
Evento acontece em São Paulo (SP) nos dias 30 de setembro e 1º de outubro
Em uma discussão sobre o panorama de macroeconomia e negócios, o consultor de agro do Itaú BBA, Lucas Brunetti, apontou que o setor de etanol de grãos pode saltar dos quase 9 bilhões de litros atuais para 18,7 bilhões de litros em 2030.
Este volume representaria quase 40% de participação na oferta total de etanol no mercado do biocombustível, o que “salta aos olhos dos investidores”, segundo apontou a analista de mercado da JP Morgan, Larissa Perez.
As informações foram apresentadas no painel introdutório da 11ª edição do Teco Latin America, evento voltado para a cadeia produtiva de etanol de grãos, ocorrido nessa nesta terça-feira, 30.
Segundo cálculos hipotéticos do Itaú BBA, o custo de produção em uma usina de cana-de-açúcar seria de R$ 2,55 por litro em 2025/26 e de R$ 2,23/L em 2026/27; no caso do milho, os valores seriam de R$ 1,79/L e R$ 1,86/L no mesmo comparativo.
“Para a indústria de cana, o que realmente importa é a relação de preço do etanol e do açúcar, e não necessariamente o custo de produção, uma vez que as usinas já formaram o seu canavial e só precisam colher”, aponta Brunetti.
Ele completa que como as sucroenergéticas “saíram do mercado” por um período – ao maximizarem a produção do adoçante –, as margens aumentaram para as usinas que fabricam o etanol de milho.
“Como os preços do açúcar ficaram abaixo dos de etanol nos últimos três meses, isso mudará a cara do mercado para o próximo anos”, aponta o consultor do agro do Itaú BBA, apostando na possibilidade de uma maior produção do renovável pelas usinas de cana.
Em um cenário médio para a próxima temporada, a previsão do banco é que sejam fabricados 26 bilhões de etanol de cana no Centro-Sul e 2 bilhões litros no Norte-Nordeste. Além disso, outros 12 bilhões de litros seriam provenientes do etanol de milho, totalizando 40 bilhões de litros.
Neste cenário, em 2026/27, a participação do hidratado no mercado de ciclo Otto cresceria de 21% para 26%.
Já considerando a possibilidade de que os valores do açúcar fiquem baixos, haveria uma maior produção de etanol. Neste caso, as usinas de cana do Centro-Sul poderiam adicionar mais 3 bilhões de litros, indo a 29 bilhões de litros. Além disso, com uma maior oferta, a participação do biocombustível no ciclo Otto subiria para 30%, ainda segundo a análise.
“Teremos preços de 10% a 25% menores no etanol para o próximo ciclo devido a maior participação do etanol de cana, considerando um cenário básico e outro mais crítico para o produto”, acrescenta Brunetti.
“É uma indústria que cresce muito e tem uma rentabilidade muito elevada”, aponta Perez, da JP Morgan.
O banco acredita que as usinas de etanol de milho renderiam um fluxo de caixa livre duas vezes superior ante as de cana. Já o retorno sobre o capital investido (Roic) da usina de milho seria de 18,1%, enquanto uma unidade de cana teria 11,4% (considerando um mix de produção de 50% para cada produto). O grão seco de destilaria (DDG), segundo Perez, é um dos principais fatores de diferenciação.
Em relação à possível dificuldade de originação de matéria-prima, Perez diz: “Quando você avisa que vai ter uma planta em um local, o produtor de milho já passa a desenvolver a matéria-prima”.
Ela ainda acrescenta que os produtores “têm espaço” para aumentar a produtividade. “Enxergamos um risco menor do ponto de vista do fornecimento”, aponta.
“Estamos entrando na terceira fase da indústria do etanol de grãos, passamos por uma expansão forte e em breve chegaremos a 10 bilhões de litros. Temos diversificação regional, novos desafios e novos perfis de players”, Ivan Roccon (Novonesis)
A Novonesis realizou uma pesquisa com as pessoas presentes no evento para entender o sentimento do setor em relação ao etanol de milho. Os participantes percebem o momento atual da indústria de etanol de grãos como positivo, com 63% considerando a rentabilidade como “elevada” e outros 25% como “muita elevada”.
Além disso, 49% acreditam que a competitividade do milho é “muito elevada”. Para completar, 33% veem a valorização dos coprodutos com “muita confiança” e 38% com “confiança”. Já no equilíbrio entre oferta e demanda de etanol, 49% responderam que a relação é “confiável” e 18% colocaram como “muito confiável”.
“Temos margens operacionais, mas as decisões precisam ser tomadas com cautela para ter payback e gestão saudável dos investimentos”, apontou o chefe de marketing e estratégia regional na Novonesis, Ivan Roccon, ao apresentar a pesquisa.
A pesquisa também apontou os pontos de atenção e desafios do setor. Foram citados, do mais relevante para o menos: volatilidade do preço do milho; mudanças regulatórias e políticas públicas; custo de capital e acesso a financiamento; infraestrutura logística; e demanda por etanol.
Gabrielle Rumor Koster – NovaCana
Conteúdo patrocinado pela Novonesis