Política

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Especialistas criticam projeto de lei que libera venda de combustíveis fósseis puros

Entidades afirmam que mudança elevaria emissões, além de representar “retrocesso” no debate energético


O Globo - Publicado: 14 Mar 2025 - 09:27

A mistura do etanol na gasolina e do biodiesel no diesel entrou no centro de uma discussão envolvendo entidades do setor e o Congresso.

O deputado federal Marcos Pollon (PL-MS) apresentou na Câmara dos Deputados um projeto de lei para permitir que postos comercializem produtos sem as misturas obrigatórias, o que é apontado como “um retrocesso” por especialistas e entidades e resultaria em aumento das emissões.

Hoje, a gasolina vendida nos postos tem 27% de etanol anidro em sua composição final. No caso do diesel, há 14% de biodiesel na mistura. No mês passado, o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) adiou o aumento para 15% do biodiesel no diesel como forma de conter a alta do combustível nas bombas.

Para o deputado, seu projeto reflete liberdade de escolha e redução da intervenção do Estado na vida dos cidadãos. “O diálogo é essencial para encontrar um equilíbrio que respeite a liberdade individual e as políticas públicas. Isso poderia estimular a concorrência, permitindo que os consumidores optem pelo que melhor atende às suas necessidades em termos de preço e eficiência energética”, afirma.

Segundo o professor Claudio Pinho, da pós-graduação em transição energética justa da Faculdade Mackenzie Rio, a aprovação do projeto representaria um retrocesso na agenda de descarbonização dos combustíveis.

“A mudança não reduzirá preços, apenas trará riscos à qualidade e à regulação. Enquanto estamos falando em etanol com pegada negativa de carbono e mesmo a discussão entre biodiesel e diesel refinado de óleo vegetal, que são rotas tecnológicas totalmente distintas, acatar a proposta do projeto de lei seria retornar para antes de 1985”, afirma.

O deputado federal Alceu Moreira (MDB-RS), presidente da Frente Parlamentar do Biodiesel (FPBio), considera a proposta um retrocesso sem precedentes para os setores de biocombustíveis e agropecuário: “No fim do ano passado o Congresso aprovou, por unanimidade, a Lei do Combustível do Futuro que é exatamente o oposto disso”.

Para o professor Edmar Almeida, do Instituto de Energia da PUC-RJ, é um passo para trás, já que a mistura obrigatória é o pilar do programa nacional de biocombustíveis. “O custo é o aumento das emissões”, afirmou.

Bruno Rosa