Até a crise se instalar o setor sucroenergético viveu o seu momento de grande expansão. Um dos maiores impactos aconteceu na busca por terras para o plantio de canaSe hoje o setor sucroenergético passa por momento de concentração econômica, durante o período da expansão canavieira o acúmulo foi de terras para o cultivo da cana-de-açúcar. Mas a concentração fundiária não se deu exclusivamente por meio da compra de terras.
Confira a seguir os destaques de uma análise sobre como aconteceu a expansão canavieira no Brasil em relação ao mercado fundiário. E também:
- A estratégia das usinas para evitar disputa por cana
- As consequências das ações das usinas para evitar esta competição por cana
- Como as consequências tentaram ser minimizadas
- A tendência para o uso das terras pelo setor sucroalcooleiro
Se hoje o setor sucroenergético passa por momento de concentração econômica, durante o período da expansão canavieira o acúmulo foi de terras para o cultivo da cana-de-açúcar. A análise é do professor Instituto de Economia da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) Bruno Benzaquen Perosa e foi publicada na revista Agroanalysis, em artigo intitulado "Impactos da Expansão Canavieira".
Segundo Perosa, a concentração fundiária não se deu exclusivamente por meio da compra de terras: outra estratégia adotada pelos donos de usinas foi o arrendamento de lotes de pequenos e médios produtores. Dessa forma, os produtores evitavam a competição por cana produzida por terceiros, que poderia acontecer tanto nas regiões consideradas tradicionais para o setor, devido ao grande número de usinas em uma mesma área, e nas "novas fronteiras" da cana, onde a cultura passou a disputar espaço com outros cultivos.
Minimizando a competição por matéria-prima, os usineiros evitaram também o aumento do preço da cana, o que elevaria os custos de produção; a diminuição do "poder de barganha" com fornecedores e o risco de desabastecimento. A contrapartida, contudo, foi o aumento do preço da terra, além de consequências da concentração fundiária historicamente conhecidas, como tendência para monocultura, o que fez com que alguns municípios se tornassem bastante dependentes, no âmbito econômico, do cultivo da cana e muito mais suscetíveis à atual crise; e o êxodo rural.
Percebendo as desvantagens que a tática adotada durante a expansão poderia ter, algumas regiões tomaram medidas para limitar a concentração de terras. O exemplo citado pelo professor da UFU foi de Minas Gerais, que outorgou o decreto-lei nº 45.041 de 12 de fevereiro de 2009, o qual dispõe sobre a instalação de unidades produtoras de açúcar e etanol no estado e determina, entre outras coisas, que pelo menos 30% da cana utilizada por cada usina seja oriunda de produtores independentes.
Ainda assim, a tendência de concentração fundiária persiste e esta deve continuar sendo uma característica do setor no futuro. A diferença, conforme apresentado por representantes da indústria canavieira, é que o setor deve investir em especialização, o que significa que a produção da cana em si, onerosa para as usinas, deve passar para a mão dos fornecedores.
No que diz respeito à geração de empregos, que inicialmente era alta, mas acabou diminuindo com o processo de mecanização do setor, Perosa diz que a lógica de produção da cana é semelhante à de outras commodities, não podendo a indústria canavieira ser considerada a única culpada pelo menor número de postos de trabalho no campo, mas que é preciso definir estratégias para minimizar a menor absorção de mão-de-obra.
Vivian Faria – NovaCana
Confira a seguir os destaques de uma análise sobre como aconteceu a expansão canavieira no Brasil em relação ao mercado fundiário. E também:
- A estratégia das usinas para evitar disputa por cana
- As consequências das ações das usinas para evitar esta competição por cana
- Como as consequências tentaram ser minimizadas
- A tendência para o uso das terras pelo setor sucroalcooleiro
Se hoje o setor sucroenergético passa por momento de concentração econômica, durante o período da expansão canavieira o acúmulo foi de terras para o cultivo da cana-de-açúcar. A análise é do professor Instituto de Economia da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) Bruno Benzaquen Perosa e foi publicada na revista Agroanalysis, em artigo intitulado "Impactos da Expansão Canavieira".
Segundo Perosa, a concentração fundiária não se deu exclusivamente por meio da compra de terras: outra estratégia adotada pelos donos de usinas foi o arrendamento de lotes de pequenos e médios produtores. Dessa forma, os produtores evitavam a competição por cana produzida por terceiros, que poderia acontecer tanto nas regiões consideradas tradicionais para o setor, devido ao grande número de usinas em uma mesma área, e nas "novas fronteiras" da cana, onde a cultura passou a disputar espaço com outros cultivos.
Minimizando a competição por matéria-prima, os usineiros evitaram também o aumento do preço da cana, o que elevaria os custos de produção; a diminuição do "poder de barganha" com fornecedores e o risco de desabastecimento. A contrapartida, contudo, foi o aumento do preço da terra, além de consequências da concentração fundiária historicamente conhecidas, como tendência para monocultura, o que fez com que alguns municípios se tornassem bastante dependentes, no âmbito econômico, do cultivo da cana e muito mais suscetíveis à atual crise; e o êxodo rural.
Percebendo as desvantagens que a tática adotada durante a expansão poderia ter, algumas regiões tomaram medidas para limitar a concentração de terras. O exemplo citado pelo professor da UFU foi de Minas Gerais, que outorgou o decreto-lei nº 45.041 de 12 de fevereiro de 2009, o qual dispõe sobre a instalação de unidades produtoras de açúcar e etanol no estado e determina, entre outras coisas, que pelo menos 30% da cana utilizada por cada usina seja oriunda de produtores independentes.
Ainda assim, a tendência de concentração fundiária persiste e esta deve continuar sendo uma característica do setor no futuro. A diferença, conforme apresentado por representantes da indústria canavieira, é que o setor deve investir em especialização, o que significa que a produção da cana em si, onerosa para as usinas, deve passar para a mão dos fornecedores.
Outras consequências da expansão
Em seu artigo, Perosa trata também da questão de segurança alimentar e de empregos, também relacionadas à expansão canavieira. No caso da segurança alimentar, o professor explica que a mudança do uso da terra para o cultivo de cana foi acompanhada e compensada por um aumento de produtividade de outras culturas (exceto no caso da pecuária leiteira), mas que é necessário garantir que setores do meio rural ligados à alimentação "não sejam economicamente forçados a abandonar suas atividades", principalmente em regiões caracterizadas pela agricultura familiar.No que diz respeito à geração de empregos, que inicialmente era alta, mas acabou diminuindo com o processo de mecanização do setor, Perosa diz que a lógica de produção da cana é semelhante à de outras commodities, não podendo a indústria canavieira ser considerada a única culpada pelo menor número de postos de trabalho no campo, mas que é preciso definir estratégias para minimizar a menor absorção de mão-de-obra.
Vivian Faria – NovaCana