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Evolução das margens de distribuidoras e postos sobre o preço do etanol das usinas

etanol-pingando 180315Preços cobrados pelo etanol vêm alcançando níveis recordes de desvantagem. Consecutivas altas fizeram com que o biocombustível atingisse umas das mais negativas relações com a gasolina

NovaCana 6 min de leitura

Os preços cobrados pelo etanol vêm alcançando níveis recordes de desvantagem para o consumidor. As consecutivas altas nos preços fizeram com que o biocombustível atingisse umas das mais negativas relações com a gasolina dos últimos anos.

Apesar do cenário, dados compilados pelo NovaCana indicam que o aumento sofrido nos postos poderia ser ainda maior. Em uma relação feita pela primeira vez pelo portal, que compara os preços do etanol nos diversos elos da cadeia, percebe-se um encolhimento das margens nas distribuidoras e nos postos frente à alta verificada nas usinas.

Especialistas indicam que o preço cobrado pelo renovável de cana pode subir ainda mais.

A seguir o portal NovaCana detalha a evolução semana a semana das margens das distribuidoras e dos postos sobre o preço praticado pelas usinas.

Os preços cobrados pelo etanol vêm alcançando níveis recordes de desvantagem para o consumidor. As consecutivas altas nos preços fizeram com que o biocombustível atingisse umas das mais negativas relações com a gasolina dos últimos anos.

Apesar do cenário, dados compilados pelo NovaCana indicam que o aumento sofrido nos postos poderia ser ainda maior. Em uma relação feita pela primeira vez pelo portal, que compara os preços do etanol nos diversos elos da cadeia, percebe-se um encolhimento das margens nas distribuidoras e nos postos frente à alta verificada nas usinas.

Entre os dias 21 a 27 de fevereiro, o etanol hidratado no varejo do estado de São Paulo foi comercializado, em média, por R$ 2,700. O valor é 39,29% maior que preço de venda cobrado pelas usinas de R$1,938 no mesmo período.

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Quando comparado aos preços praticados em dezembro de 2015, a diferença é maior. No final do ano passado, o preço do etanol praticado nos postos do estado de São Paulo variava em de 48% a 50% sobre os valores de comercialização nas usinas.

A relação nestes primeiros meses de 2016 tem sido mais ou menos essa em São Paulo: mesmo os preços aumentando nas usinas, o reflexo na ponta final da cadeia não chega na mesma intensidade, com as margens de preço na comparação direta entre usinas e postos de gasolina ficando cada vez mais espremidas.

Quando se percorre o caminho do comportamento dos preços, passando das usinas para as distribuidoras, e destas para os postos, é possível perceber um peso diferente nas margens praticadas.

No final de fevereiro, essa variação representou nas distribuidoras um adicional de 22,63% aos preços das usinas, o que fez com que o etanol comercializado pelas mesmas chegasse a R$2,377 em São Paulo.

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Já no caso dos postos de combustível, a média adicionada ao preço de comercialização das distribuidoras girou em torno de 13%, o que resultou nos R$ 2,70, preço que o consumidor encontrou nas bombas de combustível na semana passada.

Quando se analisa a variação de preços em fevereiro em cada um dos atores da cadeia, a diferença nos reajustes também fica evidente. As variações semana a semana fizeram com os preços das usinas encerrassem o mês de fevereiro com um aumento de 4,41%. Nas distribuidoras, da primeira à última semana do mês, os preços cobrados pelo etanol aumentaram 2,39%. Desses reajustes, no entanto, apenas 1,53% chegou aos consumidores nos preços nos postos até o final do período.

Em análise a esta variação de preços, o analista da FG/Agro, João Henrique de Lima Rissi, percebe que, quando os valores cobrados pelo etanol nas usinas sobem, o comportamento de distribuidoras e postos tende a ser “errático”. O cenário é diferente quando há queda nos preços das usinas, e, historicamente, há uma forte tendência de repassar os decréscimos ao consumidor.

Por essa razão, segundo ele, é difícil indicar o que levam distribuidoras e postos de combustíveis a segurarem os reajustes dos preços nesse momento. “O comportamento atual deve estar relacionado mais a questões mercadológicas do que de conjuntura”, pontua.

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O fato das cotações na indústria ainda não terem, em sua totalidade, sido repassadas ao consumidor final, raramente denota uma dificuldade de venda, reforça o diretor da trading Bioagência, Tarcilo Rodrigues. “O mercado está funcionando”, afirma.

Rodrigues segue na mesma linha do analista da FG/Agro e acredita que, se essa é uma opção, a razão deve estar ligada a uma garantia de mercado. “Seria uma estratégia das companhias distribuidoras e dos próprios postos de gasolina. Há uma política de market share que pode ser interessante, mesmo que se sacrifique um pouco de margem em determinados momentos”.

Rodrigues, da Bioagência, reforça ainda que a relação de preços é gradativa. É importante a observar que essa pode ser também uma questão relacionada aos estoques, “que estão precificados em valores anteriores do mercado e permitem esse tipo de trabalho”, pontua.

Além disso, ele assinala a diferença do tempo de atualização de cada elo da cadeia. “Os valores são alterados diariamente nas usinas. Nas revendas eles sofrem uma certa inércia, mas que certamente poderá se refletir em mais aumentos nas semanas seguintes”, explica. O consultor também indica que o preço do etanol para o consumidor pode sofrer ainda mais altas neste mês de março.

Outros estados

O processo gradativo de reajuste de preços, citado por Rodrigues, fica mais claro em Goiás. No estado, a margem de preços praticados pelos postos em fevereiro vem acompanhando a curva ascendente dos valores cobrados pelas usinas, após grande queda na relação de preços usinas-postos no mês de janeiro.

Na semana passada, a relação dos valores de comercialização nos postos chegou a uma margem de 60,27% em relação aos preços praticados pelas usinas.

Já na variação acumulada de preços nos postos em fevereiro, os valores repassados ao consumidor acumularam alta de 3,37%, valor maior do que os aumentos verificados nas usinas, onde, no mesmo período, o reajuste foi de 1,46%. No mês de janeiro o movimento foi o contrário, os preços das usinas acumularam altas de 12,42%, com uma fração de 8% de reajuste chegando ao consumidor final.

No caso do Mato Grosso, na relação direta, os preços nos postos de gasolina apresentam uma margem de 22,15% ao preço médio de comercialização nas usinas. Quando se quebra a análise, passando também pelas distribuidoras, ao contrário de São Paulo e Goiás, o peso maior dos repasses de preços fica com os postos de combustível. O valor médio de repasse foi de 9,48% das distribuidoras sobre o preço das usinas e de 11,57% nos preços ao consumidor em cima dos valores das distribuidoras.

Além disso, o estado tem apresentando ao longo das semanas um comportamento diferenciado em relação aos preços - com baixo aumento nas usinas e variações negativas nos reajustes ao consumidor. Nas últimas quatro semanas de fevereiro, os preços nas usinas acumularam um reajuste de 0,19%, nas distribuidoras foram de 0,12%. Já o acumulado do mês dos postos encerrou fevereiro com uma variação negativa de 1,05%.

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Marina Gallucci – NovaCana

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