A Equinor, empresa global de energia presente no Brasil há mais de 20 anos, e o Centro de Pesquisa e Inovação em Gases de Efeito Estufa (RCGI), da Universidade de São Paulo (USP) anunciaram nesta quarta-feira, 5, o projeto Carbon Storage in Brazilian Basalts (Cabra)
Com investimentos de cerca de R$ 10 milhões, a iniciativa de pesquisa, desenvolvimento e inovação avaliará a viabilidade de formações basálticas como reservatórios para armazenamento de CO2 proveniente de usinas de bioetanol.
O anúncio foi realizado durante o Summit Agenda SP + Verde, evento do governo do estado de São Paulo que integrou a programação da 8ª edição da Energy Transition Research & Innovation Conference (ETRI).
Segundo o RCGI, o projeto será focado nas formações basálticas da Bacia Sedimentar do Paraná, onde estão concentradas as usinas de etanol da região Sudeste. Essas rochas ígneas, formadas pelo resfriamento do magma na superfície terrestre, possuem características químicas que lhes permitem reagir rapidamente com o CO2 injetado, transformando-o em minerais sólidos.
Além da caracterização geológica, serão realizados estudos de engenharia necessários para a execução de um possível projeto piloto. Dessa forma, os envolvidos pretendem avaliar a capacidade de injetividade, volume de armazenamento e tempo de mineralização do CO2 injetado nas formações rochosas.
“Poder contar com a experiência de uma instituição de excelência como a USP para desenvolvermos um projeto como o Cabra nos enche de orgulho”, disse a gerente de pesquisa, desenvolvimento e inovação da Equinor Brasil, Andrea Achôa, que completa: “A Equinor é uma das empresas líderes em captura e armazenamento de carbono internacionalmente e esse é um primeiro passo para avaliarmos as possibilidades de projetos como esse no Brasil”.
Para o diretor científico do RCGI, Julio Meneghini, o projeto reforça o compromisso do RCGI em desenvolver soluções científicas que contribuam para a descarbonização da matriz energética brasileira. “Trata-se de uma iniciativa que alia excelência acadêmica à experiência de uma empresa global de energia, com potencial de gerar conhecimento e tecnologias de alto impacto para o país”, afirma.
A Equinor conta com quase 30 anos de armazenamento bem-sucedido de CO2 no offshore da Noruega. A companhia já é uma das maiores operadoras de captura e estocagem de carbono (CCS) no mundo.
No Brasil, a empresa vem construindo um portfólio diversificado no âmbito de pesquisa, desenvolvimento e inovação. Ela assumiu compromissos de investimentos de cerca de R$ 740 milhões em parceiros externos para o desenvolvimento de projetos no país. Atualmente, há cerca de 40 projetos em andamento, envolvendo tecnologias de petróleo e soluções de baixo carbono.
Já a USP, por meio do RGCI, possui ampla experiência com tecnologias de captura e armazenamento de carbono. À frente da equipe de pesquisa está o professor Colombo Celso Gaeta Tassinari, do Instituto de Energia e Ambiente (IEE-USP), referência nacional em geociências e coordenador de estudos sobre o potencial dos basaltos brasileiros para o armazenamento geológico de CO2.