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Escassez de cana reduz moagem em três usinas da Raízen

A usina Bom Retiro, que paralizou as atividades, não foi a única do grupo Cosan a apresentar queda significativa no recebimento de cana

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O clima seco e o elevado custo de produção dos fornecedores de cana-de-açúcar de Capivari, no interior paulista, fizeram com que a moagem combinada de três usinas da Raízen caísse significativamente na safra 2014/15.

Resultado de um clima seco e do elevado custo de produção dos produtores de cana da localidade, que amargam prejuízos de R$ 12-15 por tonelada com a venda da matéria-prima, a sucroalcooleira viu a moagem combinada das usinas Bom Retiro, Rafard e São Francisco despencar 32,86% na safra 2014/15.

Segundo dados da Cooperativa dos Plantadores de Cana da Região de Capivari (Canacap), em 2014/15, a Raízen moeu 1,566 milhão de toneladas de cana de terceiros nas três unidades, um déficit de 766 mil toneladas se comparado aos 2,3 milhões de toneladas da matéria-prima esmagadas no ciclo anterior.

“É praticamente uma usina inteira. Em toda a região, que concentra quatro sucroalcooleiras, das quais, três são da Raízen, a quebra agrícola foi de 998 mil toneladas”, disse, por telefone, o gerente do departamento técnico da Canacap, Roberto Sachs.

Com capacidade ociosa e menos cana para moer, a alternativa encontrada pela Raízen para evitar prejuízos foi suspender as operações da Unidade Bom Retiro, que desviará a cana própria e de terceiros para unidades próximas, como a Rafard e a São Francisco.

“Acredito que a Raízen tomou a decisão certa. Aliás, a empresa deveria ter tomado esta decisão no ano passado. Moenda ociosa é prejuízo. E todas tiveram déficit de cana”, ressaltou Sachs.

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Em toda a região, o déficit de chuvas foi de 380 milímetros. “Deveria ter chovido 1.300 milímetros por ano, mas o índice pluviométrico em 2014 foi de apenas 920 milímetros”, esclareceu Sachs.

Segundo estimativas da Canacap, em 2013/14, a cana de terceiros representou 44% da moagem total das três usinas da Raízen na região. Dados da Associação dos Fornecedores de Cana de Capivari (Assocap) apontam que, do total moído pela Bom Retiro, apenas 250 mil toneladas eram produzidas por fornecedores independentes.

Em comunicado, a maior produtora de açúcar e etanol do Brasil garantiu que “a operação agrícola dos fornecedores de cana-de-açúcar da Raízen na região não será impactada, assim como a produção prevista da empresa”.

Segundo Sachs, como as unidades Rafard e São Francisco ficam a apenas 4,8 e 24,6 km da unidade Bom Retiro, os produtores locais não terão prejuízos ao assumir os custos com frete. Além disso, a Raízen garantiu que todos os contratos serão honrados e as eventuais diferenças do valor do frete da cana serão pagas pela sucroalcooleira.

Moagem menor no 2T2015
No segundo trimestre do ano fiscal 2015, de julho a setembro de 2014, o volume de matéria-prima disponibilizado por fornecedores para a moagem das usinas da Raízen foi de 13 milhões de toneladas (53,4%), quantidade ligeiramente superior aos 11 milhões de toneladas (46,6%) de cana própria esmagadas pela sucroalcooleira.

No período, a Raízen registrou uma queda de 13,3% na moagem de cana de terceiros e de 2,9% na moagem da cana própria na comparação com o mesmo trimestre do ano anterior.

Leonardo Siqueira – NovaCana

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