Redução no comparativo com o mesmo período do ano passado se deve principalmente ao impacto cambial negativo
No primeiro trimestre da safra 2020/21 – quando os impactos do coronavírus atingiram em cheio o setor sucroenergético –, o grupo Zilor registrou uma moagem de 4 milhões de toneladas, 3,86% a mais que as 3,8 milhões processadas em igual período de 2019/20. Segundo a companhia, na temporada atual, a produtividade dos canaviais teve uma melhoria de 2%, passando de 87 toneladas de cana por hectare para 89 t/ha.
No lado financeiro, o Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da Zilor aumentou 5,4% na comparação anual, passando de R$ 250,8 milhões para R$ 264,2 milhões. Já o Ebitda ajustado teve uma ampliação de 34,4%, atingindo R$ 214,4 milhões, e a margem Ebitda ajustado ampliou de 34,5% para 40%.
Além disso, a companhia teve um lucro líquido de R$ 5,2 milhões, o que significa uma retração de 87,3% ante os R$ 40,7 milhões contabilizados no mesmo período do ano passado.
Ainda que o resultado mais recente tenha sido impactado pela pandemia de covid-19, os executivos da companhia ressaltam, em entrevista ao NovaCana, que a Biorigin – empresa do grupo que produz ingredientes naturais para alimentação humana – foi bastante afetada no ano passado, como consequência da gripe suína africana.
De acordo com a empresa, a alavancagem da Zilor ao final de junho – medida pela dívida líquida em relação ao Ebitda ajustado – manteve-se praticamente igual a março deste ano, com 3,1 vezes. Por outro lado, houve redução significativa quando comparada com junho de 2019, quando o indicador era de 5,1 vezes.
Ao mesmo tempo, os investimentos da empresa caíram 8,1% no período, conforme relatado, por conta das incertezas trazidas pela pandemia de coronavírus, levando-a a manter uma política de caixa “mais conservadora” e postergando alguns investimentos.
“Importante ressaltar que, apesar da redução total nos investimentos no trimestre, houve aumento em plantio de cana e tratos culturais, mantendo a estratégia de incremento nos investimentos em ativo biológico para ganho de produtividade”, completa a companhia.
Quanto à produção, o grupo fabricou 3,78 milhões de toneladas de açúcar no primeiro trimestre de 2020/21, uma ampliação de 43,5% em relação ao ciclo anterior. A produção de etanol foi de 180,06 mil litros, uma retração de 1,92% ante os 183,57 mil litros do mesmo comparativo – assim, o mix para o biocombustível caiu de 64% para 56%. Por sua vez, a energia exportada passou de 154 mil MW/h para 176 mil MW/h, um incremento de 13,9%.
Já a fabricação dos produtos da unidade de negócios Biorigin sofreu uma retração de 5,7%, passando de 10,6 mil para 10 mil toneladas.
Em volume, as vendas de açúcar tiveram um aumento de 10% e as de etanol caíram 11%, enquanto os produtos da Biorigin tiveram um incremento de 48%. Já em relação aos preços, o do etanol caiu de R$ 1,77 por litro para R$ 1,51/l (-14,7%) e o do açúcar aumentou de R$ 1.094 por tonelada para R$ 1.302/t (+19%).
Mais detalhes operacionais, estratégicos e de perspectiva da Zilor foram dados pelos executivos da empresa em entrevista exclusiva ao NovaCana: o diretor presidente da Zilor, Fabiano Zillo; o diretor presidente da Biorigin, Emerson Vasconcelos; o diretor agroindustrial da Zilor, Luiz Scartezini; e o gerente financeiro e de RI, Fernando Leal.
Também acompanharam o membro do conselho da Zilor Maurício da Barrosa e o gerente de pessoas, comunicação e segurança empresarial, Nabor Nogueira.
Confira a entrevista na versão completa (disponível apenas para assinantes).
No primeiro trimestre da safra 2020/21 – quando os impactos do coronavírus atingiram em cheio o setor sucroenergético –, o grupo Zilor registrou uma moagem de 4 milhões de toneladas, 3,86% a mais que as 3,8 milhões processadas em igual período de 2019/20. Segundo a companhia, na temporada atual, a produtividade dos canaviais teve uma melhoria de 2%, passando de 87 toneladas de cana por hectare para 89 t/ha.
