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Estudo do Pecege evidencia recuperação do setor sucroenergético

canavial 241115De acordo com os pesquisadores, que pela primeira vez avaliaram de forma sistematizada os custos preliminares para uma temporada ainda não finalizada, este final de safra vai alivar o ano

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Aumentar a produção com custo cada vez menor está na agenda de qualquer setor da economia mundial. O setor sucroenergético precisa conciliar esta agenda com companhias em situação considerada irreversível, dificuldades de investimentos, acúmulo de perdas e crescimento vegetativo – quando este existe. Há algumas temporadas até o açúcar — em segundo plano no mix das usinas — ficou amargo.

Mas, não mais. De acordo com os pesquisadores do Pecege, que pela primeira vez avaliaram de forma sistematizada os custos preliminares para uma temporada ainda não finalizada (com base em números fornecidos pelo setor), este final de safra vai alivar o ano.

Aumentar a produção com custo cada vez menor está na agenda de qualquer setor da economia mundial. O setor sucroenergético precisa conciliar esta agenda com companhias em situação considerada irreversível, dificuldades de investimentos, acúmulo de perdas e crescimento vegetativo – quando este existe. Há algumas temporadas até o açúcar — em segundo plano no mix das usinas — ficou amargo.

Não mais. De acordo com os pesquisadores do Pecege, que pela primeira vez avaliaram os custos preliminares para uma temporada ainda não finalizada (com base em números fornecidos pelo setor) este final de safra vai alivar o ano.

O estudo Indicadores Econômicos do Setor Sucroenergético é realizado desde 2008 pelo Pecege, programa da Esalq voltado para economia e gestão. O projeto é uma parceria com a Confederação Nacional da Agricultura (CNA), que realiza levantamentos semelhantes para todas as cadeias agropecuárias. O do setor de cana-de-açúcar, no entanto, é o único que também leva em conta a parte industrial.

“A principal finalidade do trabalho é ser um subsídio para o processo de tomada de decisão. Para que todos os membros da cadeia tenham à disposição elementos de uma amostra bastante representativa e consigam balizar suas decisões a partir de uma série de indicadores de referência”, explica o pesquisador do Pecege e um dos responsáveis pelo estudo, Haroldo Torres.

Esses indicadores tornam possíveis uma série de ações, como o estabelecimento de custos ante médias regionais de unidades, produção e até produtos específicos.

Menor avanço de custos na safra 2015/16

Antes do início da safra é divulgada uma previsão com dados de entrevistas indiretas, mas, desta vez, o acompanhamento traz dados informados pelas próprias usinas, coletados de maneira sistêmica.

Uma prévia dos indicadores divulgados em junho deste ano apresentava mais cenários negativos, mas, a crença da pesquisa é que esses números devem mudar para melhor, puxados pelo aumento de produtividade e melhora nos preços de açúcar e etanol.

“Lá atrás, nossa projeção era que o preço do açúcar se mantivesse em níveis muito baixos, mas recuperou com força recentemente. O preço do etanol também, de forma similar”, comenta o pesquisador.

Inicialmente, a estimativa era de que, no melhor dos cenários, as usinas teriam uma rentabilidade de apenas 5% com o açúcar e 12% com o etanol anidro. Isso, se conseguissem escapar de cenários predominantemente ruins: em 12 possibilidades levantadas pelos pesquisadores para cada produto, seis eram negativas para o etanol e 10 negativas para o açúcar.

Previsões iniciais do Pecege apresentavam grande quantidade de cenários negativos, mas atualização trará números melhores, segundo pesquisadorPrevisões iniciais do Pecege apresentavam grande quantidade de cenários negativos, mas atualização trará números melhores, segundo pesquisador

Previsões iniciais do Pecege apresentavam grande quantidade de cenários negativos, mas atualização trará números melhores, segundo pesquisador

Um semestre depois, o pessimismo foi parcialmente revertido. Como a safra foi mais alcooleira – muito em função da liquidez do produto que da rentabilidade –, fatores como a CIDE, reajuste da gasolina e a redução do ICMS mineiro contribuíram para o caixa das usinas fazendo com que mais combustível fosse vendido, deram alívio para o etanol e seguraram o aumento ainda maior de custos, graças a menor necessidade de endividamento.

“É um cenário mais animador e a nossa expectativa é que essa safra seja, em termos de aumento de custo de produção, muito menor do que foi observado na 2014/15”, prevê Torres.

Ele aponta que o setor precisa melhorar em diversos aspectos, como controle e gerenciamento de custos de produção, reforma de canaviais, atualização de variedades, manejo adequado e utilização dos insumos corretos nos tratos culturais.

Bioeletricidade, o filão

Além disso, Torres afirma que o primeiro processo para recuperação está na bioeletricidade. O pesquisador conta que atualmente utiliza-se cerca de 14,5% do potencial e que, mesmo que o bagaço seja precificado – como discutem os fornecedores de cana –, a margem é interessante.

“[A bioeletricidade é] um subproduto com margem bastante positiva, diferente do etanol e do açúcar, que têm margens reduzidas, quando não negativas”.

Números sugerem melhora

A análise da safra passada também está sendo atualizada. A conclusão era de que 2014/15 não se mostrava muito diferente da 2013/14, com margens negativas entre 0,2% e 11,5%. Apenas o açúcar branco no Nordeste apresentou margem positiva, 5,1% acima do custo. No entanto, o relatório atualizado apresentará custos ainda maiores, porém com uma produtividade maior e, assim, uma melhora geral.

Um dado marcante é que de 2011 em diante constatou-se uma deterioração da margem e da relação de troca, fatores que aparecem fortes na safra passada. Segundo Torres, é uma realidade dura.

“Um dos dados da safra 2014/15 é o aumento substancial dos custos de capital de giro, já evidenciando endividamento bastante elevado e participação bastante expressiva em termos de crescimento desse custo na estrutura do setor como um todo”, afirma.

Mão-de-obra, insumos e custo com capital de giro são os principais vilões da deterioração. Agora, com o impacto da desvalorização cambial, a dívida fica maior. No entanto, observou-se aumento de produtividade no período que, de certa forma, compensou as margens menores, mas ainda manteve os números de produtividade da 2014/15 abaixo de níveis médios históricos.

Seminário

Para apresentar todas essas informações o Pecege organiza o 5º Seminário de Indicadores Econômicos do Setor Sucronergético. Os pesquisadores do programa farão duas apresentações: uma voltada à parte agrícola e outra para as usinas.

No evento, também estão confirmadas apresentações de Ricardo Dornelles, do Ministério de Minas e Energia; Luciano Rodrigues, da Unica e Manoel Bertone, da Deloitte, abordando outros aspectos de custos sobre o setor. Celso Manzatto, da Embrapa, e José Moreira irão falar sobre sustentabilidade.

Segundo Haroldo Torres, o objetivo é provocar os agentes do setor e trazer os indicadores à discussão como maneira de encontrar saídas para a crise. “A ideia é apresentar os indicadores do Pecege e fazer um brainstorm com agentes dos setores público e privado. A gente já viu que o setor finalmente colocou o nariz para fora d’água, mas resta saber como seguir um caminho correto”, analisa.

O evento será realizado no dia 10 de dezembro, no Pavilhão de Engenharia Esalq/USP, em Piracicaba (SP). Mais informações e detalhes para participação podem ser encontrados aqui.

Jorge Mariano – NovaCana

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