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EUA enfraquece regra que limita mercúrio e toxinas provenientes de usinas a carvão


Reuters - Publicado: 23 Fev 2026 - 07:51

O governo Trump anunciou nesta sexta-feira, 20, que deve reverter as regulamentações sobre ar limpo que limitam o mercúrio e as toxinas perigosas das usinas de energia, afirmando que isso aumentará a energia de base, enquanto grupos de saúde pública alertam que isso prejudicará os mais vulneráveis dos Estados Unidos.

A Agência de Proteção Ambiental (EPA) dos EUA afirmou que a flexibilização dos padrões de poluição aliviaria os custos para as concessionárias que operam usinas de carvão mais antigas, em um momento em que a demanda por energia está aumentando em meio à expansão dos centros de dados usados para inteligência artificial.

Grupos ambientalistas afirmaram que o enfraquecimento dos padrões para o mercúrio, uma neurotoxina que pode prejudicar o desenvolvimento cerebral dos bebês, e outros tóxicos atmosféricos levará a custos mais elevados relacionados à saúde.

A norma sobre mercúrio e substâncias tóxicas no ar (Mats, na sigla em inglês) da era Biden, de 2024, que atualizou as normas estabelecidas em 2012 durante o governo do presidente Barack Obama, continuava em vigor depois que a Suprema Corte rejeitou uma contestação de um grupo de estados, em sua maioria republicanos, e de grupos industriais que pediam a suspensão das regulamentações.

Essas regras teriam reduzido a poluição permitida por mercúrio das usinas de carvão em 70%, as emissões de níquel, arsênico, chumbo e outros metais tóxicos em dois terços e resultado em uma economia de US$420 milhões em custos de saúde até 2037, de acordo com o Fundo de Defesa Ambiental.

A EPA afirmou que a regra Mats de 2012 oferece “uma ampla margem de segurança para proteger a saúde pública” e que as adições de 2024 acarretam mais custos do que benefícios.

Na decisão final publicada nesta sexta-feira, a EPA afirmou que o retorno aos padrões de 2012 resultaria em uma economia de custos entre US$ 69 milhões e US$ 78 milhões por ano no período de 2028 a 2037.

Grupos ambientais e de saúde rebateram que os custos para a saúde pública decorrentes do retorno ao padrão menos rigoroso superam qualquer economia de custos.

“As atualizações aprovadas em 2024 iriam gerar US$ 300 milhões em benefícios adicionais para a saúde”, disse o presidente da American Lung Association, Harold Wimmer. “Elas protegeram mulheres grávidas, bebês e crianças da exposição prejudicial e salvaram milhares de vidas a cada ano”, completa.

Valerie Volcovici

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