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Especialistas fazem previsões sobre a exportação de etanol no segundo semestre

tanques etanol estoques 260515O novo mandato norte-americano, entretanto, voltou a colocar as projeções dos empresários e analistas em uma encruzilhada —ainda que se considere o peso positivo de movimentos como a valorização do dólar e do aumento do prêmio para créditos RIN

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Num momento em que etanol voltou a ser o queridinho dos consumidores brasileiros, principalmente dos que moram em estados próximos aos centros produtores, as exportações poderiam somar-se, dando um bem-vindo alívio ao combalido caixa das companhias do setor sucroenergético.

O novo mandato norte-americano, entretanto, voltou a colocar as projeções dos empresários e analistas em uma encruzilhada —ainda que se considere o peso positivo de movimentos como a valorização do dólar e do aumento do prêmio para créditos RIN (Renewable Identification Number).

As oportunidades e restrições para a exportação no segundo semestre na opinião de especialistas do setor:

- Luís Roberto Pogetti: como devem ser as exportações da Copersucar.

- Glaucio Oliveira, da ADN Corretora, opina sobre cenário atual e as condições para uma reversão.

- Enrico Biancheri, da Biosev, fala sobre os novos mercados para o etanol brasileiro e as condições nos EUA.

- Alexandre Figliolino, do Itaú BBA, relaciona janelas de oportunidades com alguns indicadores.

- Jose Luiz Olivério, da Dedini ressalta a importância do longo prazo ao se pensar em exportação.

Num momento em que etanol voltou a ser o queridinho dos consumidores brasileiros, principalmente dos que moram em estados próximos aos centros produtores, as exportações poderiam somar-se, dando um bem-vindo alívio ao combalido caixa das companhias do setor sucroenergético. O novo mandato norte-americano, entretanto, voltou a colocar as projeções dos empresários e analistas em uma encruzilhada — ainda que se considere o peso positivo de movimentos como a valorização do dólar e do aumento do prêmio para créditos RIN (Renewable Identification Number).

Dados apresentados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) no dia 1º de julho revelaram queda na exportação de etanol. Segundo os números apresentados, o país exportou, em junho deste ano, 91,1 milhões de litros do combustível, 45,5% menos do que o volume de 167,3 milhões do mesmo mês em 2014.

expo etanol 1sem 2015 volume

No acumulado do ano, as exportações somam 538,7 milhões de litros, queda de 30,9% contra igual período do ano passado, e receita de US$ 293,9 milhões, variação negativa de 43,7%. Em junho, a receita cambial com a venda do produto somou US$ 44,6 milhões, queda de 4,3% diante dos US$ 46,6 milhões de maio, mas comparados aos US$ 111,6 milhões de junho de 2014, a queda foi de 60%.

Para Luís Roberto Pogetti, presidente do conselho administrativo da Copersucar, a exportação do biocombustível da trading em 2015 ficará em linha com a do ano passado. “Nossa previsão é manter um bilhão de litro exportados. Cumpriremos basicamente contratos de longo prazo que já estavam realizados”, disse.


Plataforma de dados: Informações completas sobre a exportação de etanol


Parte da resposta para os anseios do setor foi defendida com a visita da presidente Dilma Rousseff aos Estados Unidos, onde esteve acompanhada em sua comitiva pelo empresário Rubens Ometto, da Raízen, Elizabeth Farina, presidente da União dos Produtores de Cana-de-Açúcar (Unica), e Pogetti.

De acordo com Pogetti, os brasileiros procuraram mostrar a importância de um mandato com uso de biocombustíveis renováveis maior. “Precisamos insistir na manutenção do mandato. É uma sinalização importante para o mundo da continuidade de valorizar os combustíveis renováveis”, disse. “Houve uma sinalização, mas não foi definido. É difícil mexer no que foi sinalizado neste ano ou no próximo ano, mas é importante esse debate para que volte a conversa anterior de nova divulgação de mandato.”

Para ele, porém, a expansão do consumo não se dará do dia para noite. “A perspectiva de aumento de exportação de etanol brasileiro aos Estados Unidos é uma conversa de longo prazo. Isso requer uma integração entre os dois países buscando compromissos”, completou.

Possibilidade de reversão

Embora os dados de encerramento do semestre indiquem um restante de período de dúvidas, há uma sinalização de reversão de cenário, segundo Glaucio Oliveira, sócio-diretor da ADN Corretora. O executivo informa que já existem negócios com outros países em curso, e acredita que a safra 2015/2016, em termos de volume exportado, deve superar a anterior. “Acho que a gente pode exportar de 10% a 20% sobre o que exportou na safra passada, pensando global. Tem outros mercados [além dos Estados Unidos], África, Coréia do Sul, Japão. Na soma de tudo, eu sou otimista”, vislumbra.

O volume total de vendas ao mercado externo entre janeiro a dezembro de 2014 foi de 1,39 bilhão, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC).

“O cenário melhorou. O preço aqui caiu, o dólar está um pouco mais firme, a situação do mercado interno está mais baixa do que na safra passada, na mesma época, então as condições estão mais propícias para a exportação”.

Apesar da proposta da Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA, na sigla em inglês) reduzir o mandato de combustíveis avançados, em que se insere o etanol de cana, a queda foi menor do que o mercado esperava. O que levou à elevação, ao maior patamar em dois anos, do prêmio para créditos RIN do etanol da cana-de-açúcar na comparação com o prêmio referente ao etanol de milho. Isso fez com que os compradores dos EUA voltassem as atenções a exportadores brasileiros. Oliveira entende que serão as exportações para os norte-americanos que farão diferença no volume ao final da safra.

O analista lembra que, na primeira semana de junho, alguns contratos pequenos de exportação foram selados a reboque da decisão da EPA. À época, havia uma diferença de US$ 10 a US$ 20 entre o preço atual e o que é oferecido pelos compradores. “Esse intervalo hoje é menor”, explica.

“O que era 20, 10 dólares [de diferença], agora já se fala em 10, 5 dólares. O gap fechou um pouco, o câmbio ajudou, o mercado interno piorou, já é algo mais concreto”, disse Oliveira.

Enrico Biancheri, diretor comercial da Biosev, divisão sucroenergética da trading Louis Dreyfuss Commodities (LDC), compactua com a visão mais otimista de Oliveira. A empresa, que na safra 2014/2015 exportou 205 milhões de litros de etanol, avalia que as condições apresentadas este ano são melhores que as enfrentadas em 2014. O executivo cita como pontos favoráveis o retorno da CIDE (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico) e o aumento da mistura de anidro na gasolina, de 25% para 27%.

“O mercado asiático é um destino importante para a indústria de etanol brasileira e tem potencial de crescimento”, vislumbra Biacheri. Além da desvalorização do real frente ao dólar aumentar a competitividade do combustível nacional, o executivo entende que “qualquer alta adicional no preço do [etanol] de milho americano pode resultar em aumento de volumes negociados do Brasil para os Estados Unidos”.

A elevação do prêmio para créditos RIN se torna outro incentivo para o etanol limpo, “que permitirá à indústria mundial oferecer soluções sustentáveis para o setor”, finaliza.

Janelas curtas e rápidas

Já Alexandre Figliolino, diretor de agronegócios do Itaú BBA, entende a sinalização positiva para as exportações de etanol apenas como uma janela de oportunidade, a partir das condições oferecidas atualmente.

“Acho que vamos ter algumas janelas [até o fim do ano]. O câmbio mais realista ajuda, mas é preciso ver como se comportam os preços nos Estados Unidos”, pondera. Segundo dados do MDIC, o preço médio pago pelos Estados Unidos para o etanol brasileiro em junho foi de US$ 487,94 por metro cúbico.

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Ainda que seja um período em que o setor está mais alcooleiro, Figliolino acredita que o crescimento expressivo do consumo interno deve criar um ano de suprimento mais apertado, o que estabelece a possibilidade de reajuste dos preços ainda no segundo semestre do ano, “para que oferta e demanda se equilibrem”.

“Por isso, acho que nessa questão de ajuste dos preços internos, as janelas tendem a ser curtas e rápidas. Não botaria muita ficha na exportação, pelo menos com as informações que a gente tem até agora”, define.

Jose Luiz Oliverio, vice-presidente de tecnologia e desenvolvimento da Dedini, maior fabricante de equipamentos para o setor, é mais cauteloso. Ele concorda que o câmbio atual apresenta possibilidade de exportação em condições competitivas, mas diz preferir um cenário que permita estabelecer uma via sistemática de vendas ao mercado externo.

“É muito difícil, em um mercado internacional de energia, agir como oportunista. Você tem de estabelecer mercados de longo prazo, contratos de longo prazo. E, no momento, o que existe são vendas oportunistas para atender demandas pontuais”, defende.

Filipe Albuquerque e Felipe Vanini Bruning – NovaCana

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