Nesta segunda-feira (11), mais uma carta relacionada à situação Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE) chegou ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.
A mensagem, assinada pelo ex-diretor do laboratório, Gonçalo Pereira, é uma resposta às afirmações do diretor-geral do Centro Nacional de Pesquisa em Energias e Materiais (CNPEM), Rogério Cezar de Cerqueira Leite.
Na última sexta-feira, o novaCana publicou a carta do diretor do CNPEM, centro do qual o CTBE faz parte. O documento rebate outro manifesto, assinado por entidades ligadas ao setor de biocombustíveis, e contém afirmações direcionadas a essas instituições e ao ex-diretor do CTBE.
No novo documento, Pereira destaca alguns dos pontos-chaves da carta do diretor-geral do CNPEM, Cerqueira Leite. Um deles é o argumento de que a responsabilidade do laboratório se restringe à pesquisa. Em seu texto, Cerqueira Leite defende que o compromisso sobre a elaboração de políticas públicas e sua promoção deve ser do âmbito de dirigentes governamentais e associações privadas – e não de instituições de pesquisa, como o CTBE.
O diretor-geral do CNPEM ainda fez uma crítica aos contratos de prestação de serviço realizados pelo CTBE, que teriam servido “para desviar esforços” e poderiam ter sido assumidos por entidades privadas específicas.
Em relação a esses pontos, o ex-diretor do CTBE rebate, lembrando do Plano Diretor do CNPEM - período 2016-2021, onde consta que o primeiro objetivo estratégico do centro é “atuar como referência para a formulação de políticas públicas nas áreas de energia, materiais e biociências, contribuindo para sua implementação”.
Ele continua ao informar que, ainda segundo o Plano Diretor, entre as missões do CTBE está “contribuir para o desenvolvimento científico e tecnológico e o apoio à inovação nos setores de bioetanol, fontes renováveis de energia e insumos químicos da cadeia produtiva de cana-de-açúcar, com ênfase na realização de parcerias com o setor produtivo”.
Dessa forma, o ex-diretor do CTBE argumenta que os projetos e workshops estratégicos realizados – dois deles dedicados ao RenovaBio – serviram para o cumprimento dessa missão institucional, também trazendo o setor produtivo para dentro das instalações do CTBE. “Essas ações, em particular esses eventos, foram amplamente divulgados, contaram com total apoio da diretoria-geral, que inclusive fez a abertura do primeiro evento dedicado ao RenovaBio”.
Outro ponto respondido pelo ex-diretor é quanto às afirmações de Cerqueira Leite sobre os contratos realizados pelo CTBE. Em sua carta, o diretor-geral do CNPEM escreveu: “Convém deixar claro que nenhum contrato de pesquisa foi assinado durante a administração do Prof. Gonçalo Pereira. Os inúmeros contratos mencionados foram contratados em administrações anteriores”.
Sobre isso, Pereira afirma que o CTBE “teve enorme sucesso em fechar contratos de desenvolvimento tecnológico de valores expressivos, em particular um de R$ 10 milhões com importante empresa de energia”. O nome da companhia em questão, entretanto, não foi mencionado na carta ao ministro.
O ex-diretor ainda lista que o CTBE, em resumo, teria: “15 projetos em execução; 10 projetos em contratação, com valores da ordem de R$ 16,6 milhões; 17 projetos em negociações adiantadas, no valor de R$ 10,3 milhões e 20 projetos em negociações iniciais, no valor de R$ 12,2 milhões”.
Gonçalo Pereira também assinala em sua carta que as demissões teriam paralisado as atividades de processos biotecnológicos e planta industrial “afetando ou inviabilizando a maior parte dos contratos já celebrados (ou em negociação/contratação) com empresas do setor privado”.
Além do desligamento do ex-diretor, cerca de 40 profissionais da equipe do laboratório – de um total de 130 – foram demitidos no centro.
novaCana.com