Etanol: Mercado

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Esquema de venda de combustível adulterado ligado ao PCC é alvo de nova operação

Segundo os investigadores, crime organizado usa postos de combustíveis e exploração de jogos de azar para lavar dinheiro; 25 mandados de busca e apreensão são cumpridos nesta quinta-feira


Agência Estado - Publicado: 25 Set 2025 - 14:30

O Ministério Público do Estado de São Paulo, por meio do grupo de atuação especial de combate ao crime organizado (Gaeco), e a Polícia Militar deflagraram na manhã desta quinta-feira, 25, uma nova operação para desmantelar um esquema de exploração de jogos de azar e comércio de combustíveis adulterados, com utilização de empresa de pagamentos para lavagem de dinheiro, tendo a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC).

A Operação Spare também conta com a participação da Receita Federal, da Secretaria da Fazenda e da Procuradoria-Geral do estado. São cumpridos 25 mandados de busca e apreensão em 35 endereços.

Conforme a decisão judicial, Flávio Silvério foi identificado como responsável pelo esquema de lavagem de dinheiro, que começou a ser investigado após a apreensão das máquinas de cartão de crédito obtidas em casas de jogo de azar, por possuir controle dos valores movimentados nas contas bancárias dos postos de combustíveis. A defesa não foi localizada.

“A partir da análise fiscal da empresa BK Bank, a Receita Federal identificou que seus principais clientes são empresas que abrangem toda a cadeia produtiva de combustíveis e distinguiu seis núcleos, com relacionamentos entre si, sendo que o Núcleo São Paulo seria comandado por Flávio Silvério Siqueira”, consta no documento. A defesa não foi localizada.

De acordo com o MP, a fintech por meio da qual a organização criminosa movimenta milhões de reais é a mesma utilizada pelos alvos da Operação Carbono Oculto, realizada em 28 de agosto.

“Quando foi desmontado um intrincado esquema colocado em prática por organizações criminosas investigadas de participação fraudulenta no setor de combustível, com infiltração de integrantes da facção Primeiro Comando da Capital (PCC), lesando não apenas os consumidores que abastecem seus veículos, mas toda uma cadeia econômica", disse o órgão estadual.

Conforme o MP, as investigações começaram com a apreensão de máquinas de cartão em jogos ilegais em Santos (SP), ligadas a postos de combustíveis. Análises financeiras mostraram que os valores eram enviados para uma fintech, usada para esconder a origem e destino ilegais do dinheiro.

“Com o aprofundamento das investigações, foi possível identificar uma complexa rede de pessoas físicas e jurídicas envolvidas na movimentação dos valores ilícitos”, disse o MP.

Vínculos também foram descobertos entre a organização criminosa e empresas de hotelaria, postos de combustível e instituições de pagamento, que mantinham contabilidades paralelas para dificultar o rastreamento dos recursos financeiros, de acordo com a investigação.

Operação Carbono Oculto

Em 28 de agosto, o MP e a polícia realizaram a maior operação já deflagrada contra a infiltração do crime organizado na economia formal do país. A ação teve como alvo empresas, corretoras e fundos de investimentos situados na Avenida Faria Lima, principal centro financeiro nacional.

De acordo com as autoridades, a principal instituição de pagamentos investigada, a BK Bank, registrou R$ 17,7 bilhões em movimentações financeiras suspeitas. Em nota, na época, o BK Bank informou que foi surpreendido com a operação e que “conduz todas as suas atividades com total transparência, observando rigorosos padrões de compliance”.

As investigações apontaram para uma dezena de práticas criminosas, desde crimes contra a ordem econômica, passando por adulteração de combustíveis, crimes ambientais, lavagem de dinheiro – inclusive do tráfico de drogas –, além de fraude fiscal e estelionato.

Os acusados teriam obtido parte do domínio da cadeia produtiva do etanol, da gasolina e do diesel por meio da associação de dois grupos econômicos e por suas ligações e com operadores suspeitos de lavar dinheiro para o líder do PCC, Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola.

Na ocasião, o advogado Bruno Ferullo Rita, que representa Marcola, disse que não tomou conhecimento das acusações, mas negou “qualquer participação ou envolvimento dele com os fatos investigados”.

Renata Okumura