No lado financeiro, o Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da Zilor aumentou 5,4% na comparação anual, passando de R$ 250,8 milhões para R$ 264,2 milhões. Já o Ebitda ajustado teve uma ampliação de 34,4%, atingindo R$ 214,4 milhões, e a margem Ebitda ajustado ampliou de 34,5% para 40%.
Além disso, a companhia teve um lucro líquido de R$ 5,2 milhões, o que significa uma retração de 87,3% ante os R$ 40,7 milhões contabilizados no mesmo período do ano passado.
Ainda que o resultado mais recente tenha sido impactado pela pandemia de covid-19, os executivos da companhia ressaltam, em entrevista ao NovaCana, que a Biorigin – empresa do grupo que produz ingredientes naturais para alimentação humana – foi bastante afetada no ano passado, como consequência da gripe suína africana.
De acordo com a empresa, a alavancagem da Zilor ao final de junho – medida pela dívida líquida em relação ao Ebitda ajustado – manteve-se praticamente igual a março deste ano, com 3,1 vezes. Por outro lado, houve redução significativa quando comparada com junho de 2019, quando o indicador era de 5,1 vezes.
Ao mesmo tempo, os investimentos da empresa caíram 8,1% no período, conforme relatado, por conta das incertezas trazidas pela pandemia de coronavírus, levando-a a manter uma política de caixa “mais conservadora” e postergando alguns investimentos.
“Importante ressaltar que, apesar da redução total nos investimentos no trimestre, houve aumento em plantio de cana e tratos culturais, mantendo a estratégia de incremento nos investimentos em ativo biológico para ganho de produtividade”, completa a companhia.
Quanto à produção, o grupo fabricou 3,78 milhões de toneladas de açúcar no primeiro trimestre de 2020/21, uma ampliação de 43,5% em relação ao ciclo anterior. A produção de etanol foi de 180,06 mil litros, uma retração de 1,92% ante os 183,57 mil litros do mesmo comparativo – assim, o mix para o biocombustível caiu de 64% para 56%. Por sua vez, a energia exportada passou de 154 mil MW/h para 176 mil MW/h, um incremento de 13,9%.
Já a fabricação dos produtos da unidade de negócios Biorigin sofreu uma retração de 5,7%, passando de 10,6 mil para 10 mil toneladas.
Em volume, as vendas de açúcar tiveram um aumento de 10% e as de etanol caíram 11%, enquanto os produtos da Biorigin tiveram um incremento de 48%. Já em relação aos preços, o do etanol caiu de R$ 1,77 por litro para R$ 1,51/l (-14,7%) e o do açúcar aumentou de R$ 1.094 por tonelada para R$ 1.302/t (+19%).
Mais detalhes operacionais, estratégicos e de perspectiva da Zilor foram dados pelos executivos da empresa em entrevista exclusiva ao NovaCana: o diretor presidente da Zilor, Fabiano Zillo; o diretor presidente da Biorigin, Emerson Vasconcelos; o diretor agroindustrial da Zilor, Luiz Scartezini; e o gerente financeiro e de RI, Fernando Leal.
Também acompanharam o membro do conselho da Zilor Maurício da Barrosa e o gerente de pessoas, comunicação e segurança empresarial, Nabor Nogueira.
A Zilor teve um aumento de 40,1% no volume de cana própria no primeiro trimestre de 2020/21, passando de 766 mil para 1,07 milhões de toneladas e chegando a 26,8% do total moído. O que levou a este aumento?
Luiz Scartezini: Recentemente, nós alternamos algumas práticas agrícolas visando uma maior produtividade, começando no plantio e indo até os tratos culturais. No plantio, começamos alterando as variedades – estamos apostando em algumas mais novas, modernas, com alto perfilho, com bastante população na linha. Também investimos em mudas pré-brotadas (MPB) e estamos migrando a modalidade de plantio para meiosi, pois entendemos que, além da receita que a soja nos traz, ela também tem um benefício muito grande na questão de solo, obviamente refazendo todo o pacote de nutrição, ao qual também demos um peso diferenciado. Isso fez com que a nossa produtividade aumentasse significativamente este ano, mesmo em uma condição de seca drástica que nós tivemos na região de Quatá. Também estamos com um protocolo bastante disciplinado em relação ao controle de pragas.
“Além de aumentar a produtividade, um segundo desafio é não perder isso depois. Estamos otimistas com a estratégia, tendo em vista o crescimento anual médio de 10% de produtividade nos últimos dois anos”, Luiz Scartezini
Há intenção futura de virar este mix, para que a maior parte da moagem seja de cana própria?
Luiz Scartezini: Não. A nossa estratégia é continuar apoiando a nossa parceria agrícola. Acreditamos em nosso modelo de produção junto com os parceiros agrícolas e nós só aumentaríamos o nosso percentual do que viesse de produtividade. Não temos como estratégia mudar o nosso mix.
Fabiano Zillo: No ano passado, houve um impacto que causou o aumento da cana de terceiros: tivemos uma oportunidade na região de Quatá, de usinas que não estavam processando cana e pudemos processar cana spot. Logicamente, essa oportunidade é uma janela e foi por isso que houve uma redução agora. O aumento da cana própria veio de mais produtividade, eficiência e rendimento. Já a parceria com terceiros cumpre o papel de hedge natural que, em um momento de crise, dá uma margem que fica “hedgeada”. Isso é importante na cana de terceiros, pois todos absorvem os problemas na cadeia e isso torna o negócio mais resiliente à crise.
“Empresas que não conseguiram aumentar a sua produtividade agrícola passaram a ter fortes problemas nos resultados, então a nossa meta é produzir muito mais ocupando menos espaço”, Luiz Scartezini
Como as perspectivas para a safra mudaram desde o início da temporada?
Fabiano Zillo: Esta safra foi uma prova de adaptabilidade do setor. Se pegarmos o histórico de fevereiro, estávamos com uma perspectiva altamente alcooleira, com a demanda voltada para o etanol e, no início da pandemia, no mês de março, praticamente todo o setor virou o mix rapidamente para o açúcar. No início da safra, a grande dúvida era a demanda, quais seriam os principais bloqueios de consumo e como poderíamos equilibrar isso, dado que a nossa produção é feita em, aproximadamente, oito meses e a comercialização é em doze. Necessariamente, precisamos ter estoque, o setor todo opera assim, pois a sazonalidade é natural da operação. Tínhamos dúvidas se essa queda de consumo afetaria as operações.
De que forma a Zilor está lidando com essas mudanças?
Fabiano Zillo: Tivemos a oportunidade da exportação de açúcar, que está bastante forte e fluindo. Estamos com um recorde de importação dos países do continente asiático, como a China, que estão repondo fortemente os estoques. Mas a redução de demanda no mercado interno de açúcar ainda continua em função de lockdown de bares e restaurantes. O consumo de refrigerantes está menor do que no ano anterior, mas a exportação está fluindo.
Pode falar um pouco também sobre o impacto da pandemia no mercado de etanol e como isso influenciou a produção?
Fabiano Zillo: Em um primeiro momento, o etanol e a gasolina tiveram uma queda abrupta de consumo. Em fevereiro, estávamos muito otimistas e, em março, vimos a situação bastante crítica, tanto que tiveram várias incursões do governo no sentido de algum apoio, mas nenhum foi dado. Mas o cenário vem melhorando. Inicialmente, não se sabia por quanto tempo o lockdown duraria, então, iniciou-se com uma perspectiva de queda do Ciclo Otto de 20%; tiveram correções para 15% e hoje se fala na faixa de 10%, praticamente compensando. O setor migrou fortemente para o mix açucareiro e este volume de etanol acabou sendo absorvido. Estamos conseguindo escoar essa produção no mercado externo. Na verdade, a produção continua boa, o volume de cana que se estimava de 595 milhões de toneladas está muito firme ainda e não tem nenhuma tendência de redução desse volume.
Seguindo uma estratégia de mercado, a Zilor já maximizou a produção de açúcar para captura de melhores preços. Quais são as expectativas para o mix daqui em diante?
Luiz Scartezini: Nós fizemos uma entressafra que imaginávamos que seria alcooleira e, em março, mudou a chave. Para nossa surpresa, essa mudança de safra é muito positiva, produzimos 36% a mais de açúcar, o que dá oito pontos percentuais no mix e imaginamos conseguir manter esse bom desempenho até o final da safra.
Fabiano Zillo: O ano passado foi um ano alcooleiro e o açúcar efetivamente começou a demonstrar uma reação na primeira quinzena de dezembro acompanhado por uma pequena desvalorização cambial. Viemos acompanhando fortemente. Fazemos as fixações de preço hedge da nossa parte, que é exposta a custo fixo com custos de cana própria, e o hedge natural, que é usar a cana de parceiros. Efetivamente, nós não alteramos nenhuma fixação dada pelo Consecana.
Ao final do trimestre, as fixações de açúcar da Zilor para a safra 2020/21 totalizavam 264,1 mil toneladas ao preço médio de 13,02 centavos de dólar por libra-peso ou aproximadamente R$ 1.281 por tonelada. Já para a safra 2021/22, as fixações somavam 188 mil toneladas ao preço médio de R$ 1.386/t. Vocês podem comentar esse cenário?
Fabiano Zillo: Em janeiro, houve um pico. O açúcar chegou a bater R$ 70 [a saca] e conseguimos avançar bem nas fixações. Logo na sequência, com a vinda da pandemia, o preço do açúcar derreteu, chegando a 9 centavos de dólar por libra-peso, mas aí o câmbio começou a efetivamente a fazer as correções em reais. Tivemos uma interrupção e depois continuamos as fixações. Nossa safra, basicamente, está praticamente toda “hedgeada” com a fixação feita e também estamos bem avançados para o ano que vem. Embora os preços fiquem em torno de 13 centavos de dólar por libra, o câmbio continua firme, a R$ 5,30, R$ 5,39, o que traz uma competitividade que o Brasil há muito tempo não via em termos de reais por toneladas ou sacas de açúcar.
A Zilor teve um lucro líquido trimestral de R$ 5,2 milhões, representando uma retração de 87,3% ante um ano antes. Segundo as demonstrações financeiras, a desvalorização cambial teve um impacto significativo para isso, com um resultado negativo de R$ 18,3 milhões. O que aconteceu?
Fabiano Zillo: Uma parte bastante significativa da nossa operação é a Biorigin, que exporta para 60 países. Cerca de 90% do volume da produção é exportado e ela é praticamente operada em dólar e euro. Em contrapartida, temos dívidas em dólar que fazem praticamente um hedge natural dessas operações. Mas, quando se tem o câmbio flutuando da forma como foi – níveis de R$ 4,20, repentinamente, foram alçados a R$ 5, atingindo R$ 5,60 –, isso gera um impacto significativo na dívida.
Fernando Leal: Teríamos um lucro líquido maior do que no primeiro trimestre do ano passado contando esses efeitos contábeis decorrentes da variação cambial do endividamento. Isto é o hedge natural com a dívida da Biorigin e, também, a marcação em mercado dos derivativos, já que temos uma política de travar o fluxo de caixa de 12 meses em diante.
A Zilor teve uma receita líquida de R$ 535,6 milhões no trimestre, um crescimento de 15,9% no comparativo anual. O açúcar teve seus ganhos ampliados em 30,9%, chegando a R$ 152,5 milhões. Por outro lado, o etanol teve uma queda de 23,6%, com R$ 160,1 milhões. Este ritmo deve se manter nos próximos meses? Por quê?
Emerson Vasconcelos: No primeiro trimestre de safra do ano passado, tivemos um impacto muito grande no mercado global com a gripe suína africana. O segmento de alimentação animal – não somente a Biorigin, mas também outras empresas do mercado – sofreu muito com a queda de vendas. O grande impacto que vemos no primeiro trimestre, especificamente, é devido a esta situação. Além disso, este ano, nós tivemos a questão da pandemia e houve um momento de incerteza. Por outro lado, o segmento de alimentação humana é muito resiliente. Ou seja, mudaram os canais de compra do consumidor, que passou a comprar muito mais comida pronta, ir ao supermercado e adquirir embutidos. Infelizmente, ele parou de comprar onde estão muito de nossos produtos, como cadeias de fast-food, que sofreram um impacto muito grande, principalmente no exterior, devido ao lockdown.
A Biorigin teve um aumento de 79,7% na receita, chegando a R$ 196,8 milhões, mesmo com a produção passando de 10,6 mil para 10 mil toneladas. Quais foram os principais motivos para essa melhora?
Emerson Vasconcelos: Como nós tivemos essa situação no mercado internacional no ano passado [gripe suína africana], construímos estoques naquele momento. O que fizemos ao longo do ano fiscal [2019] e fortemente no início deste ano foi revisar nossos patamares de inventários. Com isso, o volume de vendas aumentou, mas o de produção caiu porque estamos fazendo ajustes para manter os estoques em níveis saudáveis.
O custo dos produtos vendidos da Zilor foi de R$ 376 milhões no trimestre, um aumento de 34% no comparativo com o mesmo período da safra anterior. Com isso, a participação dos custos em relação à receita passou de 60,7% para 70%. O que levou a esse aumento?
Emerson Vasconcelos: Como exportamos 90% da Biorigin, temos muito da parte de custo que é importada, temos itens importantes de insumos na nossa cadeia que, por serem externos, recebem impacto em dólar. Se, por um lado, a receita acaba sendo positiva por conta da desvalorização do real, por outro, os nossos custos na Biorigin também aumentam. Já em relação a despesas de vendas, temos estrutura no exterior: a Biorigin está com unidades no Brasil, nos Estados Unidos, na Europa e na Ásia, e tem times de vendas nestes locais. Este custo também é dolarizado ou colocado em euro, o que ainda aumenta os gastos da Biorigin.
Fernando Leal: Estamos implementando mudanças ao longo do tempo. O ano passado já foi exemplo disso, com uma otimização grande de custos e diluição de custo unitário. A produtividade também contribui para isso. No primeiro trimestre deste ano, comparado com o passado, nós reduzimos os custos da agroindústria em termos de custo unitário ao redor de 10%. Expurgando o efeito da Biorigin, que é estratégico para crescermos, ainda temos a variação cambial da empresa – mais do que compensada na receita. Sem isso, teríamos um custo abaixo do que o do no ano passado.
Recentemente, a Zilor teve um projeto classificado como prioritário pelo Ministério de Minas e Energia (MME) permitindo a emissão de debêntures incentivadas. Os recursos devem ser direcionados para manter e recuperar uma área de 25,23 mil hectares, com a produção de etanol devendo chegar a 527 milhões de litros por ano. Vocês podem dar mais detalhes sobre o projeto e a aplicação dos recursos?
Fernando Leal: No ano passado, nós fizemos um alongamento substancial de dívidas e a companhia marcou presença no mercado de capitais. Temos um CRA que fizemos em meados de 2019, fizemos uma debênture que acabou sendo retratada e uma operação relevante de sindicato de bancos. Demos um passo em nosso alongamento de dívidas. Quando vínhamos nos preparando para fazer uma segunda onda de alongamentos, paramos um pouco e fizemos uma gestão de curto prazo por conta da crise e começamos a olhar o mercado para fazer uma segunda onda de alongamento de dívidas. Dentre as estratégias que temos, uma delas é a emissão no mercado de capitais e, dentre os produtos que estamos olhando, há uma debênture de infraestrutura. O lastro que saiu nesta portaria vai de R$ 250 milhões a R$ 290 milhões, a depender do mix que teremos, pois tem três anos de gastos baseados no mix de produção de etanol. Grosso modo, temos R$ 250 milhões de emissão para fazer, conforme a portaria, e isso vem na estratégia de alongamento de dívida da companhia e de participação no mercado de capitais.
A posição das dívidas com empréstimos e financiamentos da empresa a curto prazo cresceu 55,7%, passando de R$ 652,3 milhões para R$ 1,01 bilhão entre março de 2020 e junho de 2020. Já os débitos a vencerem no longo prazo retraíram 14,2%, indo de R$ 2,14 bilhões para R$ 1,83 bilhão no mesmo comparativo. Quais os principais pontos que levaram a este aumento no curto prazo? Vocês pretendem alongar essa dívida?
Fernando Leal: A liquidez corrente da companhia é confortável. A relação entre ativos contra passivos é de 1,2 vez. Temos algumas alavancas para fazer o complemento desta dívida, que estamos tirando da gaveta após a gestão de curto prazo, e após a pandemia. Temos conversado com algumas casas para fazer essas emissões, além de conversas bilaterais para alongar o endividamento da companhia ao longo desta safra.
Gabrielle Rumor Koster – NovaCana