Etanol: Mercado

Etanol: Mercado

Etanol vive possibilidade de excesso de oferta ou de demanda, diz Mário Campos Filho

Em um cenário de crescimento do consumo, setor aposta em aumento da capacidade de produção do biocombustível


NovaCana - Publicado: 15 Set 2025 - 15:23 | Atualizado: 17 Set 2025 - 16:12

O equilíbrio entre oferta e demanda de etanol, considerando a exploração de novos mercados e os anúncios de novas unidades e ampliações, foi um dos temas trazidos pelo presidente executivo da Associação da Indústria da Bioenergia e do Açúcar de Minas Gerais (Siamig Bioenergia) durante a abertura da Conferência NovaCana 2025, nesta segunda-feira, 15.

De acordo com Mário Campos Filho, os novos projetos – que envolvem especialmente uma ampliação da produção de etanol de grãos – devem estimular o consumo interno, levando o combustível renovável para mais locais dentro do país.

“Tenho uma preocupação com a sobreoferta”, afirma, mas acrescenta: “Nesses mais de 20 anos defendendo o setor, aprendi que o maior problema é não ter mercado. O etanol tem mercado”.

Campos Filho, que também preside a Bioenergia Brasil, observa que as companhias estão respondendo às perspectivas trazidas pelos mercados de biometano, combustível sustentável de aviação (SAF) e biobunker, utilizado para navegação. “Temos que colocar o Brasil como um hub para exportação de SAF”, defende.

Além disso, ele cita demandas externas para veículos leves, com diversos países implementando mandatos de mistura de biocombustíveis. “Se a ‘super demanda’ não vier rápido, nós vamos precisar concorrer com os americanos na exportação de etanol; e estamos atrasados nessa disputa”, alerta.

Conforme o executivo, os Estados Unidos fizeram um esforço considerável para abrir mercados externos e criar parcerias.

Neste mesmo caminho, o diretor de inteligência setorial da União da Indústria de Cana-de-açúcar e Bioenergia (Unica), Luciano Rodrigues, complementa: “Nós estamos falando de uma maior oferta, mas também vamos ter mais competidores. Há uma perspectiva positiva, mas o setor precisa continuar sendo eficiente”.

Renata Bossle – NovaCana