
Em entrevista à Folha de S. Paulo, o vice-presidente de etanol, açúcar e bioenergia da Raízen, Pedro Mizutani, estimou que a região Centro-Sul deve processar entre 560 milhões e 580 milhões de toneladas na safra 2013/2014. Caso a previsão seja confirmada, o índice retoma a curva de crescimento da produção de cana-de-açúcar no Centro-Sul. O recorde da região aconteceu na safra 2010/2011, quando foram colhidas 561 milhões toneladas de cana. Os números são do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).
O ano-safra de 2011/2012, no qual houve retração de 11,78% na colheita do Centro-Sul (493 milhões de toneladas), interrompeu um crescimento constante na produção de cana, que se verificava desde o ano-safra de 2000/2001. Para a safra atual, a Raízen prevê resultado de 520 milhões de toneladas, número 5% superior ao do último ano, mas ainda 7,3 pontos percentuais abaixo da safra recorde.
A Raízen é resultado da fusão em 2011 das empresas Shell e Cosan. A união ainda está sendo julgada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). A nova empresa atua tanto na produção de etanol, quando na distribuição de combustíveis, tendo valor de mercado estimado em U$ 12 bilhões.
A capacidade de moagem da Raízen, de 65 milhões de toneladas, coloca-a em segundo lugar no ranking das principais produtoras, apenas atrás da Copersucar (135 milhões de toneladas). Na safra atual, a empresa trabalhou com capacidade ociosa de dez milhões de toneladas de cana. Mesmo com o crescimento previsto para 2013/2014, a empresa ainda prevê moer no próximo ano-safra 60 milhões de toneladas, 7,7% abaixo do seu potencial máximo.
Até 2016, a Raízen pretende moer 80 milhões de toneladas. O plano anterior era chegar a 100 milhões de toneladas de cana, mas foi revisto devido às incertezas no mercado brasileiro de álcool.
"Sem política pública definida para o etanol, não haverá investimento em novas usinas", diz Mizutani, defendendo que "os benefícios que o etanol traz ao ambiente precisam ser reconhecidos no preço do combustível". Esse reconhecimento, afirma ele, pode ser dado por meio de redução de impostos sobre o combustível ou maior tributação sobre a gasolina.
Neste momento, diz ele, o foco do setor sucroalcooleiro é melhorar a rentabilidade, por meio de corte de custos e aumento da produtividade. Para utilizar 100% de suas unidades industriais, a empresa está promovendo uma renovação mais rápida dos canaviais e investindo em tecnologia, com a utilização de novas variedades e melhorias no manejo das propriedades.
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