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Estados Unidos ameaçam com retaliação se Brasil taxar etanol importado

EUA Brasil 280417Mobilização das usinas para taxar todo etanol importado ganhou uma oposição do tamanho da maior potência econômica do planeta

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A mobilização das usinas brasileiras para taxar todo etanol importado para o Brasil ganhou uma oposição do tamanho da maior potência econômica do planeta. Os EUA ameaçaram retaliar o Brasil caso o governo atenda o pedido das usinas de etanol.

De acordo com o Valor Econômico, os EUA enviaram uma carta a Câmara de Comércio Exterior (Camex), posicionando-se contra o imposto sobre o produto importado.

A mobilização mostra que Washington está determinado a ajudar o etanol norte-americano a ganhar mercado internacional.

O Brasil, atualmente, é o principal mercado para o etanol dos Estados Unidos e, no ano passado, comprou 26% do volume remetido pelo país, com 1,01 bilhão de litros ao longo do período. Apenas nos três primeiros de 2017, contudo, esse volume já chegou a 725,2 milhões de litros.

"Os movimentos protecionistas são míopes em qualquer clima, mas especialmente agora, quando a atual administração dos Estados Unidos provavelmente retalharia desproporcionalmente" Joel Velasco

Joel Velasco, que liderou os esforços da Unica para expandir os mercados de biocombustíveis na última década, disse que o retorno das tarifas é uma política errada no momento errado. "Os movimentos protecionistas são míopes em qualquer clima, mas especialmente agora, quando a atual administração dos Estados Unidos provavelmente retalharia desproporcionalmente", disse Velasco, que atualmente é especialista latino-americano no Albright Stonebridge Group.

Procurada pelo Valor, a Camex informou não ter conhecimento da ameaça americana. Onde poderiam acontecer as retaliações e as implicações esperadas — indicativos da intensidade da pressão exercida pelos EUA sobre o governo brasileiro — não foram reveladas.

Livre comércio de etanol

O etanol está na Lista de Exceções à Tarifa Externa Comum do Mercosul (Letec) desde 2010. O fim da taxação foi estabelecido pelo Brasil com o objetivo de fortalecer o biocombustível internacionalmente. Na ocasião, o país pressionou os Estados Unidos para que também retirassem as suas taxas.

"O comércio não é livre e justo se os EUA abrirem suas portas para importações brasileiras, mas o Brasil escolhe erigir barreiras comerciais para proteger sua indústria da concorrência", disse o conselheiro-geral da Associação de Combustíveis Renováveis (RFA), Edward Hubbard, à Reuters.

De acordo com ele, RFA, Growth Energy e US Grains Council – entidades representantes dos produtores norte-americanos – escreveram este mês ao Representante Comercial dos EUA sobre o assunto, copiando a Casa Branca e os departamentos de Comércio e de Agricultura.

O economista sênior de biocombustíveis do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), Ernest Carter, rebateu recentemente a argumentação da Unica. Ele admite que a pegada de carbono do etanol norte-americano é superior à brasileira, mas argumenta que a pegada de carbono teria diminuído nos últimos anos, de modo a cobrança de 16% sobre o produto seria excessiva.

Negociações

Além disso, segundo o Valor, o economista Ernest Carter teria confirmado que Brasil e Estados Unidos estariam trocando comunicações sobre o assunto.

Para os produtores norte-americanos, a possibilidade de o Brasil voltar a taxar o biocombustível viria logo após outra medida que desestimula o setor. Em janeiro, a China elevou seu imposto de importação sobre o biocombustível de 5% para 30%, o que pegou os EUA de surpresa, de acordo com Carter.

Em 2016, a China foi o terceiro maior mercado para o etanol dos Estados Unidos, com mais de 675 milhões de litros. O país ficou atrás apenas do Brasil e para o Canadá, que comprou aproximadamente 980 milhões de litros.

"Atualmente, o consumo americano de etanol tem caído, então a expansão tem que ser via mercado externo", argumentou Carter. De acordo com ele, o etanol americano tem potencial para crescer por causa do menor custo de produção em relação ao etanol brasileiro e também porque há perspectiva de incremento da demanda doméstica no Brasil.

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Com informações do Valor Econômico e da Reuters

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