Terceira maior companhia aérea dos Estados Unidos, a United planeja aumentar o seu consumo combustível sustentável de aviação (SAF, na sigla em inglês) em 2023, para 10 milhões de galões (ou 37,8 milhões de litros) – o triplo de 2022 e 10 vezes mais que em 2019 (antes da pandemia).
Na quinta-feira, 4, a empresa anunciou que seus voos com partida do Aeroporto Internacional de São Francisco, na Califórnia, serão abastecidos com uma mistura de SAF ao querosene de petróleo. Ainda este ano, a companhia espera decolar com a mistura do Aeroporto Heathrow, na capital da Inglaterra, o que pode colocá-la no topo da lista das consumidoras do combustível de baixo carbono.
Para ajudar a fechar a conta – já que o renovável pode custar de duas a quatro vezes mais que o fóssil –, a aérea vem firmando parcerias com produtores e diversificando as rotas tecnológicas. Segundo a United, até agora os investimentos na produção futura soma mais de cinco bilhões de galões.
O mais recente foi divulgado em março. Foram US$ 5 milhões na empresa de bioengenharia Viridos para apoiar a produção a partir de algas – um recurso abundante e escalável que pode ser cultivado sem impactar a produção de alimentos.
Outro mecanismo de financiamento é um programa para clientes corporativos dispostos a pagar um “prêmio verde” associado à compra de combustíveis com emissões mais baixas. Lançado em abril de 2021, o programa tem 24 participantes de diferentes setores, como Audi, Bank of America e Cisco, e viabilizou a compra de quase 15 milhões de galões de SAF.
“Embora 10 milhões de galões de SAF em 2023 representem uma fração do que precisamos, também fizemos grandes investimentos em produtores que estão usando tudo, desde etanol a algas e CO2, para ajudar a aumentar nosso suprimento futuro disponível”, conta a diretora de Sustentabilidade da United, Lauren Riley.
As entregas no Aeroporto de São Francisco começaram em abril, com a United recebendo 1,5 milhão de galões de SAF para voos de partida.
A companhia também decola com o biocombustível do Aeroporto Internacional de Los Angeles, desde 2016, e do Aeroporto Schiphol em Amsterdã, desde 2022.
Produzido a partir de resíduos, como óleo de cozinha usado e gordura animal, o produto é fornecido pela Neste, pela rota conhecida como HEFA, que usa óleos como matéria-prima. A redução de emissões é estimada em até 80% durante o ciclo de vida, comparada com o querosene convencional.
Riley acredita que, no futuro, o SAF poderá ser produzido a partir de outras matérias-primas, incluindo lixo doméstico, resíduos florestais, algas ou CO2 comprimido.
Além disso, a companhia criou um fundo de risco para identificar e investir em empresas e tecnologias que possam descarbonizar as viagens aéreas. Entre os investimentos estratégicos estão a captura de carbono, motores a hidrogênio e elétricos e aeronaves regionais elétricas.
O otimismo com o SAF tem mais de um motivo. Além da aviação civil internacional ter um acordo para reduzir suas emissões usando combustíveis com baixo carbono – o Corsia –, o governo dos EUA está dando incentivos à indústria para fazer a transição.
Sancionada no ano passado, a Lei de Redução da Inflação (IRA, em inglês) oferece incentivos à produção de SAF, com meta de atender 100% da demanda de combustível de aviação doméstica com o biocombustível até 2050.
No curto prazo, o governo planeja ter 3 bilhões de galões com custo competitivo disponível para os operadores de aeronaves até 2030. Para isso, está trabalhando com toda a cadeia, desde produtores até companhias aéreas.
Até 2030, as companhias aéreas estadunidenses planejam substituir 10% do combustível convencional por SAF.
Nayara Machado