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Etanol é rota possível para descarbonizar o transporte marítimo, defende Wartsila

Companhia acredita em potencial tanto para o renovável de cana quanto para o de milho


NovaCana - Publicado: 02 Out 2024 - 09:02
Etanol é rota possível para descarbonizar o transporte marítimo, defende Wartsila

Executivo da Wartsila aposta em diferentes soluções de descarbonização

A Wartsila, empresa de tecnologias para mercados marítimos, está desenvolvendo um motor que pode ser movido tanto à etanol quanto à metanol, a fim de se valer dos combustíveis disponíveis na origem e no destino, detalhou o gerente de desenvolvimento de negócios da Wartsila, Lucas Correa.

De acordo com ele, existem projetos em Singapura e para Petrobras, por exemplo. “Olhamos para o etanol e esse movimento está ganhando forma. Falamos com FS, Raízen, Inpasa – todos defendem que o etanol verde seja uma opção para o combustível marítimo”, afirma Correa.

As informações foram dadas ontem, 1º, em São Paulo (SP), durante painel sobre o futuro dos biocombustíveis, realizado durante a décima edição do Teco Latin America, evento voltado para a cadeia produtiva de etanol de cereais.

“Olhando etanol de milho e de cana, temos pegadas muito interessantes e que se casam muito bem com os anseios de descarbonização do setor marítimo”, Lucas Correa (Wartsila)

Ele detalha que o motor em questão serve para determinados tipos de embarcações e que a empresa desenvolve opções conforme a demanda. “Mas existem muitos caminhos; embarcações menores devem usar biodiesel e, maiores, etanol e metanol”, explica.

O gerente de desenvolvimento de negócios da Wartsila ainda afirma entender que o problema do segmento marítimo não pode ser resolvido pelo produtor ou pelo operador, sendo preciso analisar o ecossistema. “Uma forma de descarbonizar é tornar a embarcação mais eficiente, além de transformar energia e análises diferentes formas de energia – como os combustíveis do futuro”, completa.

Já a Argus tem uma visão um pouco diferente quando o assunto é a descarbonização na ala marítima. Segundo o vice-presidente sênior de estratégia e desenvolvimento de negócios da Argus, Clayton Melo, a resposta no médio e longo prazo vista pela companhia são os combustíveis power-to-liquid (PtL), como o e-metanol e CO2. Ou seja, combustíveis sintéticos.

Ele explica que, atualmente, o preço do e-metanol varia de US$ 1,2 mil a US$ 1,6 mil por tonelada, conforme acompanhamento da Argus. “Pode cair ao longo do tempo, com ganho de produtividade pelo desenvolvimento da tecnologia”, completa.

Melo ainda detalha que o metanol sustentável tem pegada de carbono bem menor do que o metanol fóssil. O biocombustível tem várias aplicações industriais, sendo amplamente usado.

O executivo observa, ainda, que existem dois tipos de metanol: o metanol sustentável, que é produzido por resíduos de aterros sanitários, e o metanol renovável. Dentro desta segunda categoria, existe o biometanol (produzido com biomassa) e o e-metanol (produzido com captura de CO2).

“O e-methanol é energia elétrica liquefeita. É preciso de um hidrogênio verde, obtido por meio da eletrólise da água e ele está avançando a partir de diversos desenvolvimentos. O maior custo é a energia elétrica para converter a água em hidrogênio”, detalha Melo.

Ele também pontua que o setor de etanol de milho tem uma vantagem competitiva sobre o etanol de cana, pois tem CO2 na ponta na cadeia. “O Brasil tem CO2 biogênico sobrando, seja na cana ou no milho, assim como os Estados Unidos”, destaca.

Gabrielle Rumor Koster – NovaCana
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