A bioeconomia reúne todos os setores que utilizam recursos biológicos. Porém, com um conceito tão amplo, o segmento acaba sendo estudado a partir de enfoques bem específicos – e um deles é por meio das matérias-primas renováveis, o que envolve de forma significativa as usinas sucroenergéticas.
Esse foco da bioeconomia atraiu o interesse do Grupo de Estudos em Bioeconomia (GEB), da Escola de Química da UFRJ. Segundo o coordenador do curso, o professor José Vitor Bomtempo, isso aconteceu de forma natural. “A biomassa e as matérias-primas renováveis tem grande tradição no Brasil, especialmente por nossa experiência com etanol, biodiesel e a indústria de biomassa como um todo”, explica.
Assim, a partir de contatos com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), ele desenvolveu o programa de um curso específico sobre o assunto, chamado Capacitação em Bioeconomia e Inovação (veja detalhes e a programação completa abaixo).
Bomtempo relembra esse contato inicial: “Eles já estavam envolvidos com o etanol de segunda geração e, mais recentemente, começaram a lidar com a química de matérias-primas renováveis, por meio do Padiq [Plano de Desenvolvimento e Inovação da Indústria Química]”. Outra instituição envolvida com o curso é a Associação Brasileira de Biotecnologia Industrial (ABBI), que atua como apoiadora.
Segundo o professor, a capacitação coloca o etanol e a indústria de biomassa dentro de uma perspectiva de futuro, apontando como elas tendem a se posicionar no Brasil e no mundo. “Os produtores de primeira geração não podem ficar afastados de uma indústria tão mais diversificada, é preciso entender o que essa indústria pode vir a ser”. Afinal, como ele mesmo resume, cada nova modificação de matéria-prima implica em toda uma remodelação do processo industrial.
Bomtempo é engenheiro químico formado pela UFRJ, com doutorado em Economia Industrial pela École Nationale Supérieure des Mines de Paris. Além dele, estão na equipe do curso os professores Flavia Chaves Alves e Fabio de Almeida Oroski, ambos da UFRJ e membros do GEB. Também fazem parte os palestrantes: Thiago Falda, da ABBI; Ana Claudia Mamede Carneiro, da Dannemann Siemsen; e Maria Sueli Felipe, da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio).
Com 30 vagas, o curso acontece em cinco dias no Centro Empresarial Mourisco, em Botafogo, sendo dividido em 10 sessões de quatro horas cada. As aulas terão início em 3 de junho.
De acordo com informações divulgadas pelo GEB, o objetivo é apresentar, dentro de uma perspectiva da bioeconomia, “a dinâmica tecnológica e de inovação que envolve a formação da indústria baseada em matérias-primas renováveis”.
As aulas são voltadas para profissionais das indústrias química, petroquímica, de biocombustíveis, de celulose e de alimentos, além de atrair o interesse de fundos de investimentos, instituições de ensino e pesquisa, órgãos de governo, associações envolvidas ou interessadas.
A programação completa está disponível aqui.
Renata Bossle – novaCana.com