Etanol: Mercado: Futuro

Etanol: Mercado: Futuro

EUA fazem projeção sobre o futuro do mercado de etanol


- novaCana.com - - Publicado: 19 Fev 2013 - 08:16 | Atualizado: 18 Mar 2013 - 12:11
O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, sigla em inglês) divulgou no último dia 11 o relatório "USDA's Agricultural Projections to 2022", que traz projeções para a agricultura para o ano de 2022. Dedicado, em parte, ao mercado dos biocombustíveis, o relatório apresenta também o possível cenário para o mercado de etanol para daqui dez anos, levando em conta suposições específicas relacionadas a condições climáticas, condições macroeconômicas e políticas nacionais e internacionais de biocombustíveis.

Segundo as projeções, a produção global de etanol deve aumentar 40% na próxima década, aumentando também a demanda por matéria-prima. Contudo, o crescimento deste mercado deve acontecer de maneira constante e gradual, com a manutenção dos principais atores do setor nos papéis que ocupam hoje: Argentina, Brasil, Estados Unidos e União Europeia devem manter-se como os grandes produtores de biocombustíveis.

Enquanto isso, a União Europeia continuará como a maior consumidora e importadora de biocombustíveis, já o Brasil e a Argentina se consolidarão como os grandes exportadores mundiais.

As projeções foram feitas a partir da suposição de que a lei que garantia um subsídio de 45 centavos por galão aos produtores dos EUA e instituía tarifa de 54 centavos por galão sobre o etanol importado, expirada em dezembro de 2011, não será reinstaurada.

O portal novaCana.com apresenta a seguir o que o USDA espera para o etanol na próxima década ao redor do mundo. As projeções incluíram as regiões responsáveis responsável por cerca de 90% da produção, do consumo e do
comércio de biocombustíveis em 2012.

Argentina
O biodiesel feito a partir da soja continuará sendo o produto mais forte do setor, mantendo a Argentina um dos grandes exportadores mundiais de biocombustíveis. Porém, a produção de etanol à base de milho deve dobrar, devido ao crescimento do mercado interno da gasolina e ao aumento da mistura do etanol neste combustível.

Brasil
Segundo maior produtor de etanol do mundo atualmente, o Brasil deve aumentar em 90% a produção deste biocombustível na próxima década. O principal motivo para isto é atender à crescente demanda interna por combustíveis com maior mistura de etanol.

O ritmo das exportações do país para os EUA e União Europeia continuarão crescendo de maneira estável, o que mantém o Brasil no domínio das exportações mundiais, ao lado da Argentina. Conforme o portal novaCana.com informou na última semana, a Agência de Proteção Ambiental (EPA), espera que em 2013 os EUA importem 2,5 bilhões de litros de etanol do Brasil. http://www.novacana.com/n/etanol/mercado/futuro/etanol-brasil-analisada-governo-eua-140213/

Canadá
A produção canadense de etanol deve crescer 35%, mas este crescimento dependerá da importação de milho. A exportação e a importação de biocombustíveis devem permanecer abaixo de 10% da produção e do uso.

China
Em 2012 o gigante asiático destinou 4,6 milhões de toneladas de milho e um milhão de toneladas de trigo para produzir etanol. Esta matéria-prima deve ter rendido cerca de 2,1 bilhões de litros do biocombustível. Devido às políticas que limitam a expansão da produção de biocombustíveis à base de grãos e oleaginosas, não há perspectiva de crescimento para a produção chinesa.

Estados Unidos
Depois de uma queda em 2012, relacionada ao fim da lei dos subsídios para produtores americanos, a produção americana de etanol deve crescer novamente e, como é feita quase que exclusivamente a partir do milho, utilizará aproximadamente 35% de toda a produção do grão do país.

O ritmo deste crescimento, porém, será lento e os ganhos com etanol devem ser menores do que os dos últimos anos. Isto porque deve haver uma queda no consumo de gasolina nos EUA (diminuição do consumo de E10) e uma desaceleração no crescimento do mercado de E15, inclusive por falta de infraestrutura, além de o mercado de E85 manter-se pequeno.

Aliado à maior exportação e ao aumento da demanda para alimentação, este crescimento da produção de etanol resultará num maior consumo de milho e, consequentemente, na recuperação de preços a partir de 2015/16.

União Europeia
As perspectivas são de crescimento de 60% na produção europeia de etanol, principalmente a partir do uso de milho e trigo como matéria-prima – 80% do aumento da produção será à base destes cereais.

Mesmo assim, a União Europeia deve continuar sendo o maior consumidor e importador de biocombustíveis, comprando cada vez mais etanol produzido no Brasil.

O relatório completo do USDA pode ser acessado na íntegra aqui (pdf em inglês).

Vivian Faria – novaCana.com