
O mercado canavieiro estimulou a maioria dos lançamentos e novidades durante a 21ª Feira Internacional de Tecnologia Agrícola Aplicada (Agrishow 2014), realizada em Ribeirão Preto de 28 de abril a 2 de maio. Um dos motivos para o aquecimento do mercado são mudanças como a mecanização da colheita.
A New Holland trouxe à feira a enfardadora BigBaler 1290, adaptada tanto para a produção de feno e pré-secado quanto para o recolhimento da palha da cana-de-açúcar. O especialista em marketing de produto da empresa, Juliano Mendonça, destaca que a máquina veio dimensionada para o uso na lavoura de cana-de-açúcar, com seus equipamentos preparados para receber o produto, que é extremamente corrosivo. "É uma mudança importante, porque aumenta a vida útil da máquina, assim como aconteceu com os carros flex, que foram preparados para receber o etanol sem danos", explica.
Mendonça diz que o interesse pela área da cana é uma questão de mercado, que apresenta as maiores necessidades neste momento, com várias alterações na configuração do processo de produção do etanol. "Desde janeiro de 2014, é proibida a colheita manual, além da proibição da queimada da palha. Por isso, os produtores estão investindo na mecanização das lavouras, e faltavam produtos específicos", afirma.
Outra empresa que voltou suas atenções para o setor canavieiro é a John Deere, que aproveitou a feira para apresentar ao público, pela primeira vez, uma linha de pulverizadores específicos para uso em canaviais. Os produtos são equipados com proteções adicionais e banco para instrutor, além do sistema AMS de agricultura de precisão. Com mais facilidade para manobras e total eficiência operacional, proporcionam menos pisoteio nas cabeceiras e 25% menos tempo gasto com manutenção, reduzindo as perdas. A empresa lançou também, no final do ano passado, uma nova colhedora de cana, com ajuste automático de corte, que permite que a cana seja cortada na altura determinada, independetemente do perfil do solo.
"O mercado canavieiro precisa mais que os outros de novidades para enfrentar o momento atual. Houve perda de produtividade por causa das condições climáticas e o maior desafio do setor é aumentar a produtividade. Por isso, a necessidade de novidades específicas para a área", avalia Rodrigo Junqueira, diretor de vendas da John Deere Brasil.
Máquinas de construçãoOs equipamentos de construção também se voltaram para o mercado da cana-de-açúcar. A Case Construction, por exemplo, lançou a pá carregadeira versão canavieira, uma exclusividade. Para atender com mais eficiência a esse mercado, a máquina traz caçamba com maior volume e sistema de pré-filtragem de ar do motor e do ar-condicionado, além de ventilador reversível do radiador, para evitar entupimentos nos sistemas durante o manuseio do bagaço da cana.
"Os novos produtos para o setor canavieiro estão surgindo em decorrência da mecanização e da necessidade de aumentar a produtividade. E não adianta ter bons equipamentos para plantio e colheita se não tiver bons produtos também para a preparação do solo", diz Carlos França, gerente de marketing da Case Construction.
De acordo com França, 2013 foi um ano excelente para a indústria de equipamentos de construção. Segundo ele, a participação do segmento agrícola da Case Construction gira em torno de 7% das vendas. "É o desenvolvimento da área canavieira que vem puxando o crescimento das vendas desses produtos chamados de linha amarela", afirma. "Antes, eram utilizados equipamentos agrícolas com implementos e adaptações. Agora, o produtor tem opções de máquinas específicas, que aumentam a produtividade e a rentabilidade do negócio."
Cliente exigenteO empresário do agronegócio tem levado em conta as mesmas características dos carros de passeio na hora de adquirir suas máquinas, ou seja, busca cada vez mais conforto, praticidade e tecnologia aplicada..
A New Holland colocou em seu estande na Agrishow dois carros Maserati, de alta performance, para comparar com dois tratores da marca, o T6 e o T7, considerados da mesma forma produtos cheios de tecnologia, que influenciam diretamente na produtividade e nos resultados. "A ideia é que o operador tenha a mesma qualidade encontrada em um veículo de alta performance. Com manuseio mais simples e automatizado, e mais conforto, ele trabalha melhor, as perdas são reduzidas, o que gera mais produtividade", afirma Cristiano Conti, especialista de marketing na área de grãos.
Para Rodrigo Junqueira, diretor de vendas na John Deere Brasil, o que impulsionou a busca por conforto e tecnologia foram dois fatores: a falta de operadores no campo e o fato de que muitas vezes o dono da propriedade é o próprio operador da máquina.
Aline Quezada