2ª Geração

2ª Geração

Etanol 2G será para exportação


Folha de Pernambuco - Publicado: 11 Set 2013 - 11:49 | Atualizado: 11 Set 2013 - 12:38
O etanol de segunda geração será produzido em escala econômica e comercial no início de 2014. Mas não fica no Brasil. Será totalmente exportado. Quem garante é Manoel Carnaúba, da GranBio, empresa que investiu R$ 250 milhões na primeira planta do Hemisfério Sul para produção dessa nova geração de combustível, situada em São Miguel dos Campos (AL). A confirmação foi feita ontem durante o Fórum Nordeste 2013, promovido pelo Grupo EQM.

O etanol de segunda geração chegará ao mercado num volume estimado de 82 milhões de litros, o que fará da fábrica uma das maiores em operação no mundo. Inicialmente, a matéria-prima será a palha – 365 mil toneladas serão usadas na produção. A cana-energia só passará a compor o processo de produção a partir de 2016.

E a grande pergunta é: como este produto inovador pretende competir com a gasolina, já que falta uma política federal para estimular o consumo do combustível limpo? "Nosso foco inicialmente será o mercado externo, os Estados Unidos, confiantes de que, logo, o governo brasileiro vai passar a dar mais atenção ao etanol, como hoje dá à gasolina, visto que estamos falando de sobrevivência energética", responde Carnaúba.

O etanol de segunda geração tem as mesmas características do tradicional. A diferença é que pode ser fabricado a partir da palha, da biomassa e da cana-energia. Esta variedade de cana está nas origens da cultura canavieira. Mas, com os contínuos melhoramentos genéticos para alcance de maior teor de sacarose, visando ao mercado açucareiro, ela foi sendo esquecida. Em busca da eficiência energética, GranBio tratou da resgatá-la. Foram 15 anos de pesquisa.

A cana-energia tem entre 1,5 cm e 2 cm de espessura contra os 3,5 cm da cana tradicional. É não só três vezes mais produtiva, como também é mais robusta, mais resistente a seca e tem mais fibra que a cana comum, embora o seu teor de açúcar seja mais baixo. "Nosso objetivo não é a sacarose. É a fibra", explica Carnaúba.

A GranBio pretende ter 12 fábricas de etanol de segunda geração no Brasil até 2020, para alcançar a produção de um bilhão de litros. Em janeiro deste ano, o BNDESPar, braço de participações do BNDES, tornou-se acionista minoritário da GranBio, com 15% do capital total da companhia. Não foi à toa: trata-se de um investimento estratégico para o País.

Patrícia Raposo