Seguindo a esperada tendência de queda na entressafra de cana-de-açúcar, os estoques de etanol nas usinas do Centro-Sul tiveram uma diminuição de 1,14 bilhão de litros na primeira quinzena de fevereiro; assim, no último dia 16, a posição dos tanques indicava 4,96 bilhões de litros. Mesmo com a redução, o valor é 4,2% superior ao registrado um ano antes.
O dado, apresentado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) na sexta-feira, 26, condiz com os números da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica). Em relatório de dois dias antes, a Unica divulgou que a venda quinzenal de etanol pelas usinas do Centro-Sul foi de 1,29 bilhão de litros. Já a produção – sustentada pelas unidades que produzem etanol de milho – foi de 134 milhões de litros.
Ainda de acordo com a entidade, as vendas cresceram 5,3% na comparação com o mesmo período de 2020, mas o aumento ocorreu de forma desigual entre os dois tipos de etanol: enquanto a comercialização de hidratado para o mercado doméstico aumentou 3,8%, o anidro viu uma elevação de 8,2%.
Esta maior demanda pelo anidro também fica evidente nos números de estocagem. Em 16 de fevereiro, os estoques do renovável no Centro-Sul somavam 1,96 bilhão de litros, 4% a menos que um ano antes. Por outro lado, os 3 bilhões de litros de hidratado nos tanques representam um aumento de 10,3%.
Em São Paulo, maior estado produtor e consumidor de etanol do país, a situação é ainda mais contrastante. Com 1,22 bilhão de litros, a armazenagem de anidro está 14,6% menor na comparação anual; já a de hidratado está 11,3% maior, com 1,77 bilhão de litros. No total, os tanques paulistas possuíam 2,99 bilhões de litros em 16 de fevereiro, queda de 0,9% ante a posição de um ano antes.
Mesmo que os estoques de hidratado estejam com volumes acima dos vistos no mesmo período de 2020, o preço do biocombustível nas usinas está elevado. De acordo com o acompanhamento da S&P Global Platts, o preço pago aos produtores na região de Ribeirão Preto (SP) chegou ao recorde de R$ 3.350/m³ na quinta-feira, 25.
Ainda segundo a Platts, entre os motivos que levaram à alta estão o elevado preço da gasolina nas refinarias – utilizado como balizador do preço do etanol – e o receio do mercado de que ocorra uma escassez na oferta, causada pela influência do clima e pela perspectiva de atraso no início da safra 2021/22.






Renata Bossle – NovaCana
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