400%; a Sucden caiu da 14ª para a 29ª posição ao diminuir seus números em 800%.

Já a Usina Serra Grande diminuiu em 925%, enquanto a Canex Exportação diminuiu sua exportação de açúcar refinado em 725%.

conteiner 50mais 11.05 1

Mesmo com a queda na venda brasileira de açúcar conteinerizado para o exterior, na comparação entre os primeiros trimestres de 2017 e de 2018 o total exportado pelas dez principais companhias até março aumentou. Em 2017, elas tinham exportado 345,35 mil toneladas, enquanto em 2018 exportaram 445,06 mil toneladas, um aumento de 22%.

Juntas, as exportações das dez principais empresas corresponderam a 75% do mercado total de exportação por contêiner até março. Em 2017, as dez primeiras empresas corresponderam a 58%.

Em contrapartida, o número de companhias atuando nesse segmento em particular diminuiu. No primeiro trimestre de 2018, 69 empresas exportaram açúcar por esta modalidade. Já em 2017, foram 90 companhias.

Portos e destinos

O principal porto que escoa a produção de açúcar por contêineres no Brasil é o de Santos (SP). Em relação aos primeiros trimestres dos últimos anos, ele se reafirmou nesta posição e viu seus números crescerem, passando de 544 mil toneladas em 2017 para 560 mil toneladas em 2018, um aumento de 2,92%.

Mas o destaque deste primeiro trimestre fica com o Porto de Paranaguá (PR), que teve um crescimento de 48,49% entre os dois últimos anos, ao mesmo tempo em que o Porto de Suape (PE) teve uma queda de 94,41%, tendo exportado apenas 1,38 mil toneladas nestes meses.

No primeiro trimestre de 2017, nove empresas embarcaram açúcar conteinerizado por Suape. Já neste ano, foram apenas duas – a Usina Ipojuca e a Japungu Agroindustrial. A Usina Serra Grande, por exemplo, foi a que mais exportou por Suape no primeiro trimestre de 2017, mas, neste ano, sua produção foi escoada pelos portos de Santos e Itajaí, e em quantidades bem menores. Com a mudança nas participações das empresas no mercado de contêineres e a diminuição nos valores, ocorreu essa diminuição expressiva nos números do porto pernambucano.

conteiner portos 11.05 1

Já em relação aos continentes que são destino do produto, o primeiro trimestre de 2018 seguiu a tendência observada em 2017 na qual a África passou a ser a principal importadora do açúcar conteinerizado brasileiro. A Ásia, que aparece em 4º lugar neste ano, estava em segundo em 2017 e 2015, e em primeiro lugar em 2016.

Essa reconfiguração dos compradores da commodity, conteinerizada ou não, se deve a fatores como as safras recorde no continente asiático – especialmente na Índia e na Tailândia – bem como a medidas protecionistas adotadas na região para salvaguardar os produtores de cana e as usinas locais: aumentos de até 90% nos impostos sobre o açúcar importado na China e subsídios governamentais à produção açucareira indiana estão entre as estratégias que retraíram o mercado Oriental para o açúcar que sai do Brasil via contêiner.

Já o aumento na compra do açúcar em contêiner na África pode ser atribuído à dificuldade de crescimento da produção local da commodity, uma vez que os governos africanos, de forma geral, não têm políticas econômicas de incentivo à expansão e diversificação de produtos das lavouras de cana. Outra dificuldade da indústria canavieira são os preços no mercado global, cada vez mais baixos por conta do excesso de açúcar disponível.

conteiner destinos 11.05 1

Em relação aos países, Benin foi o maior comprador até o final de março de 2018 e recebeu 129 mil toneladas do açúcar refinado brasileiro, que equivalem a 21,9% do total. Já Togo, que estava em terceiro lugar em 2017, ficou em segundo lugar e importou 74 mil toneladas nestes três meses, que equivalem a 12% do total.

Rafaella Coury – NovaCana
Com colaboração de Nicholle Murmel

Compartilhar: