Em meio à nova alta de combustíveis no Brasil, postos mineiros, especialmente no interior, estão com dificuldade para repor estoques de etanol, segundo o Sindicato do Comércio Varejista de Derivados do Petróleo do Estado de Minas Gerais (Minaspetro). A entidade alerta que há “incerteza de suprimento” do combustível e que o aumento do preço vem desde as distribuidoras.
“Em março, o Minaspetro alertou sobre o problema de escassez do diesel devido à defasagem do combustível em comparação com os preços de importação e, novamente, a entidade alerta o mercado sobre a incerteza de suprimento com relação ao etanol”, diz, por meio de nota divulgada nesta terça-feira, 19.
A diminuição da oferta de etanol também afeta os estoques de gasolina, segundo o Minaspetro, pois ela demanda 27% de etanol anidro em sua composição. “A Associação das Indústrias Sucroenergéticas de Minas Gerais (Siamig), que representa as usinas produtoras do combustível de cana, admite que a safra deste ano está atrasada por questões climáticas e incêndios nos canaviais. A falta do produto tem chegado até às distribuidoras, que não estão conseguindo atender a demanda total da rede de postos”, detalha o sindicato.
O Minaspetro frisa, ainda, que o preço do etanol hidratado subiu 17,1% nos produtores nos últimos 30 dias, saltando de R$ 3,2739 para R$ 3,8366. O anidro foi reajustado em 8,5% e passou de R$ 3,7647 para R$ 4,0838, de acordo com o índice do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP.
À reportagem, a Siamig afirmou que não há nenhum tipo de problema ou falta na oferta de etanol por parte das usinas. A associação ressaltou que, apesar do atraso da nova safra (2022/23), os estoques remanescentes da safra anterior (2021/22) são suficientes para abastecer o mercado.
“Informamos também que a safra de cana já iniciou em algumas unidades e que, para a segunda quinzena de abril e o início de maio, espera-se que a safra na região Centro-Sul entre em um ritmo mais acelerado e com mais unidades iniciando a produção, aumentando assim a oferta de etanol no mercado”, projeta a Siamig.
Por fim, a entidade projeta que a safra canavieira de Minas Gerais “apresentará, em 2022/23, uma recuperação, com uma maior produção de etanol e oferta para o mercado consumidor”.
Gabriel Rodrigues