Etanol: Mercado: Regulação

Etanol: Mercado: Regulação

[Vídeo] Jornal da Globo: etanol está perdendo a competitividade


Globo.com - Publicado: 27 Mar 2014 - 09:06
O Jornal da Globo estrevistou Marco Antonio Almeida, secretário de Combustíveis Renováveis do MME, e a presidente da Unica sobre a atuação do governo no mercado de etanol:

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A política de preços que a Petrobras foi obrigada pelo governo a adotar prejudicou o etanol, um programa que já foi visto como estratégico para o país. É só perguntar "Qual foi a última vez que você abasteceu o carro com etanol?".

É isso mesmo. Pelo preço médio calculado neste mês pela ANP (Agência Nacional de Petróleo) não está compensando abastecer com etanol em nenhum estado. E o combustível, que o governo chegou a anunciar como solução ambiental e que deveria ser adotado por outros países, está perdendo a competitividade há tempos.

Os produtores reclamam de safras ruins seguidas e da política nacional de combustíveis. Resultado: 44 usinas fecharam em cinco anos e outras 12 devem parar este ano. "Eu acho que nós temos uma possibilidade concreta, neste momento, de perder a mais bem sucedida experiência do mundo de substituição de combustível fóssil e poluente por combustível limpo e renovável", analisa Elizabeth Farina, presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar.

O governo diz que concedeu ao setor vários incentivos e retirou impostos, e que não pode atender a outras reivindicações. "O governo brasileiro está tomando todas as medidas possíveis para manter o etanol competitivo. Duas medidas foram solicitadas pelo setor e não foram atendidas: o aumento do preço da gasolina e o subsídio. Essas duas medidas foram solicitadas e o governo entendeu que não eram cabíveis", informa Marco Antonio Almeida, secretário de petróleo da MME.

Os especialistas dizem que a retirada de uma contribuição, a Cide, do preço da gasolina foi um golpe para o etanol. Mas o que pesa mais é a opção de vender gasolina por um preço menor do que o pago no exterior. Tudo para tentar manter a inflação sob controle.

O economista Paulo Coutinho, da UnB (Universidade de Brasília) acrescenta que, com a descoberta do pré-sal, a política de combustíveis mudou de rumo. "O discurso do governo, que dizia que o etanol era muito bom porque o impacto sobre o meio ambiente era muito mais reduzido, desapareceu. Aí o discurso foi substituído pelo grande potencial como produtor de petróleo que o Brasil tinha e a política para o setor sucroalcooleiro foi abandonada", diz Coutinho, que é diretor do Centro de Estudos de Regulação da UnB.

Giovana Teles