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Etanol de milho pode ser peça-chave para transição energética brasileira

Biocombustível pode auxiliar no alcance de metas de curto prazo, conforme discutido em evento da Novozymes

NovaCana 6 min de leitura

Com o final da Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2021 (COP26), ganhou destaque a necessidade de uma maior presença de fontes renováveis nas matrizes energéticas nacionais. No Brasil, uma das alternativas para atingir as metas estabelecidas já está em uso: o etanol fabricado a partir da cana-de-açúcar e do milho.

Para o diretor da Datagro, Guilherme Nastari, este é um momento importante para o biocombustível. “Nunca um renovável esteve tão atual e tão inserido na agenda global ESG [sigla em inglês para boas práticas ambientais e de governança]”, disse durante o evento Teco Premiere, voltado para o biocombustível fabricado a partir do milho, organizado pela Novozymes.

A gerente de desenvolvimento Ana Loureiro, da agência independente de preços Argus, acrescenta que o biocombustível é uma tecnologia limpa, que já é utilizada no Brasil há mais de 40 anos: “O etanol é importante nesta transição e pode representar um passo à frente para quem deseja partir para uma economia de baixo carbono”.

Loureiro ainda aproveita a ocasião para comentar o cenário norte-americano. Segundo ela, apesar do mercado dos Estados Unidos ter enfrentado oscilações, o incentivo para a produção de biocombustíveis é maior na região, o que ajudou a manter a demanda.

“O etanol é uma forma rápida para alcançar as metas de curto prazo, para diminuir essa pressão que a gente tem causado no clima”, Guilherme Nastari (Datagro)

Confira no texto completo, exclusivo para assinantes, o papel do etanol na mudança da matriz energética e o contexto do biocombustível fabricado a partir do milho nos Estados Unidos.

Com o final da Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2021 (COP26), ganhou destaque a necessidade de uma maior presença de fontes renováveis nas matrizes energéticas nacionais. No Brasil, uma das alternativas para atingir as metas estabelecidas já está em uso: o etanol fabricado a partir da cana-de-açúcar e do milho.

Para o diretor da Datagro, Guilherme Nastari, este é um momento importante para o biocombustível. “Nunca um renovável esteve tão atual e tão inserido na agenda global ESG [sigla em inglês para boas práticas ambientais e de governança]”, disse durante o evento Teco Premiere, voltado para o biocombustível fabricado a partir do milho, organizado pela Novozymes.

A gerente de desenvolvimento Ana Loureiro, da agência independente de preços Argus, acrescenta que o biocombustível é uma tecnologia limpa, que já é utilizada no Brasil há mais de 40 anos: “O etanol é importante nesta transição e pode representar um passo à frente para quem deseja partir para uma economia de baixo carbono”.

“O etanol é uma forma rápida para alcançar as metas de curto prazo, para diminuir essa pressão que a gente tem causado no clima”, Guilherme Nastari (Datagro)

Loureiro ainda aproveita a ocasião para comentar o cenário norte-americano. Segundo ela, apesar do mercado dos Estados Unidos ter enfrentado oscilações, o incentivo para a produção de biocombustíveis é maior na região, o que ajudou a manter a demanda.

O cenário do etanol de milho no Brasil

Nastari aponta que, para entender o mercado de etanol de milho hoje, é necessário também acompanhar os fatores formadores de preços – em especial, a safra de cana-de-açúcar. Ele lembra que a temporada 2020/21 foi marcada por adversidades climáticas e muita perda para o setor: desde secas até geadas, que atingiram em grande parte dos produtores de cana do Centro-Sul, passando pelos incêndios facilitados pelo ressecamento subsequente das plantações.

Desta forma, houve uma queda na produção, tanto de açúcar quanto de etanol, fazendo com que os preços dos produtos ultrapassassem as médias históricas e chegassem a R$ 3.300/m³. Em relação ao biocombustível, Nastari explica que a quebra na oferta justifica o aumento. “Isso explica por que estamos vendendo bicombustível tão bem como hoje. O setor está se beneficiando do problema climático que estamos vivendo”, afirma.

Além disso, Nastari aponta que, mesmo com a quebra da safra de cana-de-açúcar, os volumes de etanol não estão baixos, graças ao crescimento do setor do biocombustível fabricado a partir do milho. De acordo com ele, esta expansão acaba minimizando o impacto da falta do produto advindo da cana.

Segundo a Datagro, para a próxima safra, devem ser fabricados 25,5 bilhões de litros de etanol a partir da cana-de-açúcar na região Centro-Sul. E o bicombustível a partir do grão deve atingir os 4,6 bilhões de litros produzidos.

A projeção é que o etanol de milho se mantenha em constante crescimento. De acordo com Nastari, os níveis anuais podem chegar próximos aos 10 bilhões de litros até 2030.

Etanol de milho norte-americano

Por sua vez, Loureiro afirma que o último ano foi “uma grande montanha-russa” no mercado americano de biocombustíveis. Em janeiro, os produtores registraram margens negativas e, em setembro, alcançaram as maiores médias históricas desde 2012. Segundo ela, este momento volátil aconteceu devido a dois principais fatores: a alta do preço do milho e a estabilidade na demanda de etanol.

Apesar da rápida melhora do mercado, Loureiro aponta que as demandas internas e externas devem continuar crescendo nos Estados Unidos: “Ainda existe um espaço. Não estamos próximos dos níveis pré-pandêmicos”.

Ela afirma também que os preços devem se manter em altos patamares até pelo menos a metade de 2022, declinando depois disso com uma queda no preço do milho. “Contando com uma safra maior e com cortes de demanda devido aos altos preços de outros produtos”, completa.

Em relação à expansão do biocombustível para o mercado internacional, ela ressalta que o etanol será fundamental no futuro da mobilidade. Para ela, muitos dos demais temas discutidos em relação às metas da matriz energética são baseados em novas tecnologias, que frequentemente ainda estão dentro de laboratórios, colocando o etanol em uma situação mais confortável.

“O etanol já existe e está em uso no Brasil há mais de 40 anos. O biocombustível é importante nessa transição e pode representar um passo à frente para você partir para uma economia de baixo carbono”, afirma.

Giully Regina – NovaCana

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