O presidente do conselho e presidente-executivo da Chevron, Mike Wirth, afirmou na segunda-feira, 4, que a escassez física no fornecimento de petróleo começaria a aparecer em todo o mundo devido ao fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passa 20% do fornecimento global de petróleo bruto.
As economias começarão a encolher, primeiro na Ásia, à medida que a demanda se ajusta à oferta reduzida, com o estreito ainda fechado devido à guerra entre os EUA e Israel com o Irã, disse Wirth durante uma discussão patrocinada pelo Instituto Milken.
“Começaremos a ver escassez física”, disse Wirth, observando que o excedente de oferta nos mercados comerciais, os navios-tanque nas chamadas frotas paralelas que evitam sanções e as reservas estratégicas nacionais estavam sendo absorvidas.
“A demanda precisa se ajustar à oferta”, disse ele. “As economias terão que desacelerar”.
A Ásia é a região que mais depende da produção de petróleo e das refinarias do Golfo, sendo que a Europa provavelmente será a próxima afetada, disse Wirth.
Ele observou que os Estados Unidos, um exportador líquido de petróleo bruto, seriam menos afetados do que outras partes do mundo, mas que, eventualmente, os efeitos também seriam sentidos lá. O executivo destacou que o último carregamento de petróleo programado do Golfo estava sendo descarregado no Porto de Long Beach, que abastece Los Angeles e o sul da Califórnia.
O impacto geral do fechamento do Estreito de Ormuz é “potencialmente tão grande quanto o da década de 1970”, disse Wirth.
Duas grandes interrupções no fornecimento naquela década abalaram economias em todo o mundo, levando ao racionamento de combustível e longas filas nos postos de gasolina.
Devido ao fechamento do Estreito de Ormuz, a Spirit Airlines encerrou suas atividades no fim de semana, em decorrência do aumento do preço do combustível de aviação devido à redução da oferta.
Erwin Seba