NovaCana

EPA concorda em “rever” sua proposta para 2014

epa-020413Agência atende pedido de revisão da proposta de 16 senadores representantes de estados produtores de milho, mas especialistas não acreditam que mudanças significativas sejam feitas
- NovaCana - 5 min de leitura
A Agência de Proteção Ambiental americana (EPA, na sigla em inglês) concordou em rever a polêmica proposta de reduzir os mandatos de consumo de etanol de milho e outros biocombustíveis para o ano que vem, disse o senador representante de Iowa Tom Harkin nesta quinta-feira (19).

Contudo, quando se encontrou com Harkin e outros 15 senadores representantes de estado agrícolas na quarta-feira para discutir a questão, a administradora da EPA Gina McCarthy não quis se comprometer a alterar a proposta da agência.

"Acredito que o máximo que conseguimos de McCarthy foi que eles vão rever a proposta. Eles vão revisá-la", disse Harkin. "Eles vão reavaliá-la. Não é uma regra final, é uma proposta".

A Agência de Proteção Ambiental americana (EPA, na sigla em inglês) concordou em rever a polêmica proposta de reduzir os mandatos de consumo de etanol de milho e outros biocombustíveis para o ano que vem, disse o senador representante de Iowa Tom Harkin nesta quinta-feira (19).

Contudo, quando se encontrou com Harkin e outros 15 senadores representantes de estado agrícolas na quarta-feira para discutir a questão, a administradora da EPA Gina McCarthy não quis se comprometer a alterar a proposta da agência.

"Acredito que o máximo que conseguimos de McCarthy foi que eles vão rever a proposta. Eles vão revisá-la", disse Harkin. "Eles vão reavaliá-la. Não é uma regra final, é uma proposta".

Em uma movimentação controversa que pegou os apoiadores dos biocombustíveis de surpresa, a EPA recomendou, em novembro, a redução do volume de etanol de milho e outros combustíveis renováveis que deveria ser misturado a combustíveis fósseis no ano que vem. As recomendações estão em período de consulta pública e a expectativa é que a regra final saia até a metade de 2014.

Apesar das garantias de McCarthy, alguns especialistas são céticos quanto à possibilidade de a agência mudar de ideia quanto a sua proposta.

"O que eu posso dizer é que eles quase nunca mudam as regras propostas na redação final, então não estou convencido de que o que está acontecendo agora tem muito significado", declarou Scott Irwin, economista agrícola da Universidade de Illinois Urbana-Champaign.

Ainda assim, a reunião deixa claro o sinal de retrocesso político dado pela proposta do governo Obama de redução dos mandatos de biocombustíveis. Durante anos, o governo apoio o aumento gradual destes mandatos, mas decidiram reprimi-los devido à preocupação com a capacidade de consumir o volume de etanol determinado pela lei de mistura de 2007.

Uma porta-voz da EPA disse que a agência "aprecia muito o tempo, o interesse e as opiniões dos senadores", já que está em busca comentários para colocar o programa de mistura de biocombustíveis em uma "trajetória administrável".

Quebrando a parede de mistura

A raíz do problema foi o aumento acentuado no consumo de biocombustíveis requerido pelo Congresso, sob a lei de 2007. Presumindo que o consumo de gasolina continuaria crescendo, o Congresso aumento os mandatos de mistura de biocombustíveis de 9 milhões de galões em 2008 para 36 bilhões em 2022.

Em 2014, a lei determina que 18,15 bilhões de galões de combustíveis renováveis sejam misturados com combustíveis fósseis, incluindo 14,4 bilhões de galões de etanol de milho.

Mas graças ao aumento da eficiência dos motores dos combustíveis e aos efeitos da crise econômica, a demanda por gasolina caiu. Isso deu às crescentes metas uma parte cada vez maior dos tanques mais rápido do que o esperado.

Com uma projeção de demanda por gasolina de 134 bilhões de galões em 2014, a meta de 14,4 bilhões de etanol de milho representaria mais de 10% do consumo do combustível fóssil.

As refinarias de petróleo têm sido relutantes em cruzar o limiar dos 10% - apelidado "parede de mistura" – devido ao receio de que maiores porcentagens de etanol misturadas à gasolina poderia causar danos aos motores de muitos carros.

Fabricantes de motocicletas, barcos e equipamentos com pequenos motores, como motosserras e cortadores de grama, também estão preocupados com os danos que podem ser originados a partir de maiores misturas, e decidiram ficar do lado das refinarias no lobby contra os mandatos.

As refinarias levantaram ainda questões ligadas à falta de infraestrutura, como bombas de combustível nos postos, disponível para a venda de gasolina com mistura superior a 10% sem correr o risco de troca de combustíveis.

Para resolver estas questões, a EPA propôs reduzir a meta de mistura de etanol de milho na gasolina em 2014 para 13 bilhões de galões. Este volume é 800 milhões de galões inferior ao do ano passado e aproximadamente 1,4 bilhões de galões a menos do que os 14,4 bilhões estabelecidos pela lei de 2007.

O senador Chuck Grassley, de Iowa, que também participou da reunião com a EPA, declarou por meio de nota que "a parede de mistura é resultado da obstrução da indústria do petróleo a maiores misturas de etanol, e a proposta da EPA recompensa esta obstrução".

Também participaram da reunião 10 senadores democratas e seis republicanos, de acordo com uma lista fornecida por Harkin. Diversos estados grandes produtores de milho foram representados, incluindo Iowa, Indiana, Minnesota, Dakota do Norte, Dakota do Sul e Nebraska, que teve dois representantes.

A senadora Debbie Stabenow, de Michigan, presidente do Comite de Agricultura do Senado, também participou, junto com Dick Durbin, de Illinois, o segundo oficial do mais alto escalão do Senado.

Ainda não está claro se os legisladores vão conseguir balançar a EPA, mas Harkin deixou evidente que a pressão política vai continuar.

"Vamos ver o que vai acontecer, mas espero que eles entendam a mensagem de que não vamos ficar parados diante de um tipo de regra que vai nos levar pelo caminho errado", disse o senador.

Cezary Podkul (Reuters)
Tradução: Vivian Faria – NovaCana
Compartilhar: