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EUA aprovam compra da Syngenta por estatal chinesa


Wall Street Journal - Publicado: 23 Ago 2016 - 13:34

As ambições globais das empresas chinesas superaram um grande obstáculo depois que os reguladores americanos aprovaram a planejada aquisição da gigante de sementes suíça Syngenta AG pelo conglomerado químico estatal chinês China National Chemical Corp., por US$ 43 bilhões.

A decisão em favor da ChemChina, como é conhecida a estatal, acontece em meio a uma oposição crescente aos investimentos da China no mundo, com obstáculos surgindo da Europa à Austrália. Se concretizada, esta será a maior aquisição estrangeira já feita pela China.

O setor estava aguardando uma decisão do Comitê sobre Investimento Estrangeiro nos Estados Unidos (CFIUS, na sigla em inglês), um órgão do governo americano com poder de bloquear negócios que considera uma ameaça para a segurança do país, porque cerca de 25% das vendas da Syngenta vêm dos EUA.

Embora analistas e autoridades do setor químico chinês tenham elogiado a decisão como um grande passo para o que seria uma aquisição histórica, o acordo ainda pode enfrentar barreiras na União Europeia.

A compra da Syngenta pela ChemChina é significativa não apenas por seu tamanho, mas também pelo que representa para a China. A compra da propriedade intelectual da gigante suíça de sementes e pesticidas será de grande valor para a China em sua busca de soluções para alimentar uma crescente classe média e modernizar o setor agrícola.

O acordo também serviria de apoio aos esforços do governo para que suas estatais obtenham maior acesso aos lucrativos mercados externos como os EUA.

As firmas chinesas estão num frenesi de compras — tendo fechado US$ 159,2 bilhões em negócios no exterior até agora no ano, o que já supera o recorde registrado em todo o ano passado, de acordo com a firma de dados Dealogic.

A onda de compras da China acontece em um momento em que há urgência dentro do labirinto das empresas estatais do país para diversificar suas fontes de receita em meio a uma desaceleração da economia chinesa.

A aquisição da Syngenta pela ChemChina marca um passo ousado no cenário global para a estatal, cujo ambicioso fundador e presidente, Ren Jianxin, sempre quis expandir sua presença internacional. A empresa também informou no ano passado que estava comprando a fabricante de pneus italiana Pirelli & C. SpA por cerca de US$ 7,7 bilhões.

O setor químico chinês celebrou a decisão americana, que foi anunciada ontem em um comunicado conjunto das empresas. Pang Guanglian, vice-secretário geral da Federação da Indústria Química e Petrolífera da China, descreveu a aprovação como essencial para o fechamento do negócio. “É um passo muito importante para a ChemChina”, disse. “A probabilidade da UE aprovar [o acordo] é imensa.”

As ações da Syngenta subiram quase 11% em Zurique ontem.

“A aprovação pelo CFIUS elimina um problema potencial enorme e foi um alívio para os acionistas da Syngenta”, diz Christian Faitz, um dos diretores de pesquisa do setor químico da corretora Kepler Cheuvreux.

O senador republicano Charles Grassley, do Estado americano de Iowa, expressou preocupações de que o acordo possa afetar a segurança alimentar dos EUA e solicitou um papel formal do Departamento de Agricultura dos EUA no CFIUS. O comitê, dirigido pelo Tesouro americano, é constituído por representantes de 16 departamentos e agências americanas como Tesouro, Segurança Nacional e de Defesa.

Na Europa, reguladores devem analisar os efeitos do acordo no setor de defensivos agrícolas, considerando que a ChemChina detém o controle da Adama, grande fornecedora de pesticidas na região junto com a Syngenta e a Dow Chemical Co., segundo a firma de pesquisa financeira Bernstein Research.

A ChemChina e a Syngenta afirmam que esperam fechar o negócio até o fim deste ano. Jeremy Redenius, analista sênior da Bernstein Research, diz que o tom é otimista, considerando a análise minuciosa que a Comissão Europeia vem fazendo da consolidação do setor de defensivos agrícolas.

A comissão abriu uma ampla investigação sobre a proposta de fusão da Dow Chemical e da DuPont Co., em busca de evidências de que o acordo reduziria a concorrência no setor de defensivos e petroquímicos.

Se os reguladores europeus encontrarem problemas no negócio, a Syngenta e a ChemChina poderão resolver as questões antitruste com a venda de ativos, segundo Redenius.

Embora advogados digam que um acordo entre a Syngenta e a ChemChina seria bastante complementar, poderão surgir outros obstáculos na análise da UE. Uma porta-voz da Comissão Europeia não quis comentar.

Como fizeram em casos anteriores envolvendo compradores chineses com ligações nos EUA, os reguladores antitruste da UE devem conduzir uma auditoria para verificar quais outras estatais chinesas ativas no setor agroquímico estão ligadas à ChemChina. Se considerada parte de um grupo mais amplo de empresas, isso ampliaria a possibilidade de uma sobreposição entre a ChemChina e a Syngenta.

“Você pode criar uma batalha sobre a análise da empresa porque não está sempre claro quanto controle o Estado chinês tem de determinada companhia e se o governo coordena as atividades dessa empresa com outros participantes do setor”, diz David Anderson, sócio responsável por questões antitruste do escritório britânico de advocacia Berwin Leighton Paisner LLP, que anteriormente representou uma estatal chinesa que teve que realizar uma auditoria parecida.

Enquanto o acordo tem que esperar aprovação regulatória nos EUA e em outros lugares, a ChemChina vem buscando financiamentos.

Os assessores financeiros da ChemChina, os bancos HSBC Holdings PLC e o China Citic Bank International, forneceram financiamento para toda a oferta de US$ 43 bilhões. Os bancos estão montando financiamento de longo prazo para a estatal, repassando parte da dívida para outros bancos e vendendo ações da Syngenta para coinvestidores.

Nesta semana, a ChemChina planeja assinar um acordo de empréstimo sindicalizado de US$ 12,7 bilhões com mais de 10 bancos para ajudar no financiamento do negócio, segundo pessoas a par do assunto.

Kathy Chu, com colaboração de Lilian Lin, Kane Wu e Natalia Drozdiak