O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou em abril uma pausa de 90 dias no programa de tarifas recíprocas, divulgadas no começo daquele mês; mas as taxas foram reestabelecidas antes disso, logo no final de maio. No último dia 10, inclusive, a justiça do país permitiu a manutenção de tarifas mais amplas impostas pelo presidente, ao menos enquanto o processo de apelação segue em andamento.
Com relações comerciais estabelecidas, o mercado brasileiro ainda busca saber quais serão as consequências possíveis para os setores de açúcar e etanol, mais de dois meses após o anúncio da medida.
O analista de mercado da StoneX, Marcelo Di Bonifacio Filho, pontua que os EUA não estão na lista de principais destinos para exportação do açúcar brasileiro. Grande parte das importações estadunidense são do produto mexicano, a partir de uma cota bilateral sempre acordada antes da safra.
“Tem alguns volumes que saem até da África do Sul ou da Argentina, mas são quantias muito pequenas se comparadas às compras nas América do Norte e Central”, detalha.
A StoneX tem presença confirmada na Conferência NovaCana 2025, que acontece em São Paulo (SP) nos dias 15 e 16 de setembro. O analista de mercado da empresa, Marcelo Di Bonifacio Filho, será um dos palestrantes no painel “O futuro do etanol no Brasil: desafios, oportunidades e a ascensão do etanol de cereais”. Clique aqui para acessar a programação completa.
Assim, levando em conta o fluxo comercial, uma medida que afete as tarifas no Brasil não tenderia a impactar diretamente o mercado. “É um volume que pode ser absorvido por outros países”, acrescenta.
Além disso, já existe uma taxação de mais de 80% para o açúcar importado pelos EUA fora da cota estipulada. “É um produto bastante taxado nos Estados Unidos, mas eles têm esses acordos que acabam mitigando os efeitos. Pensando no curto prazo, o país está vindo de duas safras majoritariamente positivas e, na última temporada, eles importaram bastante”, aponta Bonifacio Filho.
Para ele, isto resultaria em uma menor necessidade de importação, ainda que seja um cenário que somente coincide com o anúncio do tarifaço. “No curto prazo, os Estados Unidos não estão muito preocupados em termos de açúcar”, completa.
A Copersucar declarou que não teve impactos em relação as taxas até o momento, tanto no etanol quanto no açúcar. Inclusive, conforme apontou o CEO da companhia, Tomas Manzano, em entrevista coletiva, como os EUA sobretaxam o produto brasileiro, os envios ficam “quase proibitivos”.
No caso do etanol, o fluxo de exportação de etanol ainda é muito pequeno. “O Brasil tem um mercado essencialmente doméstico, realizando algumas exportações em momento de arbitragem favorável ou fazendo importações quando o país tem alguma flutuação de demanda”, detalhou Manzano.
Confira, na reportagem completa (exclusiva para assinantes), a análise de dois especialistas sobre o mercado de etanol, além de dados de exportação dos produtos para os EUA.
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