Grupo tradicional do Mato Grosso quer mostrar que é viável usar o milho para fabricar álcool![]() |
O modelo aproveita as características positivas e negativas do Brasil e é completamente diferente do modelo dos EUA, que tem no milho a principal matéria-prima para o seu etanol.
Confira abaixo os detalhes.
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A iniciativa é da Fiagril, empresa mato-grossense do agronegócio e de biodiesel, e tem como objetivo utilizar apenas o excedente da produção de milho da região. "Na última safra, o Mato Grosso produziu cerca de 16 milhões de toneladas de milho. Nosso consumo fica entre 2 e 2,5 milhões de toneladas", diz o sócio-fundador e presidente do conselho administrativo da Fiagril, Marino José Franz.
Parte do que sobra é destinada à exportação, mas ainda assim há um excedente, que pode chegar a um volume considerável, dependendo do rendimento da safra do milho em outros lugares do Brasil e do mundo. "Na safra passada, o estado exportou cerca de 11 milhões de toneladas, mas isso só foi possível pela queda na produção americana por causa da seca. Se na próxima safra a produção dos Estados Unidos normalizar, o excedente do Mato Grosso pode chegar a 10, 12 milhões," explica o secretário da Política Agrícola do Mapa, Neri Geller, que também estava na reunião em que o projeto foi apresentado.
Outra justificativa para este emprego dos excedentes da produção de milho é que, como a região fica distante dos portos que fazem o escoamento do produto, a exportação também sai cara para os produtores. De acordo com Geller, da cidade de Sinop, localizada no norte mato-grossense, próxima à cidade de Lucas do Rio Verde, cidade-sede da Fiagril, até Paranaguá, no litoral paranaense, o frete custa em torno de R$ 340 por tonelada, ou seja, R$ 20 por saca, preço semelhante ao pago pela saca de milho no Mato Grosso.
"Além de caro, o frete causa muitos acidentes. O Mato Grosso não tem outra saída senão transformar o milho para desenvolver a pecuária de corte e de leite e o mercado de etanol", afirma Franz.
Investimentos e retorno
Inicialmente, o projeto não prevê a utilização de todo o excedente da produção de milho. A intenção é começar com a transformação de 500 mil toneladas e, mais tarde, chegar um milhão de toneladas. "Queremos trabalhar também com o sorgo, que é um produto desprezado", comenta Franz.O investimento necessário para a unidade de processamento está estimado em R$ 230 milhões e a expectativa de retorno de capital é de 5 a 6 anos. Depois da apresentação do dia 27, o ministério acenou com a possibilidade de intermediar junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) uma nova linha de crédito para esta finalidade, mas o projeto ainda está sob avaliação, já que o milho é um produto alimentar e é preciso garantir que produtores de milho para alimentação não migrem para a produção de etanol.
A Fiagril encabeça o projeto, mas tem uma parceria com a Integrated Crop Management (ICM Inc.), empresa americana que oferece serviços de construção, projetos de gestão, soluções de engenharia e projetos de processamento de etanol.
Cana X milho?
Ao promover o uso do excedente de milho para a produção de etanol, a iniciativa não pretende substituir a produção de etanol a partir da cana-de-açúcar. "Nós não podemos cultivar cana aqui, porque estamos dentro da região da Amazônia", esclarece o sócio da Fiagril.Segundo o zoneamento agroecológico da cana, é proibido o cultivo de cana-de-açúcar no Bioma da Amazônia, assim como no do Pantanal e na Bacia do Alto Paraguai.
A viabilidade financeira da proposta está relacionada com o volume de milho produzido, o preço do produto e à localização. "O projeto só é viável para regiões que têm problema de logística e onde o preço da saca de milho é igual ou menor do que R$ 20", afirma o secretário da Política Agrícola do Mapa. Para Geller, outra região que poderia se beneficiar do projeto é o sul do Pará.
Vivian Faria - NovaCana