Etanol: Mercado

Etanol: Mercado

Etanol precisa ser resiliente no curto prazo para cumprir demanda futura, diz Itaú BBA

Analista do banco aponta que a discrepância de performance financeira entre as empresas sucroenergéticas será considerável na próxima temporada


NovaCana - Publicado: 06 Dez 2023 - 15:55

“O mix entre o açúcar e o etanol em 2022/23 não foi um determinante de margem; os preços estavam próximos. A história de 2023/24 é muito diferente”, apontou o diretor de agronegócios do Itaú BBA, Pedro Fernandes, durante o Agro em Pauta, evento promovido pelo banco, nesta terça-feira, 5.

A temporada que se aproxima do fim, portanto, foi de preços muito elevados para o açúcar, com o renovável perdendo cada vez mais espaço. Para Fernandes, a discrepância de performance financeira entre as empresas sucroenergéticas será ainda mais evidente na próxima temporada.

Apesar no aumento de capacidade produtiva de açúcar, prevista pelo banco em 2 milhões de toneladas, muitas empresas terão desafios quanto à disponibilidade de vapor – mesmo as que possuem instalações modernas, segundo aponta o diretor de agronegócios. Ele relata que diversos projetos de destilarias foram anunciados.

“Vamos continuar tendo os que produzem açúcar de forma eficiente e têm boas margens. Mas há um desafio importante para quem está concentrado em etanol, especialmente para os que têm custos atrelados ao Consecana do estado e não o da usina”, declara Fernandes.

“No longo prazo, vemos o etanol como uma solução em SAF e combustíveis avançados, claramente é para onde deve ir. Por outro lado, para chegar vivo lá na frente, o remunerador no curto prazo é o açúcar”, Pedro Fernandes (Itaú BBA)

O diretor aponta que o setor teve anos de “remunerações excelentes”. Ainda assim, analisando as curvas de preços do açúcar e do etanol por um período longo, elas sempre se cruzaram em dados momentos.

“O que a safra 2023/24 mostra – e não vemos um cenário de mudança – é que a distância entre os preços seguirá muito grande. Não vemos elementos que façam esses preços convergirem”, observa. Ao contrário: para ele, o déficit global de açúcar e a ausência de aumentos de capacidade no curto prazo reforçam esta tese.

Preços do etanol não remuneram

Se, por um lado, o preço do açúcar é uma boa notícia para as usinas, mantendo-se firme no mercado internacional, os do etanol vão na contramão. Entre as mudanças vistas em 2023, o banco destaca a alteração na precificação da gasolina, com o fim da política de paridade de importação (PPI).

“Com isso, o etanol não ficou competitivo durante praticamente a safra inteira, começando a ser a partir de agosto. Apesar do aumento da demanda, ainda há muita oferta no mercado, com o preço não reagindo”, detalha a analista da consultoria agro do Itaú BBA, Annelise Izumi.

Conforme a analista, ainda há muita oferta de cana, com as usinas seguindo a moagem e a disponibilidade com viés positivo, esperando uma recuperação. Com isso, não se vê a curva de carrego usual do período de entressafra.

“Para o ano que vem, a curva de preço inicia mais baixa, mas sobe com o início o ciclo, afinal, a próxima temporada começará de forma diferente desta, com a demanda já alta e uma produção mais lenta nos primeiros meses do ciclo”, explica Izumi.

Gabrielle Rumor Koster – NovaCana