Às vésperas da Assembleia Geral Ordinária (AGO) da Petrobras, a Federação Única dos Petroleiros (FUP) alertou para o processo que envolve a eleição do novo diretor de governança e conformidade da estatal. O cargo é considerado uma posição-chave para diversos assuntos “sensíveis” na empresa, como a condução de casos de assédio entre funcionários e combate à corrupção.
Segundo a FUP, a lista tríplice, que vai ser encaminhada ao conselho de administração da companhia, que se reúne hoje, 26, ganhou um quarto nome no processo. Trata-se de Salvador Dahan, que ocupou o cargo ao qual tenta concorrer novamente entre maio de 2021 e o último dia 13, quando acabou seu mandato. No início de abril, a estatal anunciou nova estrutura organizacional.
A escolha do novo diretor de governança é motivo de disputas internas, de acordo com fontes. De um lado, há um grupo que é contra a recondução de Dahan ao cargo. Fazem parte desse grupo representantes dos funcionários e a atual diretoria, liderada por Jean Paul Prates.
Do outro, a maioria dos integrantes do Comitê de Pessoas (Cope), formado por membros do conselho de administração atual e um integrante externo, defende o nome de Dahan para continuar no cargo. Eles foram indicados na gestão de Jair Bolsonaro. Uma fonte classificou a questão como uma “queda de braço”.
A lista tríplice para o cargo de diretor de governança e conformidade é feita por meio de um grupo de trabalho, nomeado pela diretoria executiva da estatal. Para o processo, é contratada uma empresa de head hunter. Esse processo começou a ser desenhado na gestão de Graça Foster, na antiga gestão do PT.
Esse é o único caso, entre a diretoria, que a escolha precisa passar por uma indicação externa. A metodologia foi criada após os casos de corrupção revelados pela Operação Lava-Jato.
Para fontes, há uma avaliação de que houve demora no início do processo de escolha do novo diretor de governança. E, com isso, parte dos integrantes do conselho começou a defender internamente o nome de Dahan.
Quando chegou a lista tríplice, os membros do Cope e conselheiros atuais alinhados ao antigo governo consideraram a lista enviada pela diretoria executiva da Petrobras “fraca” e sem nomes relevantes de mercado.
O imbróglio começou ontem, quando o Cope decidiu apontar o nome de Dahan em reunião interna. Porém, uma fonte lembrou que a prerrogativa de enviar a lista final ao conselho de administração é do presidente da estatal, Jean Paul Prates.
O Cope tem o papel de auxiliar o conselho de administração com a avaliação de nomes indicados para ocupar cargos na estatal. O Cope não tem o poder de vetar ou aprovar as indicações. Sua função é de avaliação.
O nome de Dahan vem sendo criticado pelos empregados da estatal, segundo o coordenador-geral da FUP, Deyvid Bacelar. Isso porque a diretoria de governança e conformidade tem sob seu guarda-chuva a área de ouvidoria, que até então era responsável também por temas que envolvem violência no trabalho, assédio moral e sexual na empresa.
Recentemente, a Petrobras foi alvo de uma série de denúncias envolvendo assédio sexual e importunação sexual, o que levou a estatal a mudar seus procedimentos.
“O Cope usurpou as funções do grupo de trabalho ao inserir um quarto nome na lista tríplice. Está errado. É insurgência total ao estatuto, às regras da companhia”, disse Bacelar.
Procurada, a Petrobras ainda não se pronunciou.
Bruno Rosa