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Etanol na navegação pode abrir mercado de até 30 bilhões de litros, avalia SCA Brasil

Busca por combustíveis de menor emissão cria oportunidades para o Brasil, mas expansão depende de adaptação das embarcações, infraestrutura portuária e regras para investimentos

Portal do Agronegócio 3 min de leitura

O transporte marítimo pode abrir uma nova frente de demanda para o etanol brasileiro. Segundo Martinho Ono, CEO da SCA Brasil, uma participação de 10% do biocombustível no mercado mundial de combustíveis para navegação poderia representar consumo próximo de 30 bilhões de litros por ano.

A estimativa considera um cenário potencial de adoção, e não uma demanda já contratada. Para o executivo, a busca por alternativas de menor emissão de carbono e o crescimento da produção de etanol de milho favorecem a participação brasileira nesse mercado.

O avanço, contudo, dependerá de investimentos na oferta do combustível, na logística de distribuição e nas estruturas portuárias, além da adaptação das embarcações.

Uso marítimo pode avançar antes do combustível sustentável de aviação

Na avaliação de Ono, a aplicação do etanol na navegação pode evoluir mais rapidamente que o combustível sustentável de aviação, conhecido pela sigla SAF.

O executivo afirma que testes com diferentes misturas, incluindo o etanol puro, ou E100, têm apresentado resultados positivos. A chegada de embarcações adaptadas a combustíveis alternativos até 2030 é apontada por ele como um fator capaz de ampliar as oportunidades.

Esse movimento cria uma perspectiva de consumo adicional para a cadeia do etanol, mas exige planejamento para conectar produção, abastecimento e operação marítima.

Potencial de demanda tem escala relevante para a produção brasileira

Segundo a estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) citada na análise, o Brasil deve produzir 41,88 bilhões de litros de etanol na safra 2026/27.

Já o consumo mundial de combustíveis pelo transporte marítimo é apresentado em uma faixa de 250 bilhões a 298 bilhões de litros anuais. Nesse contexto, Ono projeta que uma participação de 10% do etanol poderia gerar demanda próxima de 30 bilhões de litros.

A dimensão desse cenário reforça a necessidade de ampliar a capacidade de atendimento caso o uso marítimo do biocombustível ganhe escala. O crescimento do etanol de milho é um dos elementos destacados pelo executivo como favoráveis ao Brasil.

Infraestrutura e previsibilidade serão decisivas

Para transformar o potencial em negócios, Ono considera fundamentais regras claras, metas e previsibilidade para os investimentos.

Além da produção, a expansão dependerá de uma estrutura logística capaz de levar o etanol aos pontos de abastecimento. Terminais portuários e instalações de movimentação do combustível fazem parte das necessidades apontadas na análise.

O tema já é discutido no âmbito do Programa Nacional de Combustível Sustentável de Navegação, que integra o debate sobre alternativas energéticas para o setor.

Testes com biocombustíveis aproximam discussão da aplicação prática

Ono cita iniciativas de empresas como Vale e Maersk, que realizam testes e adaptações para o uso de biocombustíveis em embarcações.

Segundo ele, os resultados dessas experiências mostram que a busca por combustíveis alternativos começa a avançar para aplicações concretas. Para a cadeia brasileira do etanol, o desafio será acompanhar essa evolução com capacidade produtiva, infraestrutura e condições de investimento compatíveis com um novo mercado.

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