Segundo o grupo de pesquisa Esalq-Log, os recessos dos motoristas no período de fim de ano e o comportamento habitual do setor às vésperas da entressafra foram os principais motivadores desse resultado
Os recessos dos motoristas no período de fim de ano e o comportamento habitual do setor às vésperas da entressafra foram os principais motivadores para a redução no frete. Em algumas regiões, no entanto, os fretes apresentaram estabilidade ou leve altas.
Veja a seguir os detalhes.
Os fretes de etanol e açúcar sofreram reduções de preço durante o mês de dezembro em comparação com o mês anterior. Segundo o grupo de pesquisa Esalq-Log, os recessos dos motoristas no período de fim de ano e o comportamento habitual do setor às vésperas da entressafra foram os principais motivadores desse resultado.
De acordo com o estudo divulgado, os valores de fretes de etanol para as bases de distribuição diminuíram. Em algumas regiões, no entanto, os fretes apresentaram estabilidade ou leve altas. No mapa abaixo, elas aparecem em cinza e tons azulados.

Nas regiões de queda nos fretes, alguns fatores foram apontados como motivadores: as férias escolares, que resultam em redução da demanda pelo combustível; o comportamento predominante de armazenar etanol ao longo do mês de dezembro, com intuito de comercialização durante a entressafra; e os recessos de fim de ano, com o retorno dos motoristas para suas regiões de origem.
“Dessa maneira, percebeu-se que ao longo da primeira quinzena do mês, em geral, as bases de distribuição estavam sendo abastecidas com etanol proveniente das usinas localizadas em um raio de distância mais próximo a elas”, aponta o estudo. Como em geral, tais movimentações não foram em grandes volumes quando comparado aos meses anteriores, os fretes permaneceram estáveis. Já as regiões com maiores distâncias em relação às bases apresentaram reduções de até -3% nos fretes.
Ainda segundo o relatório, os fretes de etanol com destino à exportação ocorreram com menor intensidade, estando concentrados principalmente na primeira quinzena do mês para aproveitar os veículos disponíveis no mercado nesta época do ano.
O relatório também aponta que a expectativa para o mês de janeiro é de uma maior intensidade nas movimentações de etanol quando comparada ao mês de dezembro, o que pode pressionar os fretes para cima.
“Dado que os aumentos no preço do diesel observados em 2015 não foram integralmente repassados aos fretes, é possível que este repasse aconteça no início de 2016. Por outro lado, nas regiões em que a demanda pelo etanol não seja suficiente para gerar aumento no volume demandado, o frete tende a permanecer estável”, conclui.
Frete de açúcar
Já com relação aos fretes de açúcar, as variações negativas também foram justificadas pelo recesso dos caminhoneiros. Além disso, o relatório aponta uma baixa quantidade de açúcar que está sendo destinada ao armazenamento durante o período entressafra. Soma-se a isso as chuvas que atingiram as regiões produtoras desfavoreceram a produção durante todo mês.

O estudo observa que, na primeira quinzena de dezembro foram verificadas filas pontuais para o descarregamento do produto no porto de Santos, mas a situação foi melhor que aquela verificada no mesmo período do mês anterior. Além disso, a oferta de caminhões foi suficiente para atender à baixa quantidade movimentada.
“Apesar das variações negativas observadas entre novembro e dezembro, os fretes de açúcar nas regiões ilustradas terminaram o ano de 2015 em níveis superiores ao verificados em dezembro de 2014”, completa.
Conforme o relatório, os comportamentos mais próximos da estabilidade foram observados nas regiões em que a movimentação do produto manteve-se em níveis mais elevados em função do escoamento do período de safra mais extenso. “O modal ferroviário foi uma alternativa para as filas no porto de Santos, principalmente para as retiradas de produto na região do Sul de Minas e do Triângulo Mineiro, com os principais pontos de transbordo sendo Fernandópolis e Guará”, assinala.

Equipe Esalq-Log (Bruna Borella Beti, Bruna Drago de Araújo, Caroline Nakamoto dos Santos, Daniela Bacchi Bartholomeu, Luis Henrique Plens, Samuel da Silva Neto e Vinicius Modolo Gachido)
Com edição adicional NovaCana