Após um gigantesco projeto de ampliação, unidade dobrou capacidade de moagem, triplicou instalações de produção de etanol e aumentou em quase oito vezes potência instalada
Após um investimento estimado em mais de R$ 700 milhões, usina localizada em Goiás concluiu na última sexta-feira todas as etapas necessárias para colocar em funcionamento as novas instalações.
A unidade dobrou sua capacidade de moagem, triplicou sua capacidade de produção de etanol e ainda aumentou em quase oito vezes a potência instalada de geração de energia.
O resultado dessa expansão colocou a usina entre as três maiores do Brasil em capacidade de produção de etanol.
Confira a seguir os detalhes das ampliações, da unidade e do grupo envolvido.
Após um investimento estimado em mais de R$ 700 milhões, a britânica BP Biocombustíveis que possui três usinas de cana-de-açúcar no Brasil, concluiu a ampliação da capacidade produtiva de sua unidade situada em Edéia, Goiás.
A usina Tropical Bioenergia iniciou em 2013 a expansão da sua capacidade de produção, passando de 2,5 para 5 milhões de toneladas de cana moída por ano. Com as novas instalações, triplicou o potencial para a produção de etanol, além de aumentar em quase oito vezes a potência instalada para a geração de energia.
A unidade recebeu a autorização de operação definitiva da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) na sexta-feira (12). Anteriormente a capacidade de produção da unidade era de um milhão de litros de etanol ao dia, sendo 400 mil litros de anidro e 600 mil litros de hidratado. O novo aval da ANP revela que a capacidade atual permite produzir três milhões de litros do biocombustível por dia, o que situa a unidade como a terceira maior produtora de etanol do país.
Considerando uma safra de 154 dias úteis, a média obtida pelas usinas de Goiás desde 2008/09, a usina teria capacidade para fabricar 462 milhões de litros por safra. Este volume representa 1,6% de todo biocombustível produzido no Brasil na última safra, quando a produção alcançou 28,4 bilhões de litros.
Com a atual capacidade, a planta inverte o perfil de produção do biocombustível, anteriormente mais voltado ao hidratado, produto menos remunerador. Agora as instalações podem produzir 1,6 milhões de litros de anidro e 1,4 milhões de litros de hidratado ao dia.
Geração de energia
A cogeração da usina também passou por uma ampliação significativa. A capacidade autorizada é quase oito vezes maior que a potência original. A Tropical contava com apenas uma UTE com um único gerador de 15 MW de potência, mas já possui duas térmicas, sendo a primeira (que foi ampliada) com 80 MW e a segunda com 32 MW, totalizando uma potência de 112 MW.
Em julho a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) liberou a operação de uma unidade geradora de 40 MW na térmica que já existia e possuía apenas 15 MW, elevando assim a capacidade da UTE Tropical Bioenergia para 55 MW. Depois, também na sexta-feira, a ANELL liberou para a mesma UTE os testes de outra unidade geradora, de 40 MW, em substituição à antiga de 15 MW. Com os dois geradores novos a capacidade foi elevada para 80 MW.
Além disso, a usina já está autorizada, desde o dia 8, a implantar e explorar a segunda térmica junto à mesma usina canavieira. Chamada de UTE Tropical Bioenergia II, ela terá um gerador de 32 MW de potência instalada, sendo 24 MW de potência líquida. Enquadrada como produtora independente de energia, toda a geração da nova UTE será voltada à venda externa de eletricidade.
R$ 716 milhões na ampliação
Quando o investimento de expansão foi oficializado no final de 2012 com o governo de Goiás, o braço de biocombustíveis da companhia britânica afirmou que iria aportar R$ 716 milhões na unidade em Edéia. Procurada pelo portal NovaCana na sexta-feira, até o momento, a BP não comentou o investimento.
A BP adquiriu o controle total da Tropical em 2011, com a compra de 50% que eram então detidos pela Maeda Agroindustrial (25%) e LDC-SEV Bioenergia (25%, atual Biosev). Na época, a companhia já anunciou os planos de duplicar a capacidade de moagem usina.
A unidade também fabrica açúcar, mas não foram obtidas informações sobre a capacidade de produção da commodity.
Amanda SchArr – NovaCana