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EUA fechará 30 usinas de etanol de milho por conta de crise no petróleo e coronavírus

Crise está ainda longe da contenção e produtores já temem atrasos no plantio por dificuldade na distribuição de insumos


Notícias Agrícolas - Publicado: 02 Abr 2020 - 08:31

Segundo informações apuradas pelo Notícias Agrícolas com a ARC Mercosul, nesta quarta-feira (1º), 30 plantas processadoras de etanol de milho foram fechadas nos Estados Unidos. A decisão chega em meio a uma crise nos preços do petróleo, uma guerra de preços entre Rússia e Arábia Saudita e, claro, a pandemia do coronavírus.

A medida foi tomada por um grupo de indústrias, em reunião na tarde de terça-feira (31), e o fechamento é temporário, durante a quarentena, até que as margens melhorem.

“A guerra energética entre Rússia e Arábia Saudita disparou uma crise no setor de petróleo, que passou para a gasolina, que passou para o etanol. E, com toda essa depreciação nos preços dos combustíveis, as empresas que esmagam o milho para a produção de etanol e outros derivados começaram a ter margens negativas, prejuízos", explica o diretor da ARC, Matheus Pereira.

Ainda de acordo com Pereira, um dos maiores grupos processadores de milho para etanol dos EUA já vinha contabilizando um prejuízo de cerca de US$ 2,60 por bushel (aproximadamente 25,4 kg) do cereal processado para a produção de etanol e derivados.

“Infelizmente, se tornou inviável a manutenção do esmagamento de milho. O que fomentou essa aceleração da depreciação de preços foi o coronavírus, que colocou as pessoas em quarentena e reduziu o consumo de etanol. Além disso, estas processadoras também tiveram que colocar seus recursos humanos em isolamento”, explica.

Consequências do coronavírus

Às vésperas da safra 2020/21, os Estados Unidos se tornaram o novo epicentro da pandemia do coronavírus e as preocupações entre os produtores começam a crescer. O setor agrícola norte-americano já tem sofrido nos últimos anos com outros percalços, como clima severamente adverso e a guerra comercial com a China. Agora, os desafios se renovam, com variáveis jamais vistas.

Os EUA já contabilizam 164 mil casos confirmados de covid-19 e o número de mortes passa de 3 mil. “Apesar de todo o país estar em uma quarentena geral, a doença está longe de uma contenção. Muitos produtores já relatam inúmeras preocupações com a cadeia produtiva”, diz Pereira.

A consultoria é, originalmente, norte-americana e os relatos indicam que há regiões produtoras no Delta do Mississipi que já estão iniciando o plantio do milho, como tradicionalmente acontece, e em mais alguns dias isso deveria chegar ao sul do cinturão do milho.

“A maior preocupação que os produtores relatam é a distribuição; os insumos estão sendo muito mal distribuídos. O coronavírus nos EUA está em uma fase mais avançada, a quarentena está mais efetiva e toda a distribuição de insumos está comprometida devido à falta de recursos humanos", explica Pereira.

Este o cenário ainda coincide com um mês que é determinante para o plantio do milho no país. “O produtor também se preocupa em buscar culturas mais baratas. Assim como em qualquer lugar do mundo, quando ele opta pelo milho, ele opta por uma cultura mais custosa. Apesar da tradição, o milho é uma cultura mais cara e, entre soja e milho, ele deve optar pela soja”, complementa o diretor da ARC.

A partir de agora, o que deverá ser monitorado é se o produtor conseguirá migrar de uma cultura para a outra. “Essa troca em cima da hora exige um pouco de atenção. Não sabemos se o produtor vai conseguir fazer isso efetivamente, mas essas questões estão sendo levantadas”, diz o analista.

Carla Mendes