Consultoria analisou a evolução dos custos de produção de 2005/06 a 2015/16 em sete usinas responsáveis por 5% de toda moagem de São Paulo
As últimas safras não apresentaram bons números para o setor sucroenergético. Para muitas usinas, de 2012/13 até 2014/15 os resultados foram nulos ou negativos, com custos de produção acima dos preços de venda.
Adversidades climáticas, fatores cambiais, queda de qualidade da matéria-prima e problemas com a mecanização são alguns dos fatores que influenciaram diretamente no aumento dos custos nesse período.
O cenário atual conta com uma melhora: os custos começam a diminuir e apontar para uma retomada do setor, ainda que alguns gastos importantes – como matéria-prima e arrendamentos – tenham subido, outros fatores fazem com que a margem finalmente volte a ser positiva. Mas ainda há ressalvas nesse sentido.
De acordo com um estudo envolvendo diferentes usinas, representando 5% da moagem de São Paulo, a recuperação na safra 2015/16 não será generalizada visto que os preços só apresentaram melhora significativa a partir de setembro do ano passado. Além disso, outro fator deve ser destacado: desde 2012 os custos vêm subindo abaixo da inflação, mas os preços ficaram praticamente estagnados.
O levantamento apresentado a seguir detalha para onde vai o dinheiro gastos nas usinas e como os gastos evoluiram nos últimos dez anos em dez categorias:
- Cana de fornecedores
- Adubos e herbicidas
- Arrendamentos
- Mão de obra e serviços contratados
- Combustíveis e lubrificantes
- Manutenção industrial
- Manutenção agrícola
- Gastos administrativos
- Insumos industriais
- Impostos

As últimas safras não apresentaram bons números para o setor sucroenergético. Para muitas usinas, de 2012/13 até 2014/15 os resultados foram nulos ou negativos, com custos de produção acima dos preços de venda.
O cenário atual conta com uma leve melhora: os custos começam a diminuir e apontar para um futuro de retomada do setor, ainda que alguns gastos importantes – como matéria-prima e arrendamentos – tenham subido, outros fatores fazem com que a margem finalmente volte a ser positiva. Mas ainda há ressalvas nesse sentido.
De acordo com um estudo divulgado pela Sucrotec, empresa especializada em consultoria ao setor sucroenergético, a recuperação na safra 2015/16 não será generalizada. O levantamento detalha para onde vai o dinheiro gasto em diferentes usinas, representando 5% da moagem de São Paulo, e aponta resultado operacional de 5,8% que, apesar de positivo, ainda está distante dos 12% sugeridos pelo Itaú BBA como o necessário para que as empresas de fato se recuperem.
Segundo o diretor da empresa, Francisco Oscar Louro Fernandes, o crescimento em relação às safras anteriores vem em função da melhora obtida na produtividade agrícola. Caso a produtividade industrial tivesse acompanhado os ganhos do campo – o que não aconteceu – os números poderiam ser melhores.
Ainda assim, foi suficiente para conter os aumentos nos custos de matéria-prima, que também tiveram maior participação na conta: na safra 2015/16 a matéria-prima nas usinas avaliadas correspondeu a 76% do total dos custos, ante 72% da safra anterior. “O aumento do gasto com matéria-prima foi na cana de fornecedores, que aumentou devido ao maior preço do ATR. Este aumento, porém, deveria ter sido maior ainda, pois parte dele foi compensado pela redução da qualidade da cana”, evidencia Fernandes. O resultado foi um ganho de produtividade consolidado de 3,75% na safra atual em relação à anterior – de 80,1 t/ha para 83,3 t/ha. Número que, aliado ao aumento de moagem, reduz o custo fixo de produção.
Essa redução foi crucial para puxar um crescimento superior a sete pontos percentuais, saindo de -1,6% para 5,8%. No entanto, não é o suficiente para gerar remuneração, visto que não cobre custos de capital (tanto os juros de capital próprio quanto de financiamentos) e nem de reposição e depreciação de equipamentos, de acordo com Fernandes. “Nossa perspectiva é que a margem operacional apenas comece a recuperar a capacidade de remunerar a atividade como um todo, sem grandes incentivos a novos investimentos. O problema das empresas super endividadas permanece”, esclarece.
Crise, mão de obra, câmbio e arrendamento
O estudo da Sucrotec traz um levantamento detalhado da variação de preços dos insumos no acumulado das últimas dez safras. E a realidade não é animadora. Se comparados os aumentos médios de preço do açúcar, etanol e insumos nesse período, os derivados ficam dez pontos percentuais para trás, com 64% de elevação ante 74% dos materiais (veja gráfico abaixo). Ou seja, o gasto com insumos das usinas da amostra aumentou num ritmo superior ao preço recebido pelo etanol e açúcar.
Para o diretor da Sucrotec, isso é reflexo da crise que se instalou sobre o setor que, segundo ele, foi motivada pela contenção dos preços da gasolina pelo governo, fazendo com que o etanol ficasse abaixo do preço ideal para remuneração. Aliado ao excesso de açúcar no mercado, o retorno não foi próximo do necessário.
A mão-de-obra sofreu diversos reajustes sucessivos acima da inflação devido à escassez de pessoal e ao aumento real do salário mínimo, principalmente no período anterior a 2014.
Adubos e fertilizantes foram largamente afetados pelo câmbio.
O arrendamento de terras, por sua vez, teve alta de mais de 100% em dez anos devido à procura de terras para expansão da lavoura. Em valores corrigidos, na safra 2005/06 o preço era de R$ 8,96 por tonelada, enquanto na safra atual está em R$ 19,72.

Acesse o estudo completo aqui.
Jorge Mariano – NovaCana