Etanol: Importação

Etanol: Importação

Estados Unidos ameaçam com retaliação se Brasil taxar etanol importado


NovaCana - Publicado: 28 Abr 2017 - 09:41 | Atualizado: 28 Abr 2017 - 15:51

A mobilização das usinas brasileiras para taxar todo etanol importado para o Brasil ganhou uma oposição do tamanho da maior potência econômica do planeta. Os EUA ameaçaram retaliar o Brasil caso o governo atenda o pedido das usinas de etanol.

De acordo com o Valor Econômico, os EUA enviaram uma carta a Câmara de Comércio Exterior (Camex), posicionando-se contra o imposto sobre o produto importado.

A mobilização mostra que Washington está determinado a ajudar o etanol norte-americano a ganhar mercado internacional.

O Brasil, atualmente, é o principal mercado para o etanol dos Estados Unidos e, no ano passado, comprou 26% do volume remetido pelo país, com 1,01 bilhão de litros ao longo do período. Apenas nos três primeiros de 2017, contudo, esse volume já chegou a 725,2 milhões de litros.

"Os movimentos protecionistas são míopes em qualquer clima, mas especialmente agora, quando a atual administração dos Estados Unidos provavelmente retalharia desproporcionalmente" Joel Velasco

Joel Velasco, que liderou os esforços da Unica para expandir os mercados de biocombustíveis na última década, disse que o retorno das tarifas é uma política errada no momento errado. "Os movimentos protecionistas são míopes em qualquer clima, mas especialmente agora, quando a atual administração dos Estados Unidos provavelmente retalharia desproporcionalmente", disse Velasco, que atualmente é especialista latino-americano no Albright Stonebridge Group.

Procurada pelo Valor, a Camex informou não ter conhecimento da ameaça americana. Onde poderiam acontecer as retaliações e as implicações esperadas — indicativos da intensidade da pressão exercida pelos EUA sobre o governo brasileiro — não foram reveladas.

Livre comércio de etanol

O etanol está na Lista de Exceções à Tarifa Externa Comum do Mercosul (Letec) desde 2010. O fim da taxação foi estabelecido pelo Brasil com o objetivo de fortalecer o biocombustível internacionalmente. Na ocasião, o país pressionou os Estados Unidos para que também retirassem as suas taxas.

"O comércio não é livre e justo se os EUA abrirem suas portas para importações brasileiras, mas o Brasil escolhe erigir barreiras comerciais para proteger sua indústria da concorrência", disse o conselheiro-geral da Associação de Combustíveis Renováveis (RFA), Edward Hubbard, à Reuters.

De acordo com ele, RFA, Growth Energy e US Grains Council – entidades representantes dos produtores norte-americanos – escreveram este mês ao Representante Comercial dos EUA sobre o assunto, copiando a Casa Branca e os departamentos de Comércio e de Agricultura.

O economista sênior de biocombustíveis do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), Ernest Carter, rebateu recentemente a argumentação da Unica. Ele admite que a pegada de carbono do etanol norte-americano é superior à brasileira, mas argumenta que a pegada de carbono teria diminuído nos últimos anos, de modo a cobrança de 16% sobre o produto seria excessiva.

Negociações

Além disso, segundo o Valor, o economista Ernest Carter teria confirmado que Brasil e Estados Unidos estariam trocando comunicações sobre o assunto.

Para os produtores norte-americanos, a possibilidade de o Brasil voltar a taxar o biocombustível viria logo após outra medida que desestimula o setor. Em janeiro, a China elevou seu imposto de importação sobre o biocombustível de 5% para 30%, o que pegou os EUA de surpresa, de acordo com Carter.

Em 2016, a China foi o terceiro maior mercado para o etanol dos Estados Unidos, com mais de 675 milhões de litros. O país ficou atrás apenas do Brasil e para o Canadá, que comprou aproximadamente 980 milhões de litros.

"Atualmente, o consumo americano de etanol tem caído, então a expansão tem que ser via mercado externo", argumentou Carter. De acordo com ele, o etanol americano tem potencial para crescer por causa do menor custo de produção em relação ao etanol brasileiro e também porque há perspectiva de incremento da demanda doméstica no Brasil.

novaCana.com
Com informações do Valor Econômico e da Reuters