Os preços do milho ainda devem ser impactados pelo último relatório de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), além do clima irregular em áreas produtoras dos Estados Unidos. No Brasil, a expectativa é com uma nova baixa nos preços.
Acompanhe abaixo os fatos que deverão merecer a atenção do mercado de milho na próxima semana. As dicas são do analista da Safras Consultoria, Fernando Henrique Iglesias.
- O mercado do milho ainda absorve o movimento pós relatório do USDA. O sentimento impreciso de que a área plantada poderia ser muito maior do que a projetada pelo USDA traz agora alguma restrição para retomada das altas na bolsa de Chicago (CBOT).
- As chuvas não estão sendo nos volumes esperados no oeste e norte do Cinturão do Milho, localidades já secas desde o inverno, enquanto no Centro-Sul as chuvas são bastante favoráveis.
- As condições das lavouras de milho podem trazer situação ruim neste lado mais seco da região.
- Há uma preocupação com a possível decisão de paralisação das exportações de grãos na Argentina. Ainda é uma suposição, mas a informação começa a ser avaliada como possível.
- As safras da Rússia e da Ucrânia estão tendo bom andamento.
- A China comprou quase 10 milhões de toneladas de milho em dez dias e o mercado na CBOT recusa-se a precificar com altas o expressivo volume de compras.
- A China definitivamente não dispõe de estoques para atender a demanda. O governo local sequer faz leilões de estoques.
- A situação do mercado interno se acomodou com tradings forçando as vendas para grandes compradores da região Sul, principalmente.
- Boa parte dos consumidores se posicionou até a colheita da safrinha e os preços cederam internamente. O mercado tenta ajustar os preços internos aos preços de porto, hoje de R$ 85 a R$ 87 para agosto e setembro.
- De forma geral, ainda se tenta ignorar a expressiva perda de produção da safrinha em 2021. As perdas no milho safrinha vão de 40% a 100% nos estados do Paraná, Mato Grosso do Sul, Goiás, São Paulo e Minas Gerais. O sul do Mato Grosso é uma região que adere a este quadro também.
- A aproximação de preços internos aos de exportação é extremamente delicada para o futuro abastecimento interno.
- Uma exportação acima de 25 milhões de toneladas de milho poderá gerar problemas de abastecimento mais intensos a partir do final da colheita da safrinha;
- A safra norte-americana ainda totalmente em aberto e a forte demanda internacional são pontos que devem ser avaliados no Brasil.
- As chuvas não devem atingir todas as regiões produtoras de safrinha e seu efeito agora é discreto. Além disso, geadas leves são esperadas para a semana no Paraná e no Paraguai.