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Envelhecimento do canavial deixou de gerar R$ 5,5 bilhões na safra 2012/13

m-grafico-evolucao-area-cana-290413Pesquisa mostra a evolução da área plantada de cana e o impacto do envelhecimento dos canaviais no faturamento das usinas
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Apesar da recuperação de índices na última safra, com mais investimento em renovação dos canaviais, os resultados poderiam ter sido superiores. Pesquisa vinculada ao MME estima que não foram produzidas 59,6 milhões de toneladas de cana em função do envelhecimento da lavoura.

Confira abaixo os detalhes desses números.

E mais:
- Além do envelhecimento do canavial, os outros fatores que influenciaram nas perdas das usinas
- A expectativa para 2013 de renovação dos canaviais
- Os indicadores que apontam para o retorno dos ganhos de produtividade
- Evolução da área plantada de cana: soca, reformada, expansão e em reforma.

A Empresa de Pesquisa Energética (EPE), vinculada ao Ministério de Minas e Energia (MME), publicou este mês a "Análise de Conjuntura dos Biocombustíveis" relativa a 2012. O documento que reporta os principais acontecimentos ligados ao setor dá destaque ao etanol, avaliando evoluções e deficiências no último ano. Apesar da recuperação registrada pela indústria canavieira após dois ciclos de baixas, muito ainda se deixou de ganhar. Mesmo com um de aumento de 4,2% na produtividade em 2012/13, atingindo 69,85 toneladas por hectare, o rendimento ainda é inferior aos maiores índices, registrados nas safras de 2008/09 e 2009/10.

De acordo com a análise feita pela EPE, em consequência do envelhecimento do canavial na safra 2012/13 deixaram de ser produzidos 59,6 milhões de toneladas de cana na região centro-sul. Considerando a produção de 81,8 litros de etanol por tonelada (média entre 2006-2011) e que o potencial agrícola desperdiçado fosse totalmente destinado ao etanol, a quantidade do biocombustível que poderia ter sido gerada chega a 4,9 bilhões de litros. "Aplicando o preço médio ponderado do etanol anidro e hidratado, na usina em São Paulo, em 2012, a receita que deixou de ser auferida pelos produtores foi de aproximadamente R$ 5,5 bilhões", aponta o estudo.

Fatores de influência

O diagnóstico relaciona, além do envelhecimento do canavial, o baixo investimento em tratos culturais nos anos anteriores à safra 2012/13. A EPE detalha ainda que "problemas climáticos e aumento do índice de perdas de sacarose com a mecanização da colheita e consequente aumento do custo de produção" também impactaram os resultados.

Contudo a retomada de investimentos ocorrida no ano passado já proporcionou algum reflexo. Apesar de restrita, boa parte da recuperação foi viabilizada através do ProRenova, o financiamento do BNDES para renovação e ampliação dos canaviais. Em 2012, foi disponibilizado um orçamento de R$ 4 bilhões, dos quais R$ 1,4 bilhão foi acessado, resultando no plantio de cerca de 410 mil hectares, sendo 80% destinados à renovação.

Para 2013 a linha também oferece R$ 4 bilhões, com a vantagem de o limite de financiamento por hectare plantado ter subido de R$ 4.350,00 para R$ 5.450,00 e estarem eliminadas as restrições ao acesso por empresas de capital estrangeiro.

Horizonte renovado

Os resultados podem ter ficado abaixo do potencial, mas pela segunda safra consecutiva, houve aumento da área em reforma em relação à área de cana soca. Isso "sinaliza a retomada do processo de renovação dos canaviais". Na safra 2012/13 esta relação atingiu 14% da área plantada e houve um aumento de 2% na lavoura de cana.

No gráfico abaixo a EPE evidencia que nos estados do centro-sul, que representam 85% da área colhida, em uma comparação desde 2004/05, a safra 2012/13 foi a que registrou o melhor percentual de área em reforma ou reformada. "Observa-se um aumento das áreas em reforma nas safras 2011/12 e 2012/13 e das áreas reformadas neste último ano, o que indica a possibilidade de retorno dos ganhos de produtividade e, por consequência, a redução dos custos de produção da cana", diz o relatório.

Considerando os dados apresentados no relatório e as medidas que favorecem o setor de etanol – como a desoneração fiscal recém anunciada pelo governo, mais a retomada dos 25% de anidro à gasolina e a renovação de linhas de crédito – é possível projetar que este ciclo favoreça maiores investimentos no canavial. Segundo uma estimativa do próprio BNDES a expectativa é de que em 2013 sejam liberados R$ 3 bilhões do Prorenova. Ainda que abaixo do orçamento disponível, seria o dobro do financiamento acessado no ano passado.

Evolução da área plantada de cana em milhões de hectares

Amanda SchArr - NovaCana
